Luiz Geraldo Mazza
O que se caracterizou como um incêndio em instalações do Ministério Público, em Curitiba, pode ter sido e tem todas as condições para isso operação de bombeiro para salvar muitos dos figurões envolvidos nos assaltos ao Patrimônio Público e à lavagem de dinheiro da gangue do tráfico de drogas e fundações. Esse foi o terceiro atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) os dois primeiros caracterizando, pelo trato amadorístico, apenas uma sinalização e um alertamento aos investigadores.
Está criado um problema de honra para a Polícia do Paraná em especial, aquela que apresentou o maior número de indiciados na CPI do Narcotráfico: ela está impelida, moralmente, pelo seu lado bom, por não ser crível que a banda podre constitua a sua maioria ou que impere na corporação pela intimidação, a mobilizar-se para esclarecer todos os detalhes da ocorrência e a apuração dos autores do atentado. Se não o fizer estará confirmado que somos reféns do banditismo organizado estimulado pela frouxidão de um governo que também pouco faz para combater a corrupção e praticamente imobilizado por sua ineficiência.
Em algumas das ocorrências funestas deste governo, alguns dos seus agentes cumpriram o seu papel, como no caso específico do Clube dos 60% que acertava o ICMS da Dívida Ativa e pegava alguns dos empresários de renome da terra em societas celeris com gangsters e, de certa forma, na descoberta por auditores e detetives de toda a sordidez da Banestado Leasing. Assim, pois, é de esperar-se que os descomprometidos com a corrupção e outras formas de crimes ajam como se fossem um esquadrão de justiceiros, mas que guardem aquele mínimo de contenção para não incorrerem em desrespeito à lei.
Muito cuidado é preciso porque se Elliot Ness, o cruzado dos Intocáveis, estivesse entre nós seria perseguido sistematicamente por agentes da sedução e da cooptação sob o argumento de que fazer o papel de durão por aqui é quase uma inutilidade, como se tenta demonstrar com o atentado contra a Promotoria de Investigações Criminais.
BIZARRICE
A alegria dos incendiários da PIC poderia ter sido por pouco tempo, caso os promotores tivessem em back-up registros dos computadores de todos os processos. E dizem que há
AXIOMA Por que mudar o nome da Petrobras para Petrobrax? Essas coisas a gente não pergunta e sim procura saber quem levou algum.
Vamos a uma explicação: a Lubrax na camisa do Flamengo predominava até o momento em que a varicela da privatização atacou o País. Aí a estatal, com sinal de inteligência, acrescentou a logomarca Petrobras, nas costas do uniforme. Os aviões devem ter sugerido que Lubrax ficou em exposição por mais tempo e daí à idéia de Petrobrax foi um pulo. Pulo de gato.
GLOSA Rizio Wachovski, prefeito de Araucária, foi afastado pela terceira vez do posto. Se os prenomes das pessoas variassem, conforme as circunstâncias, passaria certamente a chamar-se Tristízio.
EPIGRAMA O governo paranaense não lembra, por seu descontrole e incapacidade de iniciativa, cada vez mais o cão que caiu do caminhão de mudança?
SPRAY Um documento que percorre um circuito estreito da área empresarial e técnico-científica enumera muitas das razões que levam à conclusão de que a Copel, ao contrário das demais estatais brasileiras, vai ser privatizada por ser eficiente demais. - Consta desse documento a série de avaliações de bancos como orientação para investidores, destacando a saúde da empresa: o BBV do Brasil, em 15 deste mês, destaca que as perdas de energia caíram para 7,1% do total distribuído, índice de cliente por funcionário de 734, e MWh vendidos por funcionário de 5.152, registro comparável aos das distribuidoras mais eficientes do País. Analistas destacam, no entanto, os riscos por causa dos R$ 415 milhões de ações caucionadas ao Itaú, sucessor do Banestado. - Um relatório do Banco Brascan (25 de setembro de 2000), afirma que as possibilidades de privatização teriam diminuído e conclui: A empresa não está à espera da privatização e continua seu ritmo normal de operação... e é uma das melhores opções de investimento no Setor Elétrico para o segundo semestre de 2000. - O Banco Santander Central Hispano a considera a melhor recomendação para o setor: A Copel é atualmente o melhor ativo de energia a ser vendido no País e destaca que ele detém o maior EbiTDA entre as energéticas da América Latina com cerca de 25,5% de crescimento composto entre 1999 e 2000. Um detalhe técnico é bem revelado: Com base nessas expectativas, encontramos preço justo de R$ 21,94/ mil ações, 34% superior à cotação atual. - Mais os bancos Boa Vista, Sudameris e Pactual também acompanham as recomendações. O relatório conclui mostrando a teratologia das privatizações no Brasil nos casos da Light e a Cerj que logo responderam pelos apagões. Faz um alerta: O interesse da iniciativa privada não se restringe à compra da empresa estatal em si: o maior lucro vem dos contratos feitos com empreiteiros, fornecedores, consultores, empresas de engenharia e outros que, na maioria das vezes, são de propriedade dos mesmos investidores que compraram a estatal. - Para completar, há outros argumentos que tentam demover o governo da idéia suicida. Mas a decisão foi tomada e a esperança é a de que o senador Alvaro Dias, por seu histórico em relação à Copel, faça o mesmo cavalo de batalha que empreende em defesa da Petrobras desde o simples ato da venda de suas ações à hipótese da sua privatização.
FOLCLORE Num momento de lucidez, Lerner disse a Aníbal Khury que preferia morrer a privatizar ou leiloar a Copel. Aí também, obviamente, não vai cumprir a palavra, o que em se tratando do governador não é novidade. Nos anos 70, prometeu devolver os lambarís de rabo vermelho ao Rio Belém. Até aqui só existem os de acrílico, seu insumo predileto.
CROMO Por que não partilhar a água que nos dá de beber e que nos fornece energia com lambaris, acarás, tilápias, carpas, black-bass, saicangas?
AFORÍSTICO O próximo governador paranaense não pode ter o perfil de um desses políticos que fazem promessas. É que ele será o síndico de massa falida.





