Até os últimos acontecimentos políticos da metrópole colocam a aldeia em baixo-astral. Tanto a eleição de Jader Barbalho para o comando do Senado é negativa para os interesses do senador Roberto Requião quanto a crise desencadeada pelas denúncias de ACM assim parece para o delírio nacional de Jaime Lerner. E não apenas isso, já que o isolamento do baiano atinge o batismo da candidatura Tasso Jereissati no PSDB e a imaginária dobradinha com o governador paranaense para vice. Além disso, quem saiu valorizado no tucanato, pelo menos por enquanto, é o ministro José Serra.
Como se não bastasse a quebra financeira do Estado, hoje sem ter a quem apelar para acertar os problemas de caixa, o céu da política não é azul de brigadeiro para um vôo lernerista. O pior é que a única bóia possível para salvar o Paraná do afogamento é a venda da Copel. Isso foi repetido e usado até como chantagem para conter uma avalanche de greves que começaria em setores básicos das Polícias Civil e Militar. A sociedade reagiu tarde ao leilão, mas em tempo ainda de perturbá-lo gravemente e transferi-lo para 2002 com as sequelas eleitorais inevitáveis.
O que favorece Requião, no entanto, é a desesperada busca de um novo acordo com Alvaro Dias, o que permitiria ao senador peemedebista exercitar, uma vez mais, aquele discurso do ‘‘justiceiro’’, mais do que manjado, acusando a chapa de repetir o golpe que lhe foi aplicado em 98. Ocorre que Requião devia essa a Alvaro, a quem se recusou a ajudar em 1994, e mereceu o troco, embora o tucano tivesse um outro crédito, o de ter permanecido no governo em 1990 e ajudado, inclusive, na encenação do Ferreirinha, já que recebeu no Palácio Iguaçu o ‘‘ator’’ que faria o papel do falso pistoleiro.
Recomenda-se despacho em água de Rio da Serra para ajudar o governo. Até isso, porém, está prejudicado, pois o óleo da Petrobras é pior que mau agouro.
BIZARRICE
O governo Lerner é especialista em arrumar ‘‘bois de piranha’’ do sistema para desviar a atenção sobre os responsáveis que estão no comando. Com as declarações do Luis Antônio Paolicchi fica evidenciado que a cada momento em que um ‘‘boi de piranha’’ reagir o governo está frito. O mundo espera que os ‘‘bois de piranha’’ cumpram o seu dever mugindo fortemente
AXIOMA Da mesma forma que o Rexona já não perfuma a imagem oficial, agora temos a possível quebra do Paraná Basquete, inclusive os atletas sofrem atraso no pagamento de três meses. A bola da vez pode ser o funcionalismo estadual.
GLOSA Uma das piadas clássicas sobre o jogo de empurra da burocracia brasileira era aquela que tratava do mosquito como federal, municipal ou estadual. Como a fase promocional do Paraná é forte veio a história dos servidores de São José dos Pinhais importando mosquitos municipais para transformá-los, segundo a denúncia policial, em verbas federais.
EPIGRAMA Observação do Ricardo Prefeito, codinome Eduardo Schneider, sobre o fato de os pescadores de Antonina continuarem pescando apesar da proibição devida ao derramamento de combustível: ‘‘O pescado, além do Ômega 3, deve conter o Lubrax 4.’’
SPRAY Sugeri, ontem, que no clima de purgação que segue o final do Carnaval aos nossos políticos só restaria, especialmente os do Palácio Iguaçu, declamar o ‘‘E agora, José?’’ do Carlos Drummond de Andrade. - Depois das revelações do Paolicchi, de ontem, em Maringá, jogando espuma no ventilador e atingindo, como era esperado, os grupos do ‘‘acordo branco’’ de Lerner e Alvaro Dias, recitar esse poema e outras ladainhas vai ser um exercício geral. - Vamos ter algo bem mais detalhado do que o escândalo PC Farias e Operação Uruguai: o ex- secretário da Fazenda de Maringá declarou que recebia ordens do prefeito Jairo Gianoto para mandar dinheiro às campanhas eleitorais de Lerner, Alvaro Dias e do Ricardo Barros. - Se forem aprofundadas as investigações em Londrina do rumo do dinheiro obtido com a venda das ações do Sercomtel para a Copel teremos novos enfartes (já ocorreu pelo menos um, no caso Paolicchi) e uma bela radiografia do nosso estágio de higidez política. - Espera-se que depois das apurações de Maringá e Londrina se defina quais as áreas limpas da política do Paraná, tal qual se faz com os rebanhos no caso da febre aftosa. Se as operações eram triangulares, saindo de Maringá e ganhando a intermediação de um doleiro em Londrina para chegarem a Curitiba, poderemos, ironicamente, concluir que ao menos na corrupção o Paraná está integrado. - Quem está ocupado em unir o Paraná é o vereador Marcelo Almeida (pelo jeito interessado em vôos mais altos como o de deputado estadual, federal e até senador) que já perdeu dois carros, uma robusta Ranger inclusive, nessa tarefa de visitar todos os municípios. - Suspeita-se que o abandono das estradas é uma jogada tortuosa do governo para lembrar que as rodovias pedagiadas são melhores.
FOLCLORE Lupion recebe prefeito do interior e lhe pergunta como está a zona. Sério, ele se refere à zona no sentido geoeconômico, mas o burgomestre entende outra coisa: ‘‘Estava melhorzinha até com algumas garotas que tinham passado por Londrina. Mas aí o padre fez campanha e eu mandei fechar.’’
CROMO A lesma atravessou a noite e deixou o vestígio do visgo prateado.
AFORÍSTICO Depois de tudo isso e mais aquilo dá para acreditar em políticos?

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