Luiz Geraldo Mazza
Um governador paranaense pode até botar muita banca, mas dificilmente irá controlar a bancada federal. Com Lerner ficou visível que isso nunca ocorreu, como também não se dava com os seus antecessores, a despeito dos discursivos esforços de unidade, quase sempre com o molho enjoativo do paranismo.
Pois agora estão anunciando a vinda do deputado federal Inocêncio de Oliveira (PFL), aquele que lançou Lerner a presidente em Recife, para o proselitismo em torno de sua candidatura à presidência da Câmara. A maioria da bancada está com Aécio Neves (PSDB). Apenas os pefelistas, pelo menos até o momento, fecham com Inocêncio.
Essa dificuldade em ter um mínimo de controle ou até mesmo de abertura para o diálogo com a bancada paranaense é reveladora da pobreza logística do sistema regional. Se não está lá essas coisas na Câmara, nada tem no Senado. Isso não inviabiliza Lerner como candidato nacional, mas não deixa de dificultar como já se dá na rotina das ações regionais, nas quais tem ficado visível uma espécie de razoável distanciamento.
Facilidade mesmo e isso se deu, também, com os antecessores do governador só no Legislativo estadual, cronicamente cúmplice da ordem, seja quem for o mandante de plantão, um Leon Peres, um Requião ou um Lerner.
Se coubesse ao governador Jaime Lerner, como retribuição da maxi-gentileza, fazer algum esforço para obter votos para Inocêncio de Oliveira, iria encontrar as dificuldades de sempre, mesmo para tarefas menos delicadas.
AXIOMA
O governo distribuiu 15 mil kits para reforma de carteiras escolares. Em passado recente houve a partilha de kits de material escolar que era tão pobre que ganhou o apelido de kit pariu
BIZARRICE Antes o racha dos vereadores curitibanos incluía, segundo as denúncias de Requião, privilégios com o cartel de transportes. Hoje tudo é acertado em verbas orçamentárias: carros, assessores e agora um jeton que dobra o ganho do pessoal. Depois de tudo isso, ainda alguns delirantes acreditam ser possível a existência de um Legislativo crítico.
GLOSA Para fugir à custódia do Ministério Público, que o processava, o vereador Aparecido Custódio da Silva resolveu assumir a cadeira de deputado e, assim, obter imunidade. É uma gloriosa farsa a mais: quantos deputados e vereadores metem a mão no dinheiro dos assessores em até 70%, obrigando-os a assinar recibos pelo total? Atingido é o Aparecido, o resto é desaparecido.
EPIGRAMA Os homens de marketing do Palácio Iguaçu estão certos ao mostrarem coisas boas de Curitiba e do Paraná na novela Laços de Família. Afinal, isso é bem melhor do que falar na quebra financeira, nos surtos de meningite viral, de hepatite tipo A e de hantavirose e agora, cúmulo dos cúmulos, a possibilidade de encararmos até a vaca louca. É um itinerário complicado este que vai da saúde de vaca premiada à vaca louca. É a fronteira tênue que existe entre o mundo virtual e o real.
SPRAY Se a alegada austeridade, usada no veto à Lei de Incentivo à Cultura, fosse uma realidade neste governo, não teríamos, para começo de conversa, 29 secretários e com eles toda a malha improdutiva de aspones gerenciais. - Dá para imaginar os custos dessa farândola inútil e pomposa, considerando-se que cada um desses secretários conta com toda a hierarquia da moda com diretores-gerais, chefes de gabinete, assessorias técnicas e toda a sacanagem adiposa que é indispensável. - Há secretarias que não deveriam passar de simples ramo de algum organismo superior e que com sua autonomia inútil apenas servem para atender problemas de cupinchismo e raramente de ordem política e funcional. - O fato de Cassio Taniguchi haver rompido o convênio que mantinha com aquela cooperativa de trabalhadores (denunciado na campanha eleitoral) não o exime das responsabilidades, ainda mais depois que o Ministério Público ajuizou denúncia-crime no TJ, acusando-o e à sua equipe de movimentar R$ 3,1 milhões sem licitação. - Radicalismos à parte, se o governo, estadual ou municipal, pretender dar solução emergencial ao desemprego não poderá jamais se submeter aos rituais formalísticos porque só eles, em si, tornam o ato antieconômico. - O deputado Max Rosenmann levantou ontem, nesta Folha, uma questão séria, ainda que pontual: a Usina Capivari-Cachoeira, que só é empregada nos horários de pico, é uma reserva importante de suprimento de água para a Grande Curitiba. Se houver a privatização, teremos que pagar por isso e, mais ainda, pela passagem da tubulação se até lá a BR- 116 for privatizada com o ônus do pedágio como já se deu com a fibra ótica e o gás. - Universidade Federal ainda vai dar um vexame igual ao da Tuiuti com essa história de dar como aprovados cinco vestibas não aprovados. - Vivemos a badalar o peso da indústria moderna na economia paranaense, mas nas exportações as coisas não ficam muito claras, já que o grupo soja (farelo, grão, óleo, outros) representa 36,69% do total de dólares obtidos. O setor transporte dá apenas 15,82%. Devagar com o andor que o santo é de barro e não de metal.
FOLCLORE O Macaco Simão, da Folha de S.Paulo, transforma seus saques em acontecimentos que ganham oralidade como anedota. Um deles é o do conselho do jornalista Pimenta Neves, assassino da também jornalista Sandra Gomide, ao juiz Lalau na prisão comum: Você me ensina a fazer renda e eu te ensino a namorar!
CROMO Em toda lua cheia avermelhada um merchandising da Coca-Cola.
AFORÍSTICO O Vasco usando a logomarca da SBT é uma forma possível de combater o poder hegemônico da Globo. E quem o faz com Eurico Miranda?





