Luiz Geraldo Mazza
Durante as apurações da ligação entre a Polícia e o crime organizado sempre se buscou desqualificar denunciantes que estivessem, por exemplo, cumprindo pena, isso quando não resolviam eliminá-los, como se deu ainda agora com três das testemunhas de acusação contra o Caboclinho. Da mesma maneira ocorre agora quando o principal agente dos desvios de dinheiro público em Maringá, Luis Antônio Paolicchi, listou o primeiro time da política paranaense, tanto do governo como da oposição, como beneficiários da derrama de recursos.
O governador veio à cena para dizer que o PSDB, partido no qual pretendeu entrar em operação desesperada e no qual acabou barrado por Hélio Duque, é o maior beneficiário do ocorrido. Avisado das denúncias, e da citação indireta de seu nome, o senador Alvaro Dias não quis responder, ainda que estivesse em Curitiba num encontro de tucanos regionais de muito bico e nem tantos votos.
Lerner e Alvaro Dias tiveram suas derrotas principais em núcleos justamente de forte e densa corrupção: Londrina e Maringá. Essa a causa principal da ascensão do PT no Paraná, que ergueu a bandeira da moralidade, nesses dois redutos e também em Ponta Grossa, onde outro tucano, não muito fanático, Jocelito Canto, acabou massacrado. Mesmo que não houvesse uma aliança tão clara quanto aquela do acordo branco, ficou nítido que tinham afinidades de interesses políticos, especialmente no caso de Maringá. Já a de Lerner em Londrina é com Antonio Belinati, tatuagem, afinal, irremovível.
O mal dos políticos é que gostam dos bônus, mas não aceitam os ônus da grana das campanhas eleitorais, aquela do contribuinte que deseja permanecer no anonimato, o celebérrimo caixa 2, aquilo que não aparece obviamente na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Da mesma forma que pode entrar dinheiro de gente boa há também o risco de drenar o pus do narcotráfico e de outras formas de crime organizado, bem como de dinheiro público.
Nem por isso devem ser incriminados desde que não se prove o nexo causal, isso é a relação entre o fato ocorrido e a intenção dos beneficiados. O que não os salva das apurações indispensáveis e das suspeitas presumidas.
BIZARRICE
A UNE estaria programando manifestação nacional contra os tribunais de contas e há um empenho para que a primeira seja em Curitiba. Mais uma vez somos, de qualquer forma, um modelo
AXIOMA Quando, nas primeiras revelações de Paolicchi, afirmou-se que o avião usado na campanha de Alvaro Dias era negociado pelo doleiro Youssef, o senador disse que se procurasse saber a origem daquilo tudo com o coordenador, já que não poderia dominar tantos detalhes. O coordenador foi o irmão senador, Osmar. Agora o Joel Coimbra, procurador-geral do Estado, candidato na eleição retrasada em Maringá, disse o mesmo do seu coordenador, o também procurador de Justiça, seu colega Edson Semensati, que frisou jamais ter lidado com grana.
Quanto mais calam ou falam, mais se enrolam. Isso é axiomático.
GLOSA Felicíssimo com o andamento do desmonte estatal, da desregulamentação, das privatizações, impostos pela globalização, aquele neoliberal, emocionado, concluiu: Agora só falta, brasileiros, privatizar as privadas públicas!
EPIGRAMA E o governo paranaense, apesar de tudo, não aparece no Serasa e também no antigo Seproc. Devedor compulsivo; gastador, muito mais.
SPRAY Por falar em dívidas, o governo paranaense deve a dezenas de empreiteiras, de variado porte, cerca de R$ 39 milhões, já transformados em precatórios junto ao DER. A origem é do governo Alvaro Dias, desde 1987, e no curso das cobranças pelo menos sete delas quebraram. - Para evitar prescrição, a Apeop se viu impelida a entrar com 82 ações para garantir seus direitos que o governo atual, como os anteriores, tenta empurrar com a barriga. - Essa é, de um modo geral, a linha do governo atual, o que provoca falência, concordata, perda de empregos, enquanto fomenta a grande empresa que usa tecnologia poupadora de mão-de-obra. - O caso Paolicchi-Belinati e a inocuidade dos tribunais de contas poderiam servir de paradigma para discussões no 2º Congresso Nacional de Administradores Municipais que se inicia amanhã em Curitiba com cerca de 500 prefeitos e técnicos de todo o Brasil. São formas didáticas de ajustar a cabeça dos gestores à Lei de Responsabilidade Fiscal. - Empresas de bom porte, como uma das que fizeram parte do consórcio que construiu Segredo, quebraram quando tinham direito a receber cerca de R$ 847 mil do DER. Enquanto isso, a Copel acha interessante pagar antecipadamente à CR Almeida R$ 90 milhões numa demanda ainda sem julgamento final. Nesse caso também foi o preço que se pagou em cima daquela disputa entre Alvaro Dias e a empreiteira. Se ele está no governo, certamente não o admitiria. Requião e Richa também.
FOLCLORE O professor de Medicina Legal, da Direito de Curitiba, vê entrar na sala um aluno feíssimo e lhe pede um autógrafo sob a alegação de que ele se parece demais com o Brad Pitt. O velho Napoleão Teixeira fez prosélitos. Uma vez falava do culto ao pênis de certas tribos, e uma aluna se mostrando revoltada ameaçou sair da sala e o mestre tascou: Não se apresse que o navio para lá só sai na próxima semana. Underground para ninguém por defeito.
AFORÍSTICO Só no Contestado o Paraná apanhou de Santa Catarina como agora.





