Contestação do PFL
Recebi do Diretório Regional do Partido da Frente Liberal uma nota oficial que, a despeito de toda a formalidade, não tem assinatura. Vamos a ela: ‘‘A respeito da afirmação do colunista Luiz Geraldo Mazza, publicada nesta data na Folha de Londrina/Folha do Paraná, de que o governador Jaime Lerner teria recebido doações e viajado em avião do Sr. Hissan Hussein na campanha eleitoral de 1998, o Partido da Frente Liberal tem a esclarecer o que segue:
1) A informação é rigorosamente falsa. A campanha de reeleição do governador Jaime Lerner não recebeu nenhuma doação do Sr. Hissan Hussein e nem utilizou avião de sua propriedade.
2) Todas as doações recebidas pela coordenação financeira da campanha eleitoral de 1998 estão declaradas em documento entregue à Justiça Eleitoral.
3) A utilização de aeronaves durante a campanha foi feita mediante locação comercial, cujos registros foram igualmente informados à Justiça Eleitoral.
Em nome do restabelecimento da verdade, solicitamos que sejam feitos esses esclarecimentos aos leitores da Folha.
Curitiba, 22 de dezembro de 2000’’
Dos ‘‘considerando’’, como dizia o coronel Paraguaçu de Sucupira, vamos aos ‘‘finalmente’’: preso, na madrugada de 1º de março deste ano, o empresário Hissan Hussein declarou ter fretado helicóptero (avião de rosca, no dialeto catarinense) para a campanha de reeleição e ainda que mantinha sociedade com o piloto Paulo Nascimento, da Casa Militar. ‘‘Nós abrimos um negócio. Ele fez os contactos e a Helisul, empresa de táxi aéreo, emitia as notas.’’ A afirmação está na edição de 2 de março desta Folha. Declarou, ainda, o que torna o caso mais parecido com aquele de Alvaro Dias, que a empresa, a dele, prestava serviços à Copel, Petrobras e ao DNER.
Nessa época era ainda, já que a queda se daria pouco mais tarde, o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e que acompanhou essas operações em decorrência da passagem da CPI nacional por Curitiba e que acabaria, em seu relatório final, pedindo o seu indiciamento igualmente contra o qual protestou o governador Lerner, solidário. Por sinal que ontem Cândido Martins de Oliveira estava no Palácio Iguaçu, o que nada tem a ver com a contestação do PFL, mas muito com o gesto de solidariedade de Lerner que só o afastou em função de um quadro político momentaneamente desfavorável e opressivo.
O PFL está certo em fazer as ressalvas. Afinal o governador é sua liderança máxima, embora às vezes monitorado pelo presidente nacional, o senador Jorge Bornhausen. Não se evitará que tudo o que se colheu daquela CPI aflore no andamento de uma campanha, ainda mais nacional, bem como todo o corolário de escândalos do Banestado nas unidades de Leasing e da Corretora e que envolveram outros pefelistas nacionais, em Sergipe, por exemplo, isso sem falar na quebra financeira do Paraná como Estado-membro, tanto que ressaltam aí os esforços para salvar as ações caucionadas da Copel para cobrir toda a irresponsabilidade negocista com os precatórios.
BIZARRICE
Pior para o Bobo do Rei é quando o monarca se mostra mais engraçado e acaba acumulando as funções
AXIOMA ‘‘Se queremos ser considerados inocentes, devemos responder não apenas por nós mesmos, mas também por nossos assessores. Antes de tudo, é preciso prestar atenção para que nos façamos acompanhar por pessoas que se preocupam com nossa reputação e nossa vida: em seguida, se entre alguns homens selecionados a expectativa inspirada pela amizade nos traiu, devemos puni-los, e viver continuamente na crença de que seremos obrigados a prestar contas dos nossos atos.’’ Republico o texto de Marco Túlio Cícero (106 a.C a 43 a.C) por causa da sua absoluta pertinência com tudo o que ocorre neste país e aqui.
GLOSA O governador fez reunião, anteontem, visando a possível candidatura nacional e convidou para integrá-la no Chapéu Pensador o publicitário Mauro Salles, a jornalista Cila Schulmann e o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra. Isso tudo, logo depois dos incidentes da reinauguração da Usina de Segredo em que Lerner deu aquele pito no secretário Rafael Greca. Mas Greca não se deu por achado: assim ele acabou impondo a sua candidatura a prefeito quando Lerner preferia, já aquele tempo, o Cassio Taniguchi. E, no momento, há mais trombadas com Taniguchi do que com Rafael por causa de ciumeiras.
EPIGRAMA A ausência de um político tempestuoso como Requião, que se encontrava nos Esteites, parece beneficiá-lo mais do que a presença. Se ele estivesse por aqui, neste momento, e desse os seus pontos de vista vulcânicos não seria tão beneficiado pelos acontecimentos que enredaram seus competidores prováveis.
SPRAY Atritos internos entre figuras da própria equipe lernerista constituem um sinal claro de desagregação: Greca fez declarações contra Gionédis. - Aliás, o secretário de Comunicação Social, sensibilizado com o seu colega da Fazenda, andou antecipando que o funcionalismo iria receber depois do Dia de Reis o mês de janeiro e acabou contestado pelo próprio Lerner. - Como os atritos, ainda que de pequenas dimensões, como os das gafes da Usina de Segredo, se tornam mais frequentes, isso em nada favorece o ilusionismo do oba-oba presidencial. - Para que Lerner se credencie é indispensável incluí-lo, o quanto antes, na lista das pesquisas de intenções de votos porque nas atuais do PFL só aparecem os nomes de Rosana Sarney, o mais forte, e, às vezes, o de ACM. - Sem isso vai mal para o enfrentamento de uma convenção nacional e repete os papelões de Alvaro Dias, quarto lugar no PMDB, e de Requião, derrotado por Quércia, também no PMDB nas prévias que ele próprio provocou.
FOLCLORE O ‘‘passe’’ político de Giovani Gionédis está sendo disputado por vários partidos, dentre eles o PPB e o PTB. José Carlos Martinez tenta atraí-lo para aumentar o poder de barganha dos ‘‘trabalhistas’’. Se Getúlio Vargas e Alberto Pasqualini souberem dos atuais trabalhistas, dão cambotes no túmulo.
CROMO Se o olhar é o espelho da alma, como ficam os cegos?
AFORÍSTICO Milagre ou dissimulação: mais de 80% dos municípios pagaram o 13º.

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