Quando ficou estabelecida uma relativa convergência de participações de pessoas e grupos nos desvios havidos em Maringá não foram poucos os que viram ali uma pista possível do ‘‘acordo branco’’ entre Lerner e Álvaro Dias. Nos regimes de ‘‘caixa preta’’ a presunção é a arma possível para tentar apurar as coisas não muito ortodoxas. A articulação entre o ex-secretário da Fazenda daquela cidade, Luis Antônio Paolicchi, e o doleiro londrinense Youssef, este liberado há pouco da prisão, dá margem a que as especulações floresçam com máxima intensidade.
Muita coisa foi dita, abrangendo mais de uma frente partidária, sobre pecados da última campanha eleitoral de Curitiba e murmúrios insistentes indicaram até a ocorrência de desvios. Como a contabilidade formal, aquela que é levada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), está longe de indicar números próximos da realidade, tal a gastança praticada, apenas uma devassa em profundidade, o que dificilmente ocorrerá, é que tornaria possível ao menos uma aproximação.
Se a mais recente eleição de Lerner desperta essa ordem de suspeitas, há muito a esclarecer relativamente à primeira quando venceu Álvaro Dias. Um processo cheio de incidentes sobre o jornal ‘‘Correio de Notícias’’, que operava como volante da campanha, até hoje tramita em várias dependências judiciais, na cível, na trabalhista e na criminal, já que os procedimentos na justiça eleitoral chegaram ao ponto de esgotamento.
Todo o grupo de apoio logístico da campanha participou do processo, embora o empresário Mario Celso Petraglia tivesse restrições aos acertos com o jornal que em 85 parecera, no juízo de Lerner, fator decisivo para sua derrota diante de Requião. Na verdade, o maior interessado era Lerner, e que acabou envolvendo também Cassio Taniguchi nas negociações. Até o então secretário do cartel dos transportes urbanos, João Simões, participou das tratativas como antigo sócio do jornal.
Na hora de apurar responsabilidades acionárias, os políticos obviamente tiraram o corpo, mas assim mesmo enfrentam constrangimentos com sucessivas convocações para dar testemunho sobre os acontecimentos.
Da mesma forma que não existem provas documentais do tal ‘‘acordo branco’’ entre Lerner e Álvaro, no qual este deu o troco a Requião por haver se omitido no pleito anterior quando tinha a obrigação de apoiar seu atual colega de Senado, os incidentes relativos ao ‘‘Correio de Notícias’’, que devem gerar prejuízos patrimoniais aos que assumiram não apenas a sucessão dos negócios, mas também os ex-diretores por ações e omissões anteriores, revelam que a cautela na hora de levantar recursos de campanha eleitoral não é o forte dos coordenadores.
A ação temerária decorre das deficiências de legislação e fiscalização e é o que mais se nota igualmente nos episódios de Londrina e de Maringá, mesmo aqueles relativos à aplicação do dinheiro ganho com a venda de 45% do Sercomtel para a Copel, a próxima a leiloar.
BIZARRICE
Se os físicos já conseguiram controlar a velocidade da luz, é possível que o nosso governador consiga falar em breve sem gaguejar
AXIOMA Da mesma forma, um dos nossos senadores poderá finalmente pensar antes de falar, o que hoje não ocorre.
GLOSA Com o resultado do exame na água de Curitiba, fica demonstrado que o Max (Rosenmann) maximizou o trialometano na rede da Sanepar. Se desse para fazer o mesmo com votos ele seria facilmente o prefeito da capital.
EPIGRAMA Uma das mistificações de nossa época é a tal da terceirização. Todas as empresas modelares que a adotaram – como a Copel e a Sanepar – tiveram que rever essa concessão. Na telefonia é pior. Está mais perto da felonia do que da fonia.
SPRAY Apesar de haver um compromisso formal, a Sanepar dificilmente será privatizada e por uma razão singela: se Curitiba (27% do total) romper o convênio dança tudo, o mesmo se dando com Londrina e Maringá que já cogitaram de municipalizar o sistema outra vez. - Outra dificuldade reside no fato de a Sanepar adotar o ‘‘subsídio cruzado’’, que permite o funcionamento de serviços em áreas de baixo retorno por imposição de fatores sociais. - Para capitalista, falou em ‘‘social’’, pronto: ele pula, acha que é demagogia, assistencialismo e vai por aí a fora com a costumeira arrogância e insensibilidade. - Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a qualidade da água de Curitiba, apesar da carga de produtos químicos para potabilizá-la, melhorou consideravelmente de 1999 para cá. - O ‘‘corte’’ do Rio Palmital, que respondia por taxas elevadas de poluição, mais o aumento da coleta e tratamento de esgotos, teriam sido os fatores primordiais. - Todos os governos anteriores tiveram responsabilidade, tanto quanto o atual, na invasão das áreas de preservação permanente. Desde Canet, que deu a estação de tratamento de esgoto mais a represa do Caiguava em Piraquara, loteamentos e ocupações se deram indistintamente. - Se o Sindimoc, o sindicato dos motoristas e cobradores, discordar da reserva de ‘‘reajuste’’ para o contrato coletivo de trabalho teremos novamente a demagogia daquelas assembléias (minoritárias) em praça pública e a tentativa de aumentos que implicariam novas tarifas.
FOLCLORE O povo ouve falar em ocupação de áreas dos mananciais e olha agora a construção de um condomínio de altíssimo nível, o Alphaville, ali perto de um dos maiores núcleos favelados, Zumbi dos Palmares, e o chama de ‘‘Alfavela’’, como se fosse continuidade daquela invasão.
CROMO O rio faz ‘‘chuᒒ. O pássaro, pelo que emite é tuque, bem-te-vi e quero-quero. E como chamar esse sopro que mando ao vento para chegar a teu ouvido?
AFORÍSTICO Quem vem aí é Inocêncio de Oliveira, o homem que lançou Lerner à Presidência. Aqui a maioria está com o Aécio Neves e se o governo é fraco para dobrar auxiliares dá para imaginar como negociará com deputados federais.

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