Luiz Geraldo Mazza
O Paraná age normalmente como aparelho estudantil ante a realidade mundial. Em plenárias estudantis, da UNE e equivalentes, é comum tomar decisões que tentam alterar a geopolítica universal. Só que o que é perdoável nos estudantes por exercício de idealismo é vergonhoso quando praticado, por método, pelos adultos. É o caso dessa ridícula campanha de Lerner à Presidência ou à vice-Presidência da República movida por áulicos ou malandros diplomados que fingem embarcar nessa nau menos segura do que aquela, a Capitânea, do Rafael Greca.
Cabe aqui aquela peça antológica da lírica brasileira de Noel Rosa Com que roupa? bem ajustada à essa pretensão desligada de qualquer fundamento real, como de resto aconteceu anteriormente nas de Alvaro Dias e de Requião, embora tanto Munhoz da Rocha quanto Ney Braga reunissem condições para esse papel.
Basta ver as pesquisas nacionais, nas quais Lerner nem é listado porque a especulação daqui é provinciana e não passa de um factóide, menos criativo do que os do Élcio Berti, prefeito de Bocaiúva do Sul.
Anteontem deu para medir a quantas anda a credibilidade do nosso governador com a publicação do ranking dos governos estaduais do Datafolha: Lerner aparecia em sétimo com nota média de 5,3% e já com Olívio Dutra (5,2) e Covas (5,1) fungando em sua nuca em oitavo e nono lugares. Os números são os piores dentre os já obtidos por governantes paranaenses: 35 de ótimo/bom e nada menos de 31 de ruim/péssimo. Em primeiríssimo lugar, adejando em asa delta, Tasso Jereissati e Garotinho com 61 e 60 de ótimo/bom. E vejam bem: eram apenas dez governadores e se botam uma lista com mais de vinte, o nosso despencava. Se a Roseana Sarney entra na competição daria um baile, como acontece com as amostras de intenção de votos para a Presidência.
Nada mais ajustado do que a versatilidade crítica da MPB para analisar esse absurdo. A composição de Noel Rosa é irretocável: Com que roupa que eu vou? Com que roupa que eu vou? Pro samba que você me convidou? Os que o convidaram, se é que o fizeram, são uns rematados gozadores.
BIZARRICE
O Bobo do Rei é como Maria Teimosa, aquela boneca que verga, mas não cai. Mesmo com o reinado em declínio, ele deita e rola o seu narcisismo. O rei caminha para a depressão, mas ele, o Bobo, mantém-se na sua
AXIOMA Em setembro, o governador estava com 20% de rejeição (ruim/péssimo) no Datafolha. Hoje o registro saltou para 31%. E ainda havia uns inspirados que desejavam que ele aparecesse no segundo turno da eleição em Curitiba. Aí o Cassio Taniguchi certamente perderia. Aliás, a sua presença no final do primeiro turno garantiu a subida de Ângelo Vanhoni. Os números estão aí, incontestáveis, provando o quanto o contágio é forte em política.
GLOSA Cada vez menos se confia no QI do Chapéu Pensador.
EPIGRAMA A situação econômica melhora bem como a avaliação de FHC. Se Cassio se mantém em alta, Lerner em baixa abissal, quem é o melhor candidato do PFL a governador se não o prefeito de Curitiba?
SPRAY Do ranking de governadores que aparecem de 1º a 6º a reprovação (a taxa de ruim/péssimo) chega no máximo a 17 e nos três primeiros entre 11 e 10. - O sétimo (Lerner) está com 31 de negatividade e na lista de dez só perde para Joaquim Roriz (DF) com 39. - Nunca um governante do Paraná esteve tão em baixa: em setembro estava com 20% e acumulou de lá para cá mais 11 pontos. - Tasso Jereissati (7,2), Garotinho (7,1), Cesar Borges, da Bahia (6,9), Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco (6,6), Esperidião Amin, de Santa Catarina (6,2), Itamar Franco (6,0), Lerner (5,3), Olívio Dutra (5,2). Covas (5,1), Roriz (4,7) formam a lista. Se aumenta o número de participantes, o nosso governador vai fechar a raia, como se deu na Brasmarket junto com Covas, Roriz e Dutra. - Só havia um cheque do Atlético Paranaense nas transas de Maringá? - Carpas de até 20 kg, mortas, boiando na represa do Capivari-Cachoeira. Urge manter sob controle a qualidade da água, pois aquela bacia é uma das alternativas para abastecer ou reforçar o sistema de Curitiba. - Desde ontem o pessoal da área fazendária do Paraná esquenta a cuca para ver como fechar a folha deste mês nos primeiros dias de 2001. - Os Títulos da Dívida Agrária (TDAs) estão recebendo na Justiça correção monetária de planos econômicos. O papel, que queimava a mão dos portadores, voltou a valorizar-se, dependendo dos humores judiciais. - Ceia de Natal do Hotel-Fazenda Quintas de Bocaiúva foi um primor, segundo hóspedes, e a expectativa para a passagem de ano é maior ainda. Na mesma região, o Spa Lar Bethânia esteve concorridíssimo. Cresce cada vez mais a procura por esse tipo de entretenimento com reservas esgotadas como se dá também em Águas de Jurema, em Iretama, Aguativa de Cornélio Procópio e Águas Dorizon em Mallet. - Sábado passado, novamente houve enchente nas ruas do centro com a drenagem completa no encontro das ruas Voluntários da Pátria e Carlos de Carvalho demorando mais de 20 minutos. As obras de Rafael Greca nessa rua, nem com o aumento de bocas-de-lobo, providenciado por Taniguchi, jamais resolveram a situação.
FOLCLORE Durante a repressão à operação de guerrilha comandada pelo capitão Lamarca no Vale do Ribeira, volta e meia havia informes decorrentes da paranóia psicológica. O delegado Daniel Isbenner conta que, como conhecedor da prática de montanhismo, foi convocado para ver se havia um foco no Pico Paraná, o que é de um absurdo inimaginável. Sobrevoou a região e conta, entre risos, que dois marumbinistas tradicionais é que lá estavam: os advogados Henrique Schmidlin (Vitamina) e Dálio Zipin.
CROMO Um brilhante puro no botão de rosa, um feito do orvalho da madrugada.
AFORÍSTICO Se o discurso do senador Requião correspondesse à prática e ele falasse agora como um justiceiro, postura que gosta de adotar, diante de adversários possíveis da quadra atual venceria a próxima eleição. Só o discurso não vence uma disputa. Por sinal que Collor vem aí porque terminou o prazo de cassação.





