Luiz Geraldo Mazza
Ao botarmos uma lupa no cenário provinciano, aumentando a expressão das figuras locais, corremos o risco das situações constrangedoras como essa proporcionada pelo desmentido do governador Tasso Jereissati, do Ceará, ao ministro José Serra, da Saúde, de que tivesse convidado o governador Jaime Lerner para ser o vice de sua chapa, e atribui o equívoco a Rafael Greca como portador de um abraço ao suposto candidato. Nós merecemos. O desmentido veio em veículo nacional, a Folha de S.Paulo, já que os locais é que vinham explorando a tal possibilidade, até aqui apenas regougada por aí, diante da qual, embora torcesse para que fosse verdadeira, sempre me mostrei cético.
Um Estado politicamente a reboque de Santa Catarina não apenas em função da pessoa do Bornhausen, dirigente nacional do PFL, mas de empresários com um pé aqui e outro lá não se credencia a uma posição afirmativa. Bombardeado por toda a bancada do Senado, à exceção de José Eduardo Andrade Vieira (não esquecer que, na dos catarinenses, tanto o falecido Kleinubing como o então senador Esperidião Amin criaram as maiores dificuldades para que os empréstimos do Paraná fossem liberados, exigindo também a revelação do conteúdo dos protocolos das montadoras, isso sem falar que andavam na cola dos precatórios que obviamente nos alcançavam) o Paraná dependeu de toda uma articulação de outras bancadas para safar-se daqueles constrangimentos.
O Paraná tem o mau hábito isso já o disse várias vezes de falar para o público interno. Munhoz da Rocha e Ney Braga souberam transpor essas lindes territoriais. O artificalismo das candidaturas presidenciais de Alvaro Dias e de Roberto Requião o confirma: acanhamento, personalismo e ausência de espírito democrático, tanto que ambos, derrotados amplamente nas convenções do PMDB, se recusaram a apoiar os vencedores, Ulysses Guimarães e Quércia. As duas candidaturas só existiram no Paraná e contaram com um mínimo de penetração em outras unidades. Embora o maior potencial de Lerner sobre os dois, o mesmo equívoco persiste: tenta-se, com uma visão autárquica, com limites rígidos nos rios Paraná, Paranapanema e Iguaçu montar a lenda sempre inconsistente de uma força que não temos.
Parece incrível que Lerner, capaz de difundir o mito dos seus feitos urbanos até em escala mundial (e recebe agora outro prêmio na Holanda, equivalente ao da escolha de Maradona como o maior futebolista do mundo), não tenha sabido se impor, pelas mesmas artes, nacionalmente. Nossa representação política, hoje como no passado, tirando as exceções de Munhoz da Rocha e Ney, persiste com a fragilidade essencial de sempre, lastreada na fantasia publicitária e, ainda, nos transbordamentos individualistas.
BIZARRICE
Quando o Bobo do Rei tenta ser, a um só tempo, o preceptor e, ainda por cima, o Mago do reinado, a opereta só pode ter um fim: o ridículo, tal qual uma peça de MoliSre
AXIOMA Segundo Eduardo Schneider, a CPI do Narcotráfico pelo menos derrubou um tabu: o da timidez paranaense. Saímos na frente do ranking nacional.
GLOSA Por que monitoramento de TV na Rua XV quando há mais do que conspiração e tramas a gravar em dependências do Centro Cívico?
EPIGRAMA Parece existir maldição em relação aos prédios mais altos do Centro Cívico: o Palácio da Justiça era para ter 35 andares e unir a totalidade das secretarias de Estado e ficou capenga porque faltou dinheiro e sobrou água nas fundações; agora o Fórum, que tinha 12 andares, vai ser reduzido em um terço. Pega-se dois terços, desses de oração, para rezar no sentido de que não caia.
SPRAY Neste fim de ano novidades no circuito italiano de turismo: entra em operação o Parque do Rodeio que integra o Hotel Fazenda Quintas de Bocaiúva, do jornalista Cícero Catani. - Foram, também, construídos mais oito apartamentos que se juntam aos cinco bangalôs da pousada e que entram em operação na próxima semana. - O Rodeio já está sob contrato para promoções e leilões de animais e surge como uma forma de compensar a perda, por motivos ambientais, do Parque Castello Branco e para animação de certames regionais. - A atração-chave é o Restaurante Sabores do Campo, hoje entregue à habilidade da Soninha, ex-proprietária do Brasileirinho. - Aliás, as surpresas em matéria de turismo, pouco devem ao oficialismo: 26 navios com visitantes aportaram em Paranaguá este ano e com as conexões para a cidade histórica, baías, Curitiba e, por avião, a Foz do Iguaçu. - Por pressão das operadoras e transportadores a administração do Porto D. Pedro II reserva espaço adequado para o desembarque turístico. - Um grupo argentino desenvolve, em Prudentópolis, um projeto que visa especialmente explorar as cascatas da região, riquíssimas, o que vai depender do ecoturismo e de trilhas mais adequadas. - Para as férias, muitas das pousadas da Região Metropolitana estão com suas reservas esgotadas. Em todas elas há exposição e venda de produtos artesanais da região. - Outro fato curioso se dá em Bocaiúva do Sul: ex-assentados do MST, com maquinário, microtratores, estão arrendando terras e incrementando a economia da área. - Se o Paolicchi, preso ontem em Florianópolis, e sob interrogatório na Polícia Federal, abrir o jogo das transas da Prefeitura de Maringá os petardos atingirão figuras do governo e oposição. Vai dar tanta surpresa quanto as que se farão públicas se aprofundarem as investigações em Londrina. - Afundaram mais alguns metros de calçada na esquina da Prudente de Moraes com Fernando Moreira, ainda pela mesma causa geológica ignorada pelas autoridades.
FOLCLORE Sacanagem é o cara chegar numa roda de políticos e dizer em alto e bom som: O Paolicchi falou tudo. Isso lembra 64 quando para aterrorizar esquerdistas o sujeito anunciava Drops, drops e causava celeuma.
CROMO Entre meu posto na Redação e a linha do horizonte, a Kátia com a sua serenidade de mar calmo. Ao fundo, um sol de pouca importância.
AFORÍSTICO O juízo final do governo poderia ter sido o escândalo do Banestado, a CPI das Drogas, o caos de Londrina. Agora ouçamos o Paolicchi.





