Luiz Geraldo Mazza
Para quem andava impressionado com referências diretas ou oblíquas na tevê em favor do Paraná pode haver mais matéria-prima: uma figura popular da política metropolitana, o Rubinho Ferreira, mandou uma sugestão ao Silvio Santos, dono da rede nacional SBT, para que se faça no Show do Milhão uma pergunta sobre o tempo que Jaime Lerner, governador paranaense, ficou fora do Palácio Iguaçu no exterior. Nas respostas alternativas sugere-se a listagem de quatro números: 374, 394, 384 ou 364 dias.
Há a sugestão, aí altamente corrosiva e fora dos fundamentos do programa, para que o acertador tenha como prêmio viagem à Capital do Café acompanhado pelo governador Jaime Lerner para assistir ao vivo o programa radiofônico do ex-prefeito Antonio Belinati, na Rádio Londrina. Com direito a vaias.
Acredita-se que nacionalmente Lerner é menos conhecido por sua compulsão turística e mais por supostos feitos urbanísticos em Curitiba, havendo daí a possibilidade de o concorrente solicitar as placas dos convidados, de ouvir os universitários ou ainda sugerir uma consulta às cartas de baralho. Na mesma linha poderia haver perguntas genéricas como qual o governante que mais se mantém fora do país e se Fernando Henrique Cardoso, com toda a sua pauta dinâmica, seria um fora de concurso.
Mesmo como piada ou eventos ruins (CPI do crime organizado, o screap que atacou a ovinocultura, o assalto ao Banestado e o vandalismo do Atletiba) o Paraná estaria em foco. Não é sutil como as reverências nas telenovelas, mas também serve de referência, pois quem não se comunica se trumbica, conforme a sentenciosa definição do Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
BIZARRICE
A descoberta de que o homem tem apenas o dobro dos gens da mosca das frutas não espanta: basta ver o que se dá no Oriente e o que ocorre no interior do Congresso e no final das partidas de futebol
AXIOMA A pior das democracias é sempre mais recomendável do que a mais eficaz das ditaduras. Dá para concordar com isso quando se desconsidera que vivemos numa ditadura de políticos, sem raízes partidárias, como se vê no confronto pelas presidências da Câmara Federal e do Senado, cuja eleição será hoje.
GLOSA É um absoluto exagero dizer que nas Vilas Rurais há mais rotatividade do que nos motéis. O exagero, feito com a boa intenção de corrigir, não é pecado. E se for, não passa de venial. Pecado mortal é acreditar em propaganda, esta sim sempre exagerada e que torna a expressão propaganda enganosa, já que toda ela numa certa medida o é, numa contradição em termos ou redundância.
EPIGRAMA Vivemos num tempo em que tudo se dessacraliza, tal qual se vê no cenário com que Marx, no Manifesto Comunista, previu uma etapa mais singela do que a atual de globalização. Pois ontem a imprensa passou a sugerir que um ícone nacional, o Pelé, seria mais nefasto que o Ricardo Teixeira. Só falta agora, como lamentava o mestre João Xavier Viana, para matar os nossos sonhos de infância, dizer que o Tom Mix (o John Waine dos anos 30/40) seria bicha. Esse lamento do Viana era dos anos 50; hoje a observação sugeriria discriminação e até um protesto do Grupo Dignidade.
SPRAY Reinauguraram a Assembléia Legislativa ontem pela enésima vez. Chamaram de reforma, mas a que ela precisa não é por aí. Isso lembra a passagem bíblica do sepulcro caiado. - Se o governo desejar rentabilidade para os prédios que farão parte do Fundo de Previdência deve acabar com a moleza de cedê-los de forma gratuita. - Há dezenas deles que poderiam também implicar em economia com locações do serviço público. - Todo conflito e troca de denúncias, tal como se vê no caso Paolicchi, pode redundar em fatos positivos. É o que se espera que ocorra em Santa Catarina, com repercussões no Paraná, do grupo político e empresarial de gente daqui e de lá que está de olho na Copel e que teria um naco importante da geração da Eletrosul. É o que se fala por lá. - Nessa linha é importante que o PFL continue fustigando o governo de Esperidião Amin no seu intento de privatizar a Celesc. Disso aí pode dar caldo. - O sistema de transporte coletivo de Curitiba se exaure. Ontem, 8 da manhã, assisti ao caos no terminal do Cabral na hora de pegar um ônibus. Havia comboios de até quatro ou cinco ligeirinhos e de dois a três biarticulados. - No entorno, a circulação de veículos particulares entrava também em colapso. Só falta acontecer isso, de uma vez, para acabar com o resíduo positivo da imagem de Lerner-Cassio Taniguchi e o time no poder. - O presidente da Academia Paranaense de Letras, Túlio Vargas, estranhando formalmente a sua inclusão num fórum cultural, quando não foi sequer consultada, a respeito do veto de Lerner à lei de incentivo, de autoria do deputado Ângelo Vanhoni.
FOLCLORE Atritos na base do fair-play entre brasileiros e argentinos estão cada vez mais frequentes nas praias catarinenses. Consta que numa dessas rodas um argentino insistia que Maradona era melhor do que Pelé e que o brasileiro reagiu perguntando sobre as Ilhas Malvinas: Naquela guerra fomos vice como vocês em 98 na França!
CROMO Deus dá a todos uma estrela.// Uns fazem da estrela um sol.// Outros nem conseguem vê-la. Mais um derrame de luz de Helena Kolody em Dom.
AFORÍSTICO O governo ironicamente termina antes de começar.





