Luiz Geraldo Mazza
O Brasil é um mosaico de províncias mais do que república federativa. Só quando ganham o cenário nacional é que os escândalos se tornam notórios como se deu, ainda agora, com os problemas do Banco do Pará que ajudaram seguidores de Jader Barbalho, denunciados por ACM. Ora se algum parlamentar se ocupasse, com maior vigor e frequência, de detalhar as patologias do nosso ex-banco
estadual, hoje sob o comando do Itaú e no momento certo, a imagem do nosso governo iria para o saco.
Assim como a questão do Banco do Pará ganha força porque inserida no contexto de uma denúncia de impacto, também a cobertura que órgãos da imprensa nacional começam a dar sobre os desvios de Maringá adquirem nova e mais densa dimensão e colocam alguns obstáculos na pretensão lernerista na sucessão nacional (isso sempre foi um delírio) da mesma forma que mexem com interesses de Alvaro Dias na estadual e afetam a sua imagem de magistrado romano na CPI do futebol.
Interesses de campanário movem essas questões tanto no episódio ACM quanto nas ocorrências locais. Ainda ontem, o deputado Ribas Carli, ex-chefe da Casa Civil de Lerner, solicitou à Justiça Federal em Maringá o inteiro teor dos depoimentos que implicavam, indiretamente, figuras do Tribunal de Contas nos episódios maringaenses. Os testemunhos do ex-secretário da Fazenda Rubens Wefort, de Raquel Budzinski e do ex-prefeito Jairo Gianoto chegam a sugerir proximidade e até recomendação por parte de conselheiros e alto funcionário do TC em favor de Paolicchi.
O pior para o Tribunal de Contas, também citado, é que seus membros não cuidam de unificar a linguagem defensiva: Quielse Crisóstomo, ex-presidente, sugere que as apurações daqueles desvios se deram por sua iniciativa; já o atual presidente, Rafael Iatauro, afirmou que aquele órgão não teria condições de detectá-las e que isso ocorreu em função de ações da Receita Federal. Na perspectiva da lógica, ou pelo menos de um silogismo, descobre-se a inocuidade dos tribunais de contas, dos municipais ao federal, para o que a UNE estaria preparando mobilização para extingui-los.
BIZARRICE
Da corrupção que se alastra no Brasil, vide a troca de chumbo entre ACM e adversários, e que alcança profundamente o Paraná, poder-se-ia dizer que ela confirma o verso funk de sucesso: Tá dominado, tá tudo dominado. Já os que trocam denúncias poderiam dizer uns aos outros tapinha não dói.
AXIOMA Floripa é a cidade da moda (segunda vez na Veja) tal qual se dava com Curitiba no fim da década de 70 e meados da de 80. Como fantasmagoria só faltaria Lerner advertir Ângela Amin, não tão mitificada, mas muito eficiente: Você pode ser eu amanhã! Seria pior que despacho ou maldição, em todos os sentidos imagináveis.
GLOSA Servidores do Judiciário, que desde 1992 tentam receber 53,06% de reposição salarial, estão mais do que nunca dependendo de Jesus. É que na semana passada o desembargador Jesus Sarrão pediu vistas do processo quando de 15 julgadores apenas dois negaram o direito à diferença salarial. É verdade que a disputa agora é por uma diferença de 30,74% acertada em acordo e que deve ser estendida aos demais.
EPIGRAMA E agora, PMDB? Além do ex-prefeito Said Ferreira, do deputado federal José Borba, todos do partido, há a notícia de que o Luis Antônio Paolicchi, o homem-chave do escândalo de Maringá, é peemedebista de carteirinha.
SPRAY Em andamento novas medidas judiciais contra as concessões feitas pelo governo no Banestado: uma delas a constituição da Rio Paraná para cobrar contas tidas como quase perdidas e outra a destinação das edificações do complexo de Santa Cândida.- O deputado federal José Carlos Martinez foi denunciado na Procuradoria da República por seu ex-funcionário parlamentar, Ronaldo Antonio Constanzo, de usar servidores de sua empresa na lista de seus assessores parlamentares.- Martinez, alvo daquela farsa do Ferreirinha, que o derrotou na campanha de 1990, era até agora beneficiado pela aura do martírio, tique à brasileira. Já havia sido desmascarado por declarar ter diplomas que não possui no andamento daquela campanha.- Safra do denuncismo não se estanca: pergunta-se agora por que a indústria dos desmanches de carros continua operando como se nada tivesse ocorrido.- Neste mês sai eleição na Associação da Vila Militar da PM: coronéis Abelmídio de Sá Ribas e Dirceu Hatsbach disputam a preferência. O coronel Eliseu Furquim, da Amai, pode se transformar no fiel da balança.- Toda a crise, inclusive a resultante da pressão de deputados da base aliada (muitos deles querendo barganha), é respondida pelo governo com um só argumento: o da necessidade imperiosa da venda da Copel. Só isso já dá idéia do quadro moral.- Oposicionistas parecem reconhecer a dificuldade tanto de montar a CPI dos desvios de Maringá como a pretensão xiita do impeachment de Lerner e estariam dispostos a aceitar uma comissão negociada, com maioria governista, para apurações.- Legislativo, por suas omissões históricas, nada tem a fazer e deve deixar que tudo fique aos cuidados do Ministério Público. Já falhou no caso londrinense de forma a mais escandalosa quando reverteu CPI instalada.-
FOLCLORE Todas as mulheres são lindas. Só as peninsulares têm bigode. É do anarco-machista Elísio Marques. Que diz ainda ser o dia 8 deste mês a data internacional da Ponta de Costela.
CROMO Móbiles e estábiles de Calder enfeitam hoje quartos de bebês.
AFORÍSTICO Baía Limpa: o mar muda de cor, os peixes morrem.





