O motivo real do açodamento em privatizar a Copel é um só: tentar ganhar tempo, moratória, nos problemas financeiros internos. O fato é que boa parte do que se arrecadará, teoricamente, com o leilão da melhor empresa de energia do País será descontado dos inúmeros gravames em cessões de ações, tudo enfim que a prodigalidade dessa gestão engendrou. Há até em andamento um projeto para beneficiar empresários que têm precatórios a receber e entre as imaginadas compensações estaria a da participação nessas licitações.
Pergunta-se: e a drenagem de parte dos recursos da venda para o Fundo de Previdência (a sua instituição como empresa não pública pode cair antes do que se imagina no Judiciário) garantiria o pagamento de inativos e pensionistas ou dependeria de uma excepcional gestão, inexistente nos órgãos como a Petrus, a Previ e tantos outros que enfrentam dificuldades crescentes? Assim, o problema persistiria com o tempo e essa torneira poderia ser mais eficiente, como alguns estão argumentando, com a manutenção da geração nas mãos da Copel.
Não dá para comparar a Copel com o Banestado, esse um alvo permanente da cupidez dos políticos em seu favor ou de amigos do mesmo círculo desse empresariado que não sabe viver sem esse ‘‘manᒒ de levantar dinheiro sem a obrigação de devolvê-lo. Bancos estaduais não se justificam e precisam ser removidos do mapa. O governo pensou que as coisas agora com a Copel seriam tão fáceis quanto com o banco falido. Tanto que há pessoas acreditando que o Gionédis, como mediador de crises, teria o mesmo desempenho agora com as rebeldias da bancada situacionista para ajustar tudo para a liquidação da nossa maior empresa. A moeda de troca para acalmar inquietudes situacionistas é cada vez mais escassa. Ela funcionou muito bem no caso da CPI Sercomtel-Copel-Banco Fonte Cindam, um dos episódios mais negros da história do nosso Legislativo. Agora a corda esticou demais.
O fato de recuar no andamento de uma CPI já instalada mostra a ausência de qualquer sentido de honra. Enquanto houver o pacto que forma as bases do governo atual tudo pode acontecer, da mesma forma que negarão exame real à vinculação do Paolicchi com políticos, que dele se valiam para fundos de campanha, e até mesmo com os conselheiros do Tribunal de Contas. Como Drácula essa ordem não pode se manter à luz do dia, dependente que é da escuridão.
BIZARRICE
O secretário Nelson Justus, dos Transportes, foi a Paranaguá e fez solicitações não atendidas por Osiris Stenghel Guimarães, superintendente do terminal. É o diz-que-diz-que da Praça Fernando Amaro. Pelo jeito manda mais na Guaratubanda, seu antigo xodó
AXIOMA O PFL está para o governo como o marisco para a rocha: na tormenta chacoalha um pouco, mas não desgruda, pois é tudo, menos tolo. A amaciada de ACM, pleiteando uma posição independente em relação a FHC e não a ruptura, é um claro sinal da insopitável vocação para o poder. Tanto é verdade que nasceu de dissidência do PDS quando preferia Andreazza a Maluf e por isso acabou optando por Tancredo no Colégio Eleitoral. E seu instituto doutrinário, para reafirmar posição, chama-se Tancredo Neves.
GLOSA A Copel nunca foi tão exposta em sua existência como nesse período: além de gravar seriamente seu patrimônio com o caucionamento de ações e empréstimos junto ao BNDES e pagar antecipadamente demandas judiciais a empreiteiros, sob o fundamento de que as perderiam, agora aparece nas façanhas do Luis Antônio Paolicchi, usada como fachada para os desvios.
EPIGRAMA O único e permanente advogado do governo nas decisões sobre a vinda das montadoras é Miguel Salomão. Ele tira de letra acidentes de percurso como os da Chrysler, que já decidiu o fechamento, e da Audi-Volks por um ano (esta admite que perde R$ 400 milhões, equivalentes a cinco Jogos da Safadeza e à metade dos afanos da Leasing) e se assim persistir tira o time também. Não faria mal a existência de um advogado do diabo, se é que esse, a rigor, já não tem maioria no sistema.
SPRAY O Conselheiro do Tribunal de Contas (Nestor Baptista) quer enquadramento dos dirigentes da URBS na lei do colarinho branco. No caso das denúncias no processo de Luis Antônio Paolicchi de que conselheiros frequentavam o gabinete do homem há silêncio corporativo. - Versão da Petrobras sobre o acidente na Serra do Mar com o rompimento da tubulação sugere que ela pleiteou junto ao IAP realização de obras, que foram negadas, e que causaram o rompimento. - É o segundo caso de vazamento de estação de bombeamento, outro ocorrido há cerca de uma década, na BR-376, também em território estadual, com mortes de pescadores por queimadura num rio próximo. - Entre prefeitos do Paraná flui uma sentença: dos três senadores, o mais habilitado à função executiva é o Osmar Dias. Seria, além de tudo, uma cara nova na listagem sucessória.
FOLCLORE A Sanepar fez uma campanha enorme por economia de água no Litoral pela TV, outdoors móveis sob rodas, panfletos. E em Curitiba justamente nos dias feriados, mais difíceis para localizar os plantões, havia enormes vazamentos na rede, um deles na frente da Universidade Federal. Façam o que digo, mas jamais venham a fazer o que eu faço.
CROMO Curitiba imita o Rio e faz do Barigui sua Lagoa Rodrigo de Freitas. Estão lá às toneladas os peixes mortos. Ecologia de muito eco e pouca lógica.
AFORÍSTICO E depois da ressaca, será que o governo enfim vai funcionar?

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