A oposição promete endurecer contra o prefeito Cassio Taniguchi, de Curitiba, conforme discurso do vereador Paulo Salamuni, feito solenemente na posse. Como vimos ontem, no andamento da eleição da Mesa Executiva, todo mundo está procurando, de qualquer forma, valorizar seus cacifes e não apenas a oposição. Pior, muito pior, do que a oposição, frágil e limitada, é o conflito interno, especialmente aquele decorrente de vaidades feridas, das forças do sistema e que levaram Jaime Lerner a não comparecer à posse de Cassio. Aliás, para os desligados do cenário de puxa-saquismo do Palácio Iguaçu, Lerner foi um trambolho para Cassio e tanto que é apontado, por muitos, como o responsável por ter levado a disputa ao segundo turno com suas aparições no horário eleitoral.
A reeleição de João Cláudio Derosso para a presidência é a prova de que a mecânica de traço corporativo, que marca a Câmara Municipal, não sofrerá alteração substancial porque a partilha de veículos (os mesmos terceirizados que a oposição só denuncia na campanha eleitoral porque deles desfruta de forma a mais descarada, à exceção de Tadeu Veneri, o derradeiro moicano) e de mordomias como a nomeação desintérica de assessores tudo amarra. É claro que não chega a ter o caráter escandaloso do Legislativo estadual em que é maior o número de veículos postos à disposição dos deputados, isso sem falar na dezena de assessores, uma legião de aspones que desmonta o juramento de austeridade feito de forma hipócrita pelos dirigentes da Casa. É por isso que se torna fácil reverter uma CPI como a do escândalo Copel-Sercomtel-Banco FonteCindam.
É o caso de perguntar se você, leitor, acredita que a oposição vai ser crítica em relação ao governo de Curitiba. Há um lugar em que a oposição vai ter que ser de combate ao prefeito: a de Maringá, onde a maioria dos vereadores é vinculada ao ex-prefeito Jairo Gianoto, ligado ao mesmo tempo a Alvaro Dias e Jaime Lerner, quem sabe até um dos que abençoaram o ‘‘acordo branco’’. Já demonstrou, aliás, essa disposição ao eleger toda a mesa diretiva da Câmara Municipal. Faltou, pelo jeito, maior pressão da comunidade que, no caso de Londrina, acuou a maioria que se engajava com Belinati e lhe aplicou o cartão vermelho.
O vereador Salamuni suscitou que pediria a instalação de uma CPI para investigar a contratação da cooperativa de trabalhadores, assunto importante, mas bem menos relevante do que o da terceirização dos automóveis. Essas ações serão neutralizadas a não ser que se consiga um mínimo de mobilização da comunidade para repetir aqui o modelo de Londrina.
Você acredita que OAB, Maçonaria, Igreja, clubes de serviço, entidades liberais, como o Instituto de Engenharia e o CREA, entrariam nessa? Se acredita, parabéns por sua credulidade, premiada com a visita de Papai Noel.
BIZARRICE
Eurico Miranda, no meio do campo do Vasco, mandando remover feridos para que o jogo prosseguisse, é o retrato do político brasileiro: autoritário, acima do bem e do mal, não temente à punição, como tantos outros. O povo curte esse tipo de personagem e nós os temos aqui no Paraná às pencas. Pelo menos dois são candidatos à sucessão de Lerner
AXIOMA Nas praias do Paraná falta água e sobra poluição. Quanto mais gente, maior a sensação de cloaca máxima. Nossos balneários nada têm de ecológicos e muito de escatológicos.
GLOSA Bastou a oposição municipal em Curitiba ameaçar endurecer (no que aliás poucos acreditam) e foi o suficiente para que não ocupasse nenhum dos postos da Mesa Executiva da Câmara.
EPIGRAMA Com as estradas construídas, as BRs 376 e 101, o ministro Eliseu Padilha, dos Transportes, corre o risco de virar senador catarinense. O túnel na altura de Itapema é bem o retrato do nível da engenharia. Padilha comprou apartamento no Edifício Porto Seguro em Florianópolis. Fala-se que teria mudado o domicílio eleitoral.
SPRAY O fato de a oposição em Curitiba ter apresentado ‘‘chapa pura’’ para o confronto com a situacionista pode ser olhada como uma sinalização de mudança de postura, agora mais agressiva. - Todavia, não passou de jogada quixotesca no sentido mais negativo e caricato. - Só endurecerá mesmo, se denunciar mordomias e recusá-las sinceramente. Aí criará um problema verdadeiro na medida em que denunciar a partilha, como certa feita o Marcelo Almeida fez sozinho e acabou unindo a Câmara, situação e oposição, contra ele, quixotesco no bom sentido. - A prisão do sócio de Fernandinho Beira-Mar, Jaime Amato Filho, que operava no Paraguai e tinha feito escala em Curitiba, pode trazer novos clareamentos sobre a conexão do narcotráfico no Paraná com as gangues e policiais envolvidos. - Pode representar mais substância ao que foi colhido pela CPI do Narcotráfico e aprofundar responsabilidades até agora não bem fixadas de gente da terra. - Por sinal que o senador Roberto Requião, durante a posse de Edgar Bueno na Prefeitura de Cascavel, voltou a atacar Lerner ao apontá-lo como vinculado, por ação ou omissão, ao narcotráfico. Disse, aí com razão, que o ataque à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) confirma que os que reúnem provas contra o crime organizado estão desprotegidos. - Para provar o clima de pasmaceira da área de segurança, basta lembrar daquele grupo de extermínio de 20 encapuzados que matou um preso que se encontrava na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e até hoje nada foi esclarecido, o que prova que o terror interno e a ação dos mais audaciosos subjuga o sistema.
FOLCLORE Fala-se muito nessa época de posse de prefeitos de heranças malditas e até de fuga e roubo de equipamentos por parte dos antecessores. Pois a 98 km de Curitiba, em Campo do Tenente, o novo prefeito, Adalberto Bicudo Quevedo, adotou como seu primeiro ato a decisão de desfazer-se do carro oficial do uso exclusivo do Executivo e trocá-lo por um trator para atender os lavradores do interior do município. Mais uma dessas e o município muda de nome para Campo do Major e assim por diante.
CROMO ‘‘A chama arde na candeia// E, na ânsia de ser luz,// A si própria se incendeia’’. Um verso do livro ‘‘Rosa da Tarde’’ do médico poeta Mário Farah Rafka, recém lançado.
AFORÍSTICO Em Guaratuba o povo faz ‘‘vaquinha’’ para obter gasolina e peças de reposição nas viaturas policiais.

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