Há previsões até certo ponto catastróficas sobre as regiões metropolitanas, entre as quais uma que acredita na repetição do fenômeno paulista do ABCD e Rio de Janeiro com as consequências já conhecidas. Uma cidade como Curitiba não pode mais pensar em Plano Diretor que se esgote em seus limites físicos porque está de tal forma envolvida pela periferia metropolitana que se vê impelida a sair do micro para o macro.
O Paraná foi beneficiado, entre outras coisas ditadas pela desconcentração da indústria, pelas deseconomias que foram se estabelecendo em áreas saturadas como a paulista. Não se trata da ameaça ‘‘sindical’’, como alguns idiotas pensavam, e que teria, segundo esses cérebros embutidos, influenciado na opção pelos fatores locacionais por parte das automotivas e outros empreendimentos. Tivemos greves muito boas das montadoras e mais recentemente a do setor de autopeças que opera em outra escala e não conta com os níveis de rentabilidade daquelas.
O fato é que não há um planejamento adequado e um programa da Grã-Curitiba. Tudo peca pelo empirismo: as cidades, gerenciadas com mais flexibilidade, têm sabido explorar o momento com a venda dos seus espaços. Alguns quebram a cara, como se deu com a nova instalação fabril da Electrolux em Fazenda Rio Grande, fato repetido em outros pontos do Paraná. Agora, com a retomada, ainda em ritmo lento e gradual, da atividade econômica, ampliam-se as perspectivas de melhora geral. Mas falta uma bússola, uma orientação como definição do que é prioritário.
Curitiba leva as vantagens decorrentes de centro de poder e também por ter quadros mais competentes para pensar a região, ter instrumentos melhor equipados como a categorização do IPPUC ante a Comec e assim por diante. As mais ‘‘aquecidas’’ pela proximidade – São José dos Pinhais, Araucária e Campo Largo, inclusive no respaldo automobilístico e petroquímico – levam vantagem.
No corpo da região temos um bolsão de miséria no Alto Ribeira (Cerro Azul, Tunas do Paraná, Adrianópolis e Doutor Ulysses), bem mais deprimidas do que Mandirituba, esta com razoável expansão imobiliária, ainda que sem a força de Fazenda Rio Grande, Tijucas, Agudos e Quitandinha. É analisando essas questões pela diversidade geográfica que se capta o absurdo da pretensão de fazer da Lapa uma integrante do colar metropolitano, absurdo tão grande quanto o de dar relevância a fenômenos de conurbação que pretenderiam justificar a fixação de regiões com esse caráter em Apucarana e Ponta Grossa.BIZARRICE
Um curso de etiqueta está sendo ministrado para os novos prefeitos e vereadores: poucos de nós como deles estamos informados de que não se usa palitos nos dentes depois da refeição
AXIOMA Alceni Guerra acredita mais na candidatura presidencial de Lerner do que o próprio interessado, campeão do tédio quando trata de política.
GLOSA Governo ‘‘enrola’’ a Polícia Militar pela terceira vez. Isso não é notícia, tal a naturalidade com que se dá. Notícia seria o contrário.
EPIGRAMA O clima estava ótimo, ontem, na Assembléia Legislativa: havia oito deputados, em ferrenha disputa, por cinco postos.
SPRAY O novo perfil da economia pode até, como dizem, colocar o Paraná em pé de igualdade com o Rio Grande do Sul, mas carece de doutrina consistente e de um mínimo de planejamento. - Essas decisões, como tenho dito, adensaram o eixo industrial Curitiba-Ponta Grossa e com isso provocaram desequilíbrio regional. - Quando Ney Braga deu o salto dos anos 60 havia mais planejamento e doutrina, o que inexiste agora: concedeu-se prioridade aos investimentos públicos na infra-estrutura (estradas, energia) e só numa etapa posterior deu-se capital fixo e de giro aos industriais via Codepar-Badep. - As salvaguardas para evitar a degradação da economia regional não foram acionadas e o processo de privatização e incorporações teve um andamento empírico. - Sabe-se agora, no andamento da greve dos trabalhadores do setor de autopeças, que o piso da categoria é de R$ 350, o que desmistifica a idéia de paraíso obreiro que havia sido lançada pelo governo na badalação do ‘‘projeto’’. - Como de resto a ganho médio dos metalúrgicos nas montadoras é de R$ 600, o que também nada tem a ver com a divulgação oficial que precedeu o conflito e que acenava um paraíso também para o proletariado. - Por causa da greve a Audi deixou de produzir 500 carros, o mesmo acontecendo com a Renault que não completou a produção de 300 veículos. É a nova rotina da indústria de vanguarda e que derruba a fantasia de que aqui as empresas não encontrariam o sindicalismo maduro. - E o grupo lernerista do PFL veio agora com a novidade de apego ao trabalhismo. Isso se deu com a Arena e o PDS. A elite encabulada sempre se agarra num argumento desses para sugerir que é sensível. Eu, hein? - Sempre defendi a necessidade de o Paraná fazer um cadastro da mão-de-obra estratégica aqui nascida. Vamos a alguns: o linguista Arion Daligna Rodrigues, o filósofo Fausto Castilho, o filósofo matemático Newton Carneiro Affonso da Costa, o estrategista Geraldo Cavagnari, o físico Cesar Lattes. - Além desses há os jovens como o penalista Juarez Tavares com obras traduzidas na Alemanha e os casos das ex-procuradoras do Estado Suzana Carvalho, integrante hoje do STJ, e Cristina Leprevost, esta na Corte de Haia. - Já há mais de 50 inscrições para o 1º Concurso Nacional de Arremesso de Coco na praia central de Guaratuba nos dias 16 e 17 de dezembro. Preço da inscrição: uma lata de leite em pó para entidades assistenciais.
FOLCLORE Um concurso de boas maneiras e etiqueta está sendo ministrado a prefeitos e vereadores. Um cuidado que devem tomar é na leitura de discursos que eles encomendam a assessores. Um presidente da Câmara de Curitiba começou assim a oratória: ‘‘Exmo prefeito municipal, ilmo secretário’’ e assim por diante. A melhor se deu com um chefe de cerimonial do governo Lupion que encaminhou expediente ao ‘‘Arcebispo Metropolitano e Excelentíssima Reverendíssima Senhora’’.
CROMO Na aridez da praia, solo sáfaro, entre conchas e búzios, um vegetal solitário espreguiça.
AFORÍSTICO Lerner viaja outra vez. Há quem aposte que desta vez Emília cobra a lealdade que nunca foi recíproca.

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