Luiz Geraldo Mazza
Sexta-feira a paranóia voltou: um embrulho foi entregue na Biblioteca Pública e era olhado com suspeição como se fosse uma bomba. A Polícia Militar foi lá e usou uma técnica apropriada: lateralmente ao pacote suspeito fez explodir bombas de baixo teor. Se houvesse explosivo no interior seu efeito seria para baixo. Havia apenas uma vassoura velha no embrulho. Das duas uma: ou se trata da volta de Jânio Quadros ou do veículo de uma bruxa.
Passado o susto, comentou-se, já com o predomínio do bom humor, que o pacote seria um protesto contra o fato de a biblioteca não estar incluída no horário único, o que, aliás, seria um absurdo.
A inovação serviu para mostrar algo positivo: na Secretaria de Administração a frequência foi tão grande que na circulação do pátio do Edifício Castelo Branco, no Centro Cívico, houve engarrafamento. Como prelecionava aquele cínico: se quiserem descobrir as pessoas mais insubstituíveis do serviço público basta sequestrar a mulher do cafezinho e a zeladora dos banheiros.
BAGRINHOS Incrível como um fenômeno transformado em ideologia vira auto de fé. Um deles está nessa onda, sem saída possível, da globalização, que deu margem aos encontros de Davos e de Porto Alegre, nem um tão rico quanto se imagina, nem outro igualmente pobre como alega. Numa conversa que tive com empreiteiros em palestra na Apeop procurei refrear o entusiasmo de alguns para os quais a mecânica do mercado era uma boa para todos.
Habituados à cultura nossa de proteções iriam ver, logo na sequência, que as estradas pedagiadas, por exemplo, beneficiariam um nicho mínimo de consórcios. Pensar em competição entre Mike Tysson com o nosso Acelino Popó de Freitas é como comparar os popós descarnados das modelos com os das atrizes globais. Resta a descoberta do nicho e da escala apropriados para cada um ou transformar-se em empregados das multinacionais, como está acontecendo com os bambas do empresariado nacional.
AVALIAÇÃO Dos nossos três senadores, dois se dizem candidatos ao governo, mas o melhor deles para função executiva é o Osmar Dias, que até o PT aprecia
SLOGAN Dizem por aí que o tudo vê, nada cala, que pretende servir a mais uma arrancada de Roberto Requião ao governo, foi decalcado da Sentinela, uma empresa de segurança.
O risco de plágio é permanente no marketing empresarial ou político. Aqui se trabalha de Paulo Pimentel foi extraído da mobilização fascista na Itália e assentada num conselho-ordem: Pare de reclamar, aqui se trabalha!
INSPETOR JAVERT Quando menos você espera, ele aparece. Já invadiu estúdios de TV, tumultuou solenidades, pelas causas que defende. Um dia o governo inaugurou uma passagem subterrânea na frente de sua casa. Aproveitou o encontro da milicada com os políticos para distribuir a sua revista Paraná em Páginas. Militante radical em defesa do prefeito Lerner, a engenheira Fanchete Garfunkel começa a apreender as publicações. De repente, ela se sente observada: aí viu a cara risonha do Cândido Gomes Chagas alertando com a sutileza de um esgrimista francês: Esse papel não serve para o que se pretende.
A revista fez 36 anos, de mensal e ininterrupta circulação, como se gaba o Candinho, discriminado em verbas oficiais, o que lhe serve de estímulo como o espinafre ao Popeye. Provou que um ministro muito ligado à turma que o hostilizava, e que lhe cortava as verbas, tivera uma irmã numa escola nazista em plena Alemanha hitlerista, apesar de suas ligações negociais e políticas com o grupo de Lerner. Pegou uma parada com Cecílio Almeida que estava, bem no seu estilo, privatizando, com pretexto de paisagismo, uma área da praia de Guaratuba: com juízes contra, Aníbal Khury contra, o Candinho, aproveitando um descuido do outro lado, ganhou a parada na Justiça.
Nas vésperas da licitação de Segredo, que consolidaria a posição de Cecílio Rego Almeida como barrageiro, conversei com o empresário, criticando-o por dispersar-se nessa batalha com o jornalista. E resumi numa observação: Você tem quantos segundos para pensar no Candinho por dia? Pois ele tem mais de 24 horas!
É o nosso Inspetor Javert, aquele de Os Miseráveis de Victor Hugo. Só que não combate ladrões de pão e famélicos como Jean Valjean. Enfrentou dedação lernerista no SNI, processo em tribunais e ganhou o direito de dizer que o seu adversário principal é acobertador de falcatruas. Lerner, de seu lado, tenta mostrar fair play, dizendo que Candinho é desafeto de estimação.
No dia em que lançaram Lerner à Presidência em Recife, a capital pernambucana recebeu milhares de exemplares da revista. Na capa o governador e o título Mar de Lama. Subestimar o Candinho nada cândido é uma estupidez.
GENIALIDADE Publicitários, mesmo quando fazem as maiores asneiras, posam de gênios e muitas vezes ignoram o histórico do produto no resultado das vendas como se tudo adviesse das suas bolações. Esse anúncio da Embratel em que Ninguém e Alguém se revezam é irritante, mas tem um lado bom: o de lembrar que é preciso de Alguém no governo para acabar com a bagunça da telefonia e suas deformações com as quais Ninguém concorda.
BÓIA-FRIA Consta que um dos maiores comunicadores do Brasil, Joelmir Beting, é um ex-bóia-fria. Pois bem, aqui no Paraná, nós temos um jornalista que veio de Maringá para a capital, o Argemiro Garcia, que também tem esse referencial no seu currículo. Teve até um veículo nacional Meio de Comunicação, revista de propaganda e marketing. Agora, depois de tocar um semanário em São José dos Pinhais, resolveu fazer circular, de novo, o Meio de Comunicação que deve sair dia 20. Na imprensa regional, as dificuldades são tantas que não só ele, o Argemiro, como muitos de nós corremos o risco de virar bóia-fria.





