Luiz Geraldo Mazza
Está criado um problema interessante: quem policia a Polícia e quem investiga o fiscal? A Polícia, como se sabe, não é policiada, apesar de ter um dos seus melhores quadros na corregedoria, o celebrado delegado Adauto. E o Tribunal de Contas (TC), quem investiga, se não é poder autônomo e não passa de um apêndice da Assembléia Legislativa? O deputado Ribas Carli suscitou a questão e quer uma apuração em regra daquela citação na novela do Paolicchi, de Maringá, dos membros do TC que frequentavam o abominado gabinete.
Como todas as disputas entre o Tribunal de Contas e a Assembléia Legislativa são falsas e apenas para inglês ver, essa, certamente, não escapa do mesmo destino: no fundo, quase sempre, como se dava nas brigas com Aníbal Khury, uma questão de campanário. Quando um conselheiro de TC se mete a eleger um filho deputado, como aconteceu com êxito com o ex-presidente Quielse Crisóstomo, há sempre atrito na base.
Também quando o TC resolve baixar num prefeito (o que não fazem e nem fizeram com Londrina, Maringá e Ponta Grossa) logo um deputado estadual, que detém o mando político da região, esperneia. Aníbal se defendia com aquele projeto inconstitucional que criava o TC Municipal: guardava-o na gaveta com unção com se fosse o vaso do Santo Graal e assim que um conselheiro apertava um prefeito do seu time ameaçava a encabulada Corte com a perda de poderes.
Hoje só dá, a rigor, para acreditar numa instituição: o Ministério Público, na condição de quem se dispõe a romper com a rotina. O Judiciário, até por suas cautelas históricas, é cuidadoso demais para atender à demanda de quebra da impunidade, anseio quase transformado em paranóia no Brasil com o povão, de uma certa forma, desejando, tal a sua revolta, um linchamento dos agentes públicos. O Legislativo, em nosso caso, é mais dependente do Executivo do que o Tribunal de Contas do Parlamento estadual, subversão institucional para ninguém botar defeito como obra de arte política às avessas.
AXIOMA
Dizem que há vídeos de churrascadas de empresários dos desmanches com figuras de destaque dos poderes de Estado. Du-vi-de-o-dó que divulguem, se é que de fato existem
BIZARRICE Esse governo (o do Paraná) tem culpado pra tudo. Do vazamento de óleo diesel, a natureza; da falta de merenda escolar, os alunos; da baixa qualidade do ensino público, os professores. Só falta culpar o bispo pelo fracasso do nosso Carnaval! Deputado Algaci Túlio, ontem pela manhã, na audiência pública da educação no plenarinho da Assembléia.
Como diz o Elísio Marques, testemunha do evento: E o PTB, quem diria, dormiu neutro e amanheceu na oposição! Brindemos com sidra Rossoni...
GLOSA Denúncias de ACM contra o governo FHC, acompanhadas de requerimentos, foram respondidas com outras, acopladas em pedidos de apuração. A guerra dos babuínos, aqueles que brigam atirando as próprias fezes, chegou à Câmara Alta. Da mesma forma que as fezes adubam, o conflito clareia. Se Pedro não denunciasse o irmão Fernando Collor ele estaria até hoje no governo e sapateando.
EPIGRAMA Gaúchos comemoraram, dias passados, o aumento de 12% no PIB. O Paraná ficou com um terço disso e ainda bota banca, o incorrigível. Aliás, a anedota gaúcha e do seu machismo diz o seguinte: Não esperamos aqui que montadora dê no pé como no Paraná. Nós as expulsamos antes que se instalem, tchê.
SPRAY O placar das demissões no Banestado-Itaú acusa 569 casos. Quando chegar em 1,5 mil e 2 mil, o movimento do sindicato, em lugar de expandir-se irá, aos poucos, caindo pela desesperança. - Governo sabe que essas demissões bancárias o atingem até porque já estavam previstas. Mas seus corifeus entendem que não terá influência no pleito de 2002 porque até lá o enxugamento terá chegado ao fim. - Uma tática boa do sindicato foi a de montar um panfleto colorido dirigido aos usuários e clientes do Banestado. A manchete, verdadeira, conta que pioram as condições de atendimento. - O ex-galerista e crítico de arte João Carlos Sade mandou brasa no Clube da Luluzinha e no Parque da Mônica que tomaram conta da área cultural. Petistas da terra mandaram reproduções do artigo ao senador e a sua esposa, Marta Suplicy, em que se prevê que o Municipal de São Paulo, como aconteceu com o Guairão, vire um Canecão. - Por falar em cultura, um elogio: a revista Top Magazine é uma surpresa de qualidade e bom gosto. Entrevistas com Saramago e José Walter Bautista Vidal, o tom cosmopolita, a qualidade dos anúncios, tudo está a indicar que, livre do ranço provinciano, pode ser exportada. Precisamos sair da casca, da autarquia. Esse é um caminho. Outro é criar redes de jornais e TV como a da RBS e publicações como Nicolau e Rascunho. Desasnar a elite, outro. - Prestar vassalagem política a alguns catarinenses é demais para nossa auto-estima. - Na Câmara Municipal de Curitiba há assessores que ganham mais que os vereadores e também mais do que o prefeito. Ajuste fiscal. Ah! Ah! Ah! - -
FOLCLORE Nesta quarta os coxas estarão torcendo para o Grêmio Portoalegrense e os atleticanos, imaginem só, para o Coritiba. São os dribles do destino.
CROMO Não há Carnaval: sem o odor do lança-perfume no salão é impossível.
AFORÍSTICO Alceni Guerra aos policiais militares: aumento só depois da venda da Copel. Não é chantagem, mas santagem, uma saída santa.





