Não poucas vezes, tanto Requião como Alvaro Dias, valendo-se de estatísticas que eventualmente beneficiassem o Paraná, tentaram sugerir que aquilo se dava por obra e graça dos seus governos. Lerner não inovou e como transformou o Ipardes numa dependência também propagandística, fechada para a notícia ruim, mas potencializando sempre a boa, segue no mesmo cantochão, aliás velho e indispensável cacoete dos nossos gestores.
Instala-se em função disso o ‘‘chutômetro’’: o Paraná teria nos seis anos de lernerismo crescido cinco vezes no seu PIB. Como, porém, o Rio Grande do Sul prossegue à nossa frente, é visível que teve incremento em igual proporção. A badalação em cima das montadoras, que deveria ser mais cautelosa depois do evento da Chrysler e a ameaça de suspensão da Dana, prossegue.
Todavia o Dieese, órgão independente, ainda que engajado na perspectiva do trabalhador, mostrou que as montadoras exportaram US$ 770 milhões, mas se viram impelidas, pelo ainda insuficiente índice de nacionalização, a importar US$ 829 milhões, o que dá um déficit expressivo.
Ontem, em entrevista ao ‘‘O Valor’’, o presidente da Volks do Brasil, Herbert Demel, disse que as mortes das automotivas não param no caso da Chrysler e que a unidade de São José Pinhais, associada à Audi, é deficitária (cerca de R$ 400 milhões) e o prejuízo é compensado pelos resultados das unidades do ABC, de Taubaté e da fábrica de caminhões e ônibus de Resende. As montadoras apostaram na continuidade do quadro de 1997 com vendas ‘‘aquecidas’’ e estimuladas pela paranóia da guerra fiscal e agora percebem que ‘‘quebraram a cara’’, de forma pouco gloriosa.
Aquele argumento solerte de que a indústria de vanguarda não tem o inconveniente das oscilações registradas na agricultura está mais do que desmascarado: além do frágil índice de nacionalização, que se acreditava mudasse com a alteração cambial, temos, ainda, um dado amedrontador na capacidade ociosa dessas organizações, isso sem falar no terrível fator de retração nas compras.
Parece incrível que o fim do regime militar mais o nível de participação cívica dos nossos dias sejam fatores insuficientes para obrigar o governo paranaense a respeitar mais o público, deixando de manipular informações que a própria realidade acaba desmistificando. Instalada a mentira ou as meias-verdades como norma nos informes oficiais glorifica-se o ‘‘chutômetro’’.
BIZARRICE
O deputado federal Rafael Greca se apresenta na sauna com um roupão colorido. Um dos frequentadores pergunta se a peça, claramente japonesa, foi presente do Hitoshi Nakamura e a resposta sem estardalhaço é bem no estilo do ex-prefeito: ‘‘Ganhei do filho do imperador’’
AXIOMA A defesa da Copel ganhou um aliado de peso e com muita capilaridade em todo o território nacional: o Ratinho, do SBT, está reunindo dados para fazer o barulho contra a privatização. Esse a ratoeira oficial não pega.
GLOSA Só falta agora a atoarda ideológica (movida por petroleiros) sugerir que está havendo sabotagem na Petrobras também nos casos de crimes ambientais. A cada acidente desses, que se sabe motivados por falta de manutenção e redução de quadros de trabalhadores, como já houve anteriormente no Rio, sugere-se que se faz isso para acelerar a privatização da empresa, outra paranóia. Argumento da segurança nacional, que a justificava em termos militares e de soberania, cai a cada barbaridade dessas, fruto de desídia e incompetência.
EPIGRAMA A universidade pública, apesar de tudo, ainda é opção por qualidade. A PUC garante todo o curso gratuito do vestiba que sai em primeiro lugar, mas dos 50 e poucos premiados, 47 preferiram ir para a UFPR. A preferência não vinha pelo custo, obviamente, mas pela qualidade, apesar do baixo clero e do consulado corporativo.
SPRAY No disparo várias ações na Procuradoria de Araucária contra o ex-prefeito Rizio Wachowski. - Na Lapa já houve uma contra o ex-prefeito e outras virão. - Nos municípios mais agredidos, Londrina e Maringá, os prefeitos agem com mais cautela, pois o caso já está nas mãos do Ministério Público e eles se livram do ônus do policialismo, que é necessário, mas sempre desgasta com a saturação. - Ademais, manietados pela crise financeira e imposições legais, eles pouco podem fazer e se ficarem apenas processando antecessores acabam frustrando expectativas. - Na área de comunicação oficial, o governo engendrou uma fórmula para driblar o Código de Contabilidade Pública e as regras e normas do funcionalismo, estabelecendo remuneração, para alguns, é claro, acima de todos os gabaritos funcionais, à deriva dos rituais públicos. O pessoal do quadro é tratado como cidadão de segunda classe. - O deputado Ribas Carli quer investigação sobre o caso Paolicchi, de Maringá, e da apuração de fatos ligados à informação de que conselheiros do Tribunal de Contas eram frequentadores daquele gabinete.
FOLCLORE A secretária de Educação, Alcyone Saliba, jovem como é, mostra-se entusiasta dos esportes radicais, dentre eles o ‘‘rafting’’, que costuma praticar nas águas agitadas do Rio Cachoeira. Suas disputas com a APP são uma espécie de treinamento no rio caudaloso das negociações intermináveis.
CROMO No fim do arco-íris havia o pote de ouro que os políticos descobriram.
AFORÍSTICO Que tal Lerner presidente do Instituto de Arquitetos?

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