Luiz Geraldo Mazza
O andamento das investigações de Maringá e dos procedimentos judiciais permitiu que as máquinas colheitadeiras, apreendidas na fazenda do ex-prefeito (afastado pela Justiça) Jairo Gianoto, se transformassem num símbolo exposto em praça pública pelo seu sucessor, o petista José Claudio Pereira Neto. Imediatamente houve uma espécie de happening com o exercício de criatividade nos protestos do povo em faixas com pedidos de prisão para os corruptos.
Esse é o jeito de a sociedade melhorar. É preciso que as contradições cheguem a pontos extremos, como se deu na bronca de ACM contra FHC, para que se siga, a tudo isso, um processo de depuração. Só assim se cassou, de verdade, um presidente (Collor de Mello), no Brasil. Não fosse o irmão Pedro, revoltado e com ira bíblica, e o esquema todo poderia estar aí, ainda imperando.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Sâmis da Silva, tenta enquadrar seu antecessor, Harry Daijó, a quem acusa de desvios de recursos públicos na ordem de R$ 100 milhões. Se tais presunções se confirmarem, em função até das dificuldades herdadas, a Sâmis da Silva não restará outro caminho porque o povo, que nele votou, vai reclamar ação e não se conformará apenas com denúncias.
Em Londrina, a ala mais veemente do PT e do conjunto da própria sociedade está a reclamar um aprofundamento nas investigações sobre as patologias do cassado Antonio Belinati. Não é crível que uma prefeitura, com o porte da segunda maior cidade do Paraná, depois de obter centenas de milhões de reais na venda de ações do Sercomtel à Copel, passasse a registrar déficit inadministrável de R$ 3 milhões por mês.
O prefeito Nedson Micheleti (PT), por um questão de estilo ou de cautela, já que o exame da questão se encontra na esfera do Judiciário, não parece estar interessado em valer-se da atmosfera de denuncismo para agir. Isso o colocará sob risco diante da popularidade do seu antecessor, o que, dentro em pouco, levará essa faixa de eleitorado a manifestações diante da prefeitura, no lugar, enfim, em que deveriam estar expostos os esqueletos retirados de todos os armários, como o desejam os mais radicais.
Se na Assembléia, com uma CPI instalada, o caso Copel-Sercomtel deu em nada, dá para captar a razão pela qual o governo não deseja qualquer esclarecimento e se dispõe a transpor todas as fronteiras da ética e do direito para impedir que tenhamos clareza, não meridiana, mas levemente translúcida, sobre o caso.
AXIOMA
Quando lançaram a Cidade Industrial de Curitiba, diziam os lerneristas que ela geraria 400 mil empregos, o que nunca foi provado. Agora sugerem que o novo perfil da economia paranaense gerou 500 mil. Há muito tempo já está faltando óleo de peroba para tanta cara-de-pau
ANALOGIA Quando Ney Braga assumiu o governo em 1961, apesar de contar com minoria parlamentar, mandou apurar aquilo que era tido como desregramento do seu antecessor. Não assumiu pessoalmente a tarefa, passando-a para o seu secretário de Justiça, Rubens Requião. Os fatos não eram tão ricos em termos documentais como os de hoje e um deles, chocante, atribuía a Lupion, através do seu procurador no Rio, Libino Pacheco, de haver depositado em sua conta em banco uma importância que se destinava à campanha contra a hanseníase. Dá para imaginar o horror que esse tipo de exploração provocava. Pois bem: essas denúncias, formalizadas, caíram no Judiciário.
Sabendo desses fatos, o atual líder da oposição Orlando Pessuti quer muito mais do que declarações do Paolicchi para pedir o impeachment de Lerner. E faz muito bem porque no governo do Requião, o último do PMDB, os magistrados lhe moveram um processo de impeachment que obviamente deu em nada e apenas aumentou o cacife do governador que abusava do acesso à tevê, às rádios e aos jornais para encurralar o Poder Judiciário. Impeachment não é processo jurídico e, sim, de natureza política. Se a correlação de forças não o autorizar, mal conseguirá expor a autoridade a desgaste. Pelo contrário poderá vitaminá-la, o que seria trágico e ridículo.
BIZARRICE Na porta automática da agência Banestado, Muricy, maior confusão no pagamento do funcionalismo. Volta e meia a porta emperrava por causa de metais conduzidos pelos correntistas. De repente um grito de advertência: Atenção! Quem tiver cinto da castidade saia da fila!
GLOSA Logo vem aí a malhação de Judas. Adivinhem quem vai predominar?
EPIGRAMA Adágio é provérbio, pedágio é pró-verba para os amigos do rei.
Na hora em que as concessionárias precisam mostrar serviço em trincheiras, viadutos, reforço em encostas, pista dupla, tiram o time do campo. Afinal, o trabalho duro e caro fica melhor nas mãos do governo.
FOLCLORE Mortandade de peixes no Parque Barigui: 5 toneladas. Mortandade de peixes em Guaraqueçaba. No primeiro caso, vitória da visão ecológica deste governo e no segundo mais um feito sensacional do Baía Limpa. É o milagre bíblico às avessas da multiplicação dos peixes como a dos empregos. O que se multiplica, incontrolavelmente, é escândalo e mentira, muita mentira.
CROMO A tua claridade, Lucy, independe do sol e da lua, e é permanente.
AFORÍSTICO Se o homem fosse catarinense diríamos: Arrombassi, Paolicchi!





