Luiz Geraldo Mazza
A procura de alternativas ao modelo dominante, como fato e ideologia, é uma exigência de toda a humanidade e não apenas dos que desfraldam bandeiras críticas em relação ao neoliberalismo. Quando tivemos o primeiro governo de oposição, o de Richa, houve, como desdobramento natural daquele momento, a busca de alternativas: à economia de escala se propunha um valor da época, o seu anverso explícito no pequeno é belo, à tecnologia de ponta e de alto custo se propunha a sua opção apropriada.
E não era um seminário acadêmico, mas de cada formulação teórica havia a proposta concreta como a pavimentação subdimensionada (que já vinha de Canet Júnior) ou a de pedras irregulares que tinha a peculiaridade de agregar mais mão-de-obra, alternativas para casas populares e materiais da construção civil e o retorno da tração animal em certas regiões como também a intensificação dos métodos biológicos como o da adubação verde e combate às pragas na agricultura.
Figuras fortes dessa época: Belmiro Valverde, que dava a fundamentação teórica e, ainda por cima, levava a sua aplicação ao Projeto Pram, usado como modelo pelo Banco Mundial, para desenvolvimento municipal e como instância de democratização do poder, com debates e a própria comunidade indicando quais seriam as prioridades, e Claus Germer, na Agricultura, mantendo uma guerra de coragem e determinação contra os abusos dos agrotóxicos, interditando cargas dos venenos agrícolas nas estradas. É um exemplo isolado, mas relevante, de um esforço que poderia ser retomado como uma das opções, entre tantas, à verdade revelada do capitalismo que, em nosso caso, por ser tardio, é selvagem.
Outro destaque foi o secretário Nelton Friedrich, que comandou uma batalha para mexer na padronagem Copel e poder com isso deflagrar o programa de eletrificação rural e estimular a Sanepar ao uso também de tecnologias de traço alternativo, a rigor para fugir da camisa de força do Planasa e de formas de centralização.
Hoje há mais riqueza de situações para o debate que se trava em Porto Alegre porque o sufoco da globalização chegou ao paroxismo e já mostrou a sua marca mais forte, a da exclusão, que se intensificará à medida em que os fatores de natureza econômica se impuzerem aos de ordem social com toda a carga de desumanização.
É preciso globalizar a resistência, como Marx tentou diante de fenômenos bem semelhantes, ao seu tempo, e na escala devida, no Manifesto Comunista, que elaborou com Engels, antevendo a ordem que se mundializava.
Para muitos pragmáticos, tudo isso aparenta um quixotismo. Para os que buscam uma sociedade mais harmônica, ideal permanente, vale a pena. Afinal, todos os valores que sustentam o sistema dominante ficam sob uma checagem que não se limita apenas a questões éticas e humanitárias como a velha situação experimentada pela marginalização de dois terços da humanidade.
BIZARRICE
Uma das exigências dos estudantes que ficaram nus por causa da alta da tarifa de ônibus em Curitiba é a de maior clareza na planilha. Isso jamais aconteceu e jamais ocorrerá: como o Conde Drácula, os segredos de Estado seja a tarifa, a privatização ou protocolos das montadoras não suportam a luz
AXIOMA Uma coisa o encontro de Porto Alegre jamais poderá conter: a compulsão das massas pelo consumo, espécie de cláusula pétrea do sistema. Dá para combater pelas bordas, como se come o mingau, bloqueando alguns produtos como os que agridem a camada de ozônio, o lixo eterno do plástico, os derivados da hulha e conservantes, tidos como cancerígenos.
GLOSA Estatizar praias no Paraná constitui uma impossibilidade, pois são privadas, em alguns casos no sentido mais direto do termo.
EPIGRAMA Nesse caso do scrapie se vê outro lado perverso da dominação: um produto nosso para entrar no exterior é precedido de exames laboratoriais e nada disso existe quando do ingresso de animais do Primeiro Mundo.
PNEUS O empresário paranaense Francisco Simeão, o Chico Rico, vai sofrer um prejuízo enorme com a decisão do STJ de encaminhar ao Ministério Público Federal o pedido da União para proibir a importação de pneus usados.
Outra de pneu: o Banestado fez uma transação com o Grupo Jabur na base do escambo, isso é em lugar de dinheiro a troca por mercadoria. Persiste até hoje e é o tipo de situação em que não há rolagem e sim rodagem.
SPRAY Enquanto o governo estadual luta, mês a mês, para fechar a folha de pagamento, ainda mais agora que os R$ 48 milhões dos royalties de Itaipu não entram no Tesouro, a Prefeitura de Campo Mourão antecipa em dois dias o pagamento dos seus servidores. - Além de reajustar seus funcionários, o que poucos estão fazendo, o prefeito Tauillo Tezelli, reeleito, esforça-se para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). - Aqui o governo nunca atrasou, mas tem sido um drama administrar o caixa. Agora, depois das férias coletivas, vai criar, em busca de economia, o turno único. Quem tiver dois empregos e que só trabalhava pela manhã pode dançar. - Aos poucos vão surgindo depoimentos contra a privatização do patrimônio público, Copel, Sanepar. Ontem na reunião do Pró-Paraná quem se manifestou nessa direção foi o deputado Ribas Carli em palestra sobre o Mercosul no Legislativo. - Universidade do Esporte está sendo cooptada pela FPF para um convênio sobre arbitragens. Como Onaireves Moura é da base política do sistema, isso pode acontecer. Todavia é preciso reflexão, embora para um governo que faz os Jogos da Safadeza tudo seja possível.
FOLCLORE Sai século, entra século, e Jaime Lerner continua viajando. É possível que a licença seja dada pela oposição na presidência do Legislativo, o que também não impressiona. Entra século, sai século e isso acontece.
CROMO O balê da paina no espaço ninguém filmou em todos os desdobramentos.
AFORÍSTICO A única virgem da novela é a Bete Davis contemporânea: talvez a Globo sugira que com o primeiro ato sexual se liberte da maldade.





