Luiz Geraldo Mazza
Eliezer Baptista, consolidador da Vale do Rio Doce, uma das maiores autoridades internacionais no campo siderúrgico, estudou em Curitiba no fim dos anos 40. Ele ficava na esquina da Travessa Oliveira Belo com a Rua XV usando gravata borboleta e um cravo na lapela em tom provocador. Era o Bóris Bacana e que se dizia nobre russo. Em sua homenagem criaram o Clube dos Bacanas que só tinha oito sócios, dentre eles o engenheiro Ivo Arzua, ex-prefeito de Curitiba, e contemporâneo dessa turma. Em encontro recente dos sobreviventes, aceitaram como sócio o arquiteto Elgson Gomes, que se formou um pouco antes desse pessoal.
Numa dessas manhãs dominicais de bebericação, o Carlos Alberto Pessoa, um dos que melhor escrevem neste Paraná, admirador incondicional do Eliezer, o gênio da engenharia siderúrgica, fazia perguntas compulsivas, nervosas, sobre a passagem do homem, como estudante universitário, aqui no Paraná, tempo em que Curitiba era efetivamente uma Cidade Universitária.
Dele há muito folclore como o de que teria feito uma conferência em russo em Ponta Grossa ou as suas habilidades em transformar rodas de vagão em halteres.
FOLCLORE
O cidadão viu a manchete do jornal anunciando que o governo entra em férias de hoje até o dia 12 e se espantou: Mas como, ele já não estava?
BIZARRICE Por falar em Ivo Arzua, ele sustenta, desde o ano passado, e até escreveu um livro a respeito, que o terceiro milênio não começou agora e, sim, justamente com a passagem de 1999 para 2000. Na argumentação ele fala daquelas civilizações que desconheciam a existência do zero. Pois com o final do governo, que aí está, saberemos na carne o que é um zero para valer.
AXIOMA O espetáculo de balé que Andréa, filha mais nova do governador Lerner, montou em Nova York no Joyce Theater, a ser encenado dia 12, tem o nome de Pobre Realidade. Nada a ver, nem de longe, com o cenário paranaense.
A mãe, Dona Fani, pediu que o resultado de uma ação de indenização contra o jornal Gazeta do Paraná de Cascavel (cerca de R$ 30 mil) fosse partilhado entre as filhas e não destinado, como constava do processo presidido pelo juiz Paulo Hapner, para cinco Apaes do Oeste. Esse fato a própria secretária da Criança e Assuntos da Família me comunicou quando publiquei as notícias de um pedido de nova destinação dos recursos de Jaime Lerner através do advogado Alcides Pereira, sogro do ex-secretário Giovani Gionédis.
GLOSA O jornalista Hudson José deixou o posto de porta-voz do governo. Convidado para substituí-lo, o apresentador de TV Carlos Marassi recusou. Pra que porta-voz se o secretário de Comunicação Social, Rafael Greca, pode acumular, até por estilo, a função? Desde, é claro, que pare de corrigir o governador ou tentar melhorar o seu discurso em público, ainda que com a melhor das intenções, como sempre.
EPIGRAMA Teve gente do governo que se irritou especialmente com o título de um edital da Copel que informou o pagamento de diferenças à DM Construtora na construção da usina de Salto Caxias. Título: Acerto de contas. Olha isso aí é transparência pra ninguém botar defeito. A verdade não pode irritar.
SPRAY E o ano vai começar agitado no caso Copel com desdobramentos que podem implicar, no entendimento de alguns, em nulidades abrangentes em todo processo de privatização do Banestado. Se isso acontecer, Renato Aragão pode ir ao psicanalista outra vez. Trapalhada da terra ninguém supera. - O relatório que circula sobre a Copel e que já chegou na mão dos senadores é ilustrativo. Pena que a parte relativa a balanço energético, sociedades, refira-se ainda a 99. - Participações: 51% na Compagás, 45% no Sercomtel (aquele celebrado episódio ainda por averiguar), 45% na Tradener, 30% na Esco, 20% na Lactec/Cehpar e 5,3% na Sanepar. - Em 99, a Copel tinha 4.306 consumidores residenciais (2,9% acima de 98), 2.384 comerciais (5,1% a mais), 6.238 industriais (5,2% a mais) e outros 2.683. São 15.611 clientes até 99 (4% a mais do que em 98). - O maior faturamento é o residencial, embora inferior ao industrial em 12%, com 40% do total. Depois seguem o industrial com 28% e o comercial com 19%. - Pretende-se atualizar esses dados para tentar, logo no início deste ano, a mobilização final para a defesa do maior ativo público. - A hipótese de Alvaro Dias apresentar, mesmo com risco de derrota, a proposta de submeter as vendas de estatais a plebiscito, é um dos fatores que entusiasmam os que pretendem defender a Copel e o patrimônio público, criando um fato político da maior grandeza para conter a cupidez oficial. - Guaratuba agradece a atuação do capitão Ronaldo, de Umuarama, que chefia o destacamento local: sua operação preventiva (a de pegar motoristas, examinar se tinham ou não equipamento de som e em caso afirmativo adverti-los do enquadramento se botassem pra quebrar depois das 22 horas) foi bem recebida. - Urge chamar a atenção dos políticos da região que promovem no Carnaval a apresentação da tal banda de Guaratuba, outra forma de vandalismo sonoro. - Só uma razão explica o que aconteceu na sexta-feira passada com o atentado havido na Promotoria de Investigações Criminais (PIC): a generalizada falta de autoridade do governo. - Férias coletivas estão sendo olhadas por alguns dirigentes sindicais do serviço público estadual como um teste para dimensionar a hipótese, cogitada anteriormente, de demissão em massa, apoiada é claro em estímulo à saída voluntária. Doutor Silvana está vivíssimo da silva, como se vê.
CROMO Cercado de Fernandas por todo o lado: a apresentadora da Globo, a Rocha, a doce adolescente Nanda da portaria, a minha neta Fernanda que foi daqui a São Paulo para ver os seus ídolos, os Hamsons, e agora uma outra, com o tom louro renascentista, aqui do jornal, e que vai escrever sobre automóveis. De Fernanda em Fernanda a nossa vida vira uma banda.
AFORÍSTICO Nunca foi tão apropriado lembrar daquele bordão do esquete da TV: Vai pra casa, Padilha!





