Que o Paraná não é tímido, como se diz no clichê da sociologia de bolso, já foi demonstrado na CPI do Narcotráfico, em que aparecemos liderando a lista de indiciados. E que não é tímido ele o demonstrou no campeonato brasileiro de futebol especialmente com o Malutrom e o Paraná Clube. Nunca, porém, se pôde dizer que somos ousados. Pois agora a turma do PFL, comandada por lideranças catarinenses, quer demonstrá-lo na sucessão nacional. Tanto que na segunda semana de janeiro, mais precisamente no dia 12, teremos uma caravana denominada Brasil, que parece um decalque daquelas do Lula, com o vice Marco Maciel e Jaime Lerner saindo do Recife para conquistar todo o Nordeste. Stan Laurel e Oliver Hardy, o Magro e o Gordo, em versão política numa espécie de teatro mambembe percorrendo o País pela aliança PSDB-PFL.
Em Recife, o PFL perdeu a eleição para o PT, em Curitiba o PFL ganhou, graças ao fato de Jaime Lerner não ter aparecido na campanha televisiva, pois se o fizesse Cassio Taniguchi ‘‘dançava’’. Aliás, há alentadas razões para acreditar que o pleito não foi decidido no primeiro turno, justamente porque áulicos na cúpula da campanha insistiram que Lerner ainda tinha densidade em Curitiba, quando o seu Ibope por aqui nunca andou tão baixo, e o colocou no ar, lançando o seu candidato na pista inclinada de um tobogã.
Quando Munhoz da Rocha foi chamado pelo presidente Café Filho, em 54, para a pasta da Agricultura estava com a bola cheia em sua terra e podia ajudar numa chapa como vice. Tal se repetiria com Ney Braga, nos anos 60 e 70, já que seu Ibope se mantinha em alta. Não é, infelizmente, o caso do atual governador, autor de uma das mais desastradas administrações já havidas com a quebra do Estado, a rapinagem do banco oficial nas maroteiras da Leasing e da Corretora (quando irão, por favor, examinar o setor de Câmbio?) e tantas outras façanhas.
O lado positivo da gestão Lerner só vai render frutos num calendário não simétrico a essa arregimentação pefelista: o ICMS represado das montadoras e da chamada malha produtiva só começa a ‘‘pingar’’ no segundo semestre, o que favoreceria a idéia de uma recuperação com os ajustes havidos nas finanças, a instituição do Paraná Previdência e a melhora no caixa. Até lá o governo teria novamente recursos para o carnaval que estão promovendo de forma precoce.
Não dá para comparar o oba-oba programado, por exemplo, com aquele feito de Ney Braga-Paulo Pimentel distribuindo caminhões de batatas por todo o Brasil.
Ney conseguiu retirar do mercado grande quantidade de batatas que estavam em superprodução em Contenda-Araucária para equilibrar a oferta com dinheiro que Jânio Quadro obtivera junto ao Banco do Brasil. O excedente foi distribuído especialmente no Nordeste sob o título ‘‘Alimentos para o Brasil’’ com o que divulgava a força de nossa economia agrária.
Hoje a caravana vai vender um sonho meio gasto, meio indigesto. E se acabar, dá-lhe risólis ou empadinha, que não deixa de ser uma forma de propagar.
BIZARRICE
Quando o Bobo da Corte dorme, o QI do reinado melhora
AXIOMA Como parece idéia do Alceni Guerra essa da caravana ao Nordeste por que não fazê-lo de bicicletas? O Chefe da Casa Civil foi absolvido, depois de linchado, razão pela qual não haveria qualquer insinuação maliciosa. Ao revés, ela seria altamente positiva, título que nem todos do governo podem deter.
GLOSA Se na atual gestão das 262 favelas existentes o prefeito Taniguchi conseguir regularizar 78, lá pelo ano 3000 teremos tudo solucionado.
EPIGRAMA Na parte terrestre, a caravana Maciel-Lerner ao Nordeste vai de bicicleta, mochila e guarda-chuva. Na marítima pela nau dos 500 anos de descobrimento, que agora já não corre o risco de afundar.
É a reedição da Caravana Rolidei do filme ‘‘Bye, bye Brasil’’ com José Wilker com saltimbancos glamourizados.
SPRAY Hélio Duque, presidente do Instituto Teotônio Vilela, quer rigor na fidelidade partidária no PSDB. Pelo jeito está fazendo crítica oblíqua ao senador Alvaro Dias que volta e meia sugere divergência com FHC. - O prefeito de maior Ibope do Paraná, Tauillo Tezelli (PPS), seu vice Ferrari Júnior e 17 vereadores tomam posse hoje no Fórum de Campo Mourão. - Nesta semana, dia 15, às 13 horas, é eleita a nova cúpula diretiva do Tribunal de Justiça. - Dia 14, em Floripa, o deputado estadual Ribas Carli fala sobre direitos de cidadania no encontro de países membros do Mercosul. - Anita Zippin assume a Secretaria do Conselho Estadual de Entorpecentes que durante décadas foi ocupada por Olien Zétola. - O enquadramento do deputado federal Alex Canziani nas tormentas de Londrina não surpreende: o parlamentar não é obrigado a saber as formas como coordenadores de campanha arrumam a ‘‘bufunfa’’. Aquele caso do Algaci Túlio com o Banestado diz-se que não passa de uma situação parecida em reforço de campanha municipal. Muito breve a política será olhada no Brasil como no passado as pessoas encaravam as ruas do baixo meretrício. - O terreno, tanto de Londrina como de Maringá, está minado e nem sapadores experientes evitarão estilhaços, e até vítimas fatais, tanto nas hostes de governo como nas de oposição. - Haverá ainda maior ‘‘frisson’’ quando as dezenas de denúncias, tanto no Ministério Público federal quanto no estadual sobre os eventos do Banestado vierem à luz. Vai haver choro e ranger de dentes, a despeito da dissimulação de muitos dos envolvidos, que posam até de vítimas de juízos precipitados. - Por falar em banco cita-se muito uma tal de Cocep que operaria com recursos da área esportiva.
FOLCLORE No Cine-Teatro Palácio acontecia de tudo, principalmente quando partia do ‘‘poleiro’’, o setor barra-pesada: até pacotes com restos fecais eram lançados, lá de cima, na platéia ou nas frizas. Numa sessão, um desses cafajestes, que se ocultam na escuridão, largou um ‘‘pum’’ tão exagerado que levou o gerente a acender as luzes para pegar o mal-educado. Não pegaram e lá na saída, o latagão enorme contava vantagens em voz alta para todo o mundo ouvir como se fosse um feito épico: ‘‘Vocês viram que traque que eu di?’’
CROMO Dois cantos, diferentes e compassados, da saracura na floresta de pedra do Alto Cabral são o toque bucólico no cenário de asfalto.
AFORÍSTICO Quem tem senso agudo do ridículo não pratica as artes da política por absoluta incompatibilidade.

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