Luiz Geraldo Mazza
Diante das declarações de dois aliados não formais, José Richa e Euclides Scalco, contra a maneira como se pretende leiloar a Copel, o governador Jaime Lerner não teve outra alternativa que não a de ir ao Bom Dia, Paraná, da Rede Globo, e mais a emissoras de rádio, dentre elas a CBN-Curitiba, para expor o seu ponto de vista de que esse assunto já foi decidido, é lei e não há mesmo saída para a estatal de energia que não seja a de funcionar como reguladora do caixa estourado dessa gestão marcada pela prodigalidade e irresponsabilidade.
Persiste em função dessa mobilização ora do governante, ora do seu confuso secretário da Fazenda (contestou a própria mensagem de Lerner sobre a dívida paranaense no texto da Lei de Meios) e que acumula a presidência da Copel, o temor de que haja todas as condições para que se repita um leilão desastrado como o do Banestado.
Lerner e sua equipe cultuam, como poucos, a caixa preta em seus hábitos de rotina. Dá a impressão, às vezes, pela repetição, que se trata de algum trauma de infância quando foram impedidos de brincar de esconde-esconde e fazem agora na idade adulta como um ato de revanche à repressão. Mas o temor ao debate, solicitado com a mais clara honestidade por José Richa, é marca de um certo alinhamento fascista, aliás constantemente demonstrado nas menores solicitações dessa anêmica oposição legislativa.
O governador, no mesmo estilo autoritário dos seus antecessores como Alvaro Dias e Roberto Requião, que preferiam o monólogo da ida à TV e ao rádio ou às emissões de releases aos jornais do que o debate, negou de forma clara a solicitação de transparência no processo feita, mais de uma vez, pela Associação Comercial do Paraná (ACP).
Lerner nunca teve entre os seus defeitos o do autoritarismo e da revanche, mas no empenho em levar a compulsão leiloeira ao paroxismo tende a perder-se em meio ao caos que ele próprio arquitetou. Sua credibilidade, como já fora visto nas eleições municipais, especialmente a de Curitiba, ruma ao zeramento.BIZARRICE
Um governo que quer vender a Copel precisa tomar um choque elétrico. Senador Requião, falando ex-cátedra
AXIOMA O governo considerou o dia de ontem o da industrialização do interior do Paraná. Antonina e Amaporã agradecem.
GLOSA Só fala em gulag soviético, regime de terror, quem não conhece a realidade do íntimo da administração estadual. O Ipardes tem pesquisas que não pode dar à divulgação porque seus indicadores contrastam com a propaganda virtual. Num regime desses quem se valoriza é o patrulheiro. Só não patrulham o governo, que deveria ser uma imposição cívica, geral.
EPIGRAMA O site primeiraleitura.zip.net dá à dupla Jereissati-Lerner 33,96% contra 18,86% para Lula-Ciro Gomes. Mesmo em peteca ou em tênis ou ainda em vôlei de praia a segunda dupla seria impossível: Ciro não se aparta de Tasso Jereissati nem a canhonaço. A Internet caminha para um aterro sanitário, tantas são as frivolidades que divulga.
SPRAY O PMDB se queixa de que os senadores Álvaro e Osmar Dias combatem Lerner em Brasília, mas seus deputados estaduais apóiam o Palácio Iguaçu. - Nem o PMDB e muito menos o PSDB regionais têm moral para falar em fidelidade: ambos se acham no direito de discordar das respectivas direções nacionais e o fazem com a maior desenvoltura como se fossem missionários da verdade. - A desagregação é que torna impossível a existência de partidos verdadeiramente nacionais. - De qualquer forma, Requião diz que é candidato, que está bem nas pesquisas, embora seu frágil desempenho (como também o de Álvaro) nas eleições municipais. E já anunciou sua bandeira de campanha: a luta contra a privatização da Copel. Ponto para o governo, pois a partidarização do tema é um desastre, como se viu no caso do Banestado. - A sociedade deveria fazer movimento apartidário, com sentido mais doutrinal e técnico, à margem das escaramuças gremiais que tentam apenas desgastar o governo, ampliar o número de batalhas e perder a guerra. - Declarações do ex- governador José Richa e do presidente da Itaipu, Euclides Scalco, por não serem partidárias, ganham uma expressão que jamais teriam em cruzadas locais de PMDB, PSDB ou PT. - Indispensável ouvir os quadros da Copel, especialmente seus grandes nomes como Nelson Souza Pinto e Francisco Gomide e outros dentre os seus aposentados, ex-presidentes, ex-governadores; Instituto de Engenharia do Paraná, CREA, Associação Comercial do Paraná, Federação das Indústrias, Federação da Agricultura. Tudo pelo debate que Lerner não quer. - Não há lei que impeça, por exemplo, a Associação Comercial do Paraná de manter sob exame permanente o assunto. - A ida do governador ontem à TV e ao rádio mostra que deseja as coisas assim no monólogo, nunca no contraste de idéias, a não ser as involuntárias como as mancadas do Ingo Hubert sobre a dívida e o bater de cabeças em torno de um compromisso já acertado com o Banco Central na renegociação da dívida: a privatização da Sanepar. - Aliás, pela qualidade da água, segundo o conceito do deputado federal Max Rosemann, a nossa já parece, como nunca, privada. - Ao contrário do que pregava a oposição em Curitiba na campanha eleitoral, que anunciava reajuste da tarifa de ônibus, logo depois do pleito, para R$ 1,30, Cassio Taniguchi a fixou em R$ 1,10.
FOLCLORE Vigilância Sanitária começa a analisar a água da Sanepar: o mais difícil será isolar a água dos compostos químicos.
CROMO O corvo de Alan Poe com seu nunca mais espanta, a um só tempo, os políticos e amantes por pensarem que aquela é a última vez.
AFORÍSTICO Nos motéis mudou a moral: a turma se liga mais nas novelas da Globo (Laços de família, Uga Uga, Os Maias) do que com os pornôs mais barra pesada.





