O nosso governador tem momentos de mágico: criou-se uma expectativa de que não haveria grana para pagar o 13º e o mês de dezembro do funcionalismo. Uma orquestração, com todo jeito de contra-informação, foi lançada nos meios de comunicação social pelos mais variados agentes e interesses. Aí o governador retorna como um César, que acaba de transpor o Rio Rubicão, uma valeta das dimensões do Ipiranga, consagrada pelo ato da Independência brasileira, e anuncia que acerta tudo de uma vez só e que, como não é de ferro, viaja, outra vez, no dia 11 para Nova York e mais adiante retorna ao seu domicílio predileto para receber um prêmio sobre as vilas rurais, empreendimento bem bolado, mas muito pouco fiscalizado e que implicaria hipoteticamente na salvação do bóia-fria.
Magia é coisa que faz parte do arsenal deste governo que se diz comprometido com a modernidade sem abrir mão do culto ao morubixaba e ao pagé. Dá maxitarifa aos beneficiários do pedágio, as consorciadas é claro, e percebendo que isso pode ameaçar a sua reeleição corta linearmente 50% no custo delas até a poeira assentar e a Justiça, obviamente, decidir que houve ruptura unilateral de contrato. E agora repete a dose com o novo aumento da tarifa espoliativa e ameaça suspender, judicialmente, duas das concessionárias, além de estabelecer multas para outras, como se cumprisse diligentemente o papel de concedente desse poder delegado a particulares privilegiados.
Vem, sem seguida, com a criação de um conselho de usuários, ao qual a FAEP deu a única resposta possível: não está disposta a legitimar um absurdo e que não confere aos participantes uma ação efetiva de linha fiscalizatória. Aliás o contrato é um acinte na perspectiva do Direito Público e do caráter bilateral dos ajustes, já que atribuiu funções típicas de Estado e de controle operacional nas estradas à própria concessionária que teria a incumbência de pagar o policiamento e as tarefas de fiscalização.
Feudal na essência e na prática, uma relação, como já disse, de suserano com vassalo numa sociedade de caráter massivo e supostamente democrático. Ainda que acintoso, jurídica e moralmente falando, acaba restabelecendo no terceiro milênio o mesmo fundamento de instituições de traço colonial como o das capitanias donatárias, revitalizadas nesses contratos. E tudo isso em nome da democracia e da cidadania, como se não tivéssemos aí a luminosidade intensa do Direito Divino que respalda o despotismo pouco esclarecido.
O Mágico de Oz enganava, dissimulava, mas exercia a sua missão com um mínimo de poesia, tanto que prometia devolver a coragem perdida ao leão, dar inteligência ao espantalho e o coração ao homem de lata. O nosso mago tem muito a oferecer aos que o cercam na forma de sinecuras e ao povo a mistificação das jogadas publicitárias: para os grandes e poderosos, tudo; para a plebe o apelo da obediência e firmeza estóica nos sacrifícios. BIZARRICE
No Natal o drama do castelo é não confundir os sinos de Belém e do trenó do Papai Noel com os guizos agitados, convulsivos, do Bobo da Corte.
AXIOMA Mais uma lição de exação no cumprimento dos deveres de Campo Mourão a outros municípios e ao Estado: pagou, ontem, os 50% restantes do 13º aos 1.379 servidores ativos e 216 inativos. A metade já havia sido paga no final de junho. E neste ano os servidores tiveram 8% de reajuste.
E depois ainda perguntam por que o Tauillo Tezelli é o prefeito número um do Paraná nas pesquisas do Brasmarket.
GLOSA Nessa onda de não pagar o 13º e parcelar o mês de dezembro para os servidores estaduais há uma advertência sutil, dissuasória, contra qualquer nova reivindicação. Afinal se para pagar o mês está difícil, imagine-se se houvesse qualquer tipo de aumento como os professores, a Polícia Civil e a Polícia Militar, e outras áreas do funcionalismo estadual reclamam ante os cinco anos de arrocho.
EPIGRAMA A taça do marketing político deve ser dada a Élcio Berti, prefeito de Bocaiúva com seus pitorescos factóides. Fazer firula em cima de Curitiba é fácil, duro é realizá-la em Bocaiúva. O Berti já quis distribuir Viagra à população, agora quer cortar o cigarro que, apesar de símbolo fálico para alguns e de sucedâneo da chupeta para outros, seria fator que leva à impotência e o prefeito quer mais gente no município para aumentar o Fundo de Participação.
Tem um argumento terrível: a situação em Bocaiúva está intragável. A cidade só leva ‘‘fumo’’ com o seu esvaziamento.
SPRAY A onda da austeridade, que já havia chegado ao litoral com a defecção dos prefeitos de Morretes e Matinhos, vai atingindo o mais atrofiado dos municípios da região, o de Guaraqueçaba. - O prefeito Antonio Feliciano Filho, que já exercera o mandato e estava respondendo a vários processos, ganhou a eleição e foi diplomado. Há duas prestações de contas dele não aprovadas pelo Tribunal de Contas e duas ações, uma delas declaratória de improbidade, ainda não julgada pela juíza da Comarca, impetrada em outubro. - Num dos processos ele teve seus bens hipotecados, mas colocado como depositário fiel. Uma das ações foi promovida por um dos seus antecessores. - Mais denúncias contra a serraria que lança resíduos tóxicos em Doutor Ulysses que colocam sob ameaça as 22 fontes de águas minerais, alcalino-terrosas-magnesianas da região.
FOLCLORE Por falar em meio ambiente, dizem que o Nakamura não sai da secretaria, apesar da existência do novo titular, o Andriguetto. Piada que corre na repartição: o Nakamura, com sua fala pouco ajustada ao português, entenderia que a divisão é correta: ‘‘Meio ambiente meu, outro meio do Andriguetto, aí fica inteiro, nô?’’
CROMO Pênsil entre a pieguice, a melancolia e a depressão, o nosso Natal só não é cortante como o das prostitutas e dos mendigos e serve, ajustadinho, para um filme do Carlitos, daqueles do cinema mudo, aguda expressão nos olhos.
AFORÍSTICO Reagiu bem a UEL diante da maquiagem da UFPR com os resultados do Provão: ela continua no ranking paranaense, à frente, com 47% contra 42% na soma do conceito ‘‘A’’. Juntar o ‘‘A’’ ao ‘‘B’’ é puro sofisma, igual aquele dos manipuladores que adicionam o ‘‘ótimo-bom’’ ao ‘‘regular’’ em indicadores de credibilidade de governantes. Matemágica. No fundo, a emulação é boa para todos, para a primeira universidade do País, a de Londrina e as demais.

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