Quando está de bom humor, Jaime Lerner tem tão boas tiradas como as do seu xará Lechinski ou do dileto amigo Caio Soares. Fazendo uma analogia entre as suas aptidões e as de Rafael Greca para a polêmica, produziu uma jóia ao reconhecer sua fragilidade verbal e a lentidão de raciocínio: ‘‘Se vou para um debate com o Roberto Requião só dou a resposta no dia seguinte, já o Valdomiro replica na bucha, na hora e desequilibra ainda mais o senador’’.
Pois apesar da verdade que há nessa declaração contrita, Lerner esquece que é ruim de papo e tenta fazer o esgrimista contra o impulsivo senador Requião. E contribui muito para esse fermento a sua assessoria de imprensa que parece esquecer, quando se trata do senador, que a tréplica é sempre mais forte do que a declaração inicial.
Como em tiroteio desse nível não há lugar para sinais de contenção, os dois se saem mal e tendem a lembrar o paroxismo das trocas de ofensas entre os senadores ACM e Jader Barbalho. Requião pretende marcar Lerner – o que é típico do seu estilo – como vinculado, por ação ou omissão, ao narcotráfico. Lerner, de seu lado, tenta alargar o significado daquela história de compra de dólares de Dona Maristela, mulher de Requião. Tanto um quanto outro, que já não andam muito bem em termos de credibilidade, só tendem a se desgastar.
Mais uma vez se comprova que a autofagia, no caso paranaense, vai além de um cacoete para constituir-se num determinismo. Se ela tem o lado bom de fazer aflorar as verdades num ambiente passional, de romper as censuras, consegue, também, minar aquele mínimo fator de coerção social para traduzir-se como um elemento incontrolável de desagregação. Como ambos atacam as famílias nos transbordamentos assestados dá para perceber que inexiste mais espaço para a intervenção da turma do ‘‘deixa disso’’. A hora é mais apropriada para os incendiários do que para bombeiros.
Pelo tipo de liderança que temos merecemos a posição periférica que ocupamos em termos nacionais. E os limites não ficam na responsabilidade apenas desses dois personagens. Lamentável, como diria o deputado radialista Algaci Túlio.
BIZARRICE
Embora a Assembléia Legislativa já tenha se incendiado, pelo que faz como poder político há de correr menos riscos do que a promotoria. Afinal ali o processo legislativo se transforma em queima de arquivo, como se viu, de forma especial, na reversão da CPI Copel-Sercomtel-Banco FonteCindam

AXIOMA Babuínos brigam entre si usando as próprias fezes. Haveria sinal mais claro de que são ‘‘primos’’ do homem e, especialmente, dos políticos?
GLOSA O Ministério Público vai agora monitorar a Polícia. Tudo bem: e quem cuida dos excessos dos procuradores que afinal se insurgiram com a Medida Provisória que estabelece multa de R$ 150 para a litigância de má fé?
EPIGRAMA Curitiba pode ser um ‘‘barato’’, mas é a sexta capital mais cara do Brasil. A cesta básica saltou de R$ 103,81 para R$ 109,09.
SPRAY Para apimentar as férias, teremos desdobramentos da troca de acusações entre o governador Jaime Lerner e o senador Roberto Requião. - Requião, como sempre, vai extrapolar: só falta pedir ao governo norte-americano que o trate nas próximas idas a Noviorque como relacionado ao crime organizado, quando Lerner, na verdade, afastou todos os apontados pela CPI como envolvidos. - Lerner saiu da retranca e partiu para o ataque pela Rádio Capital em Cascavel e Requião veio com uma tréplica atingindo familiares do governador porque este se referira a história da operação de sua esposa com doleiros, investigada pela Polícia Federal. - Enquanto Lerner entra numa batalha sem fim, busca se acertar nas suas bases aliadas e anteontem, por interferência do prefeito Cassio Taniguchi, teve encontro com o ex-secretário Giovani Gionédis e houve intensa lavagem de roupa suja, o que é bom para todos pelo simples fato de, ao menos, servir de descompressão. - Gionédis, irritado com afirmações de Rafael Greca, disse que estaria disposto a doar ao secretário de Comunicação Social todos os bens que estiverem em seu nome no exterior. - Lerner vai, dentro de alguns dias, outra vez para os Esteites, agora para ver a estréia do balé de sua filha em Noviorque. - A companhia de coreografia Lerner & Chamecki já tem espaço assegurado na temporada do Guairão, este ano. Convenhamos que isso não é tão grave como tenta sugerir o moralismo tropical, mas dá assunto. - Sobre a montagem do balé nos Esteites, Requião vai fazer outro estrago com insinuações de que grupos empresariais que gravitam em torno do governo estadual o patrocinariam. - A Polícia Civil, ainda mais depois da passagem por aqui da CPI das Drogas, não está com muita moral para reagir, como fazia anteriormente, a cada vez que o Ministério Público tentava alargar os seus espaços nos inquéritos. - Apesar de toda a onda em cima de desmanches e similares, o roubo de automóveis não teve uma baixa estatística relevante que indicasse reversão do processo. - Outra coisa: no caso da viúva do advogado Crovador, Dona Vera, apontada como autora do crime, ela chegou a ser inquirida numa delegacia pelo empresário Paulo Mandelli, ligado aos desmanches e não se conhece providências correcionais. - O Ministério Público não tem quadros suficientes para dar vazão ao acúmulo de processos do Banestado, o que, desde logo, é uma forma de dar moratória ao seu andamento. Só para lembrar: das 25 notícias-crime da Leasing apenas três tramitam até agora em varas criminais.
FOLCLORE Primeiro as férias coletivas do funcionalismo estadual. Depois a redução da carga horária. Nesse ritmo, quando falarem em cadastrar, outra vez, os barnabés, a paranóia vai levar os funcionários à debandada, entendendo que há uma ordem para ‘‘castrar’’ todo mundo. Num cenário desses pedir aumento ou fazer greve é cada vez mais difícil. A castração figurada já existe.
CROMO À descida do ônibus a surpreza: um ipê amarelo, desajustado sazonal, sinaliza com ouro o tempo temperamental.
AFORÍSTICO Conexão Londrina-Maringá, nos desvios prefeiturais, vai mostrar que políticos antagônicos se acertam em alianças convenientes e coniventes.

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