Apesar da gravidade logística, geopolítica, do metropolitanismo vamos muito mal de conceito dimensionador do que seja o fenômeno. Tanto que Apucarana e Ponta Grossa cuidam de ser metropolitanas também com Londrina e Maringá, que juntas formavam, em passado recente, o que os técnicos chamavam de Metrópole Linear do Norte. Eis aí algo que caberia na expressão ‘‘parametrização’’ cunhada recentemente pelo Pedro Malan, o homem forte da economia.
O nível de integração é razoável. Mais pelas ações da prefeitura da capital em função dos processos de conurbação que acabam impondo medidas comuns nos transportes especialmente e que aos poucos alcançam outros setores. Há uma pergunta crucial e que diz respeito à Justiça distributiva quanto à questão locacional não apenas das indústrias como também de outras vocações ligadas à economia: como evitar que o ‘‘centro’’ dinâmico, Curitiba no caso, imponha à ‘‘periferia’’ aquilo que lhe convém?
A Associação dos Municípios da Região Metropolitana, instância apropriada para acomodar os interesses em conflito, tem feito um trabalho razoável para operar como um fórum. Uma das armas que os periféricos usam é a de baixar as suas taxas de ISS que em Curitiba são asfixiantes com seus 5%.
Politicamente, o governo controla o espaço metropolitano, apesar das vitórias de oposição (teoricamente 10 municípios) do último pleito. Isso é pouco suficiente para mexer nas condicionantes existentes.
GLOSA
Respondam, rapidamente: quando montadoras recorrem ao ‘‘recall’’ ninguém cobra nada do setor que responde pela qualidade industrial? A Petrobras ganhou o ISO e mais aquilo e continua derramando óleo no mar e em águas interiores, como se deu aqui no Rio Iguaçu. E o certificado não é cassado

BIZARRICE De um texto de Jorge Carlos Sade em ‘‘A Folha da Imprensa’’ de ontem: ‘‘Parabéns à nossa Cinemateca que em boa hora lembrou o grande Mário Peixoto nominando uma de suas salas de ‘‘Limite’’ (os cabideiros culturais da cidade, milhares, pensaram que o ‘‘Limite’’ era o tal ‘‘No Limite’’, da televisão: coisas da cultura panelaense, agora transformada no parque de diversão da Mônica): queira nos perdoar, Mário Peixoto, não sabemos o que fazemos.’’ O sistema cultural tem horror do crítico ferino, ex-galerista, mas que não joga com a galera do ‘‘stablishment’’.
AXIOMA Quando sair o reajuste do pedágio, se outros recursos falharem dentre aqueles ditados pela necessidade da ‘‘resistência civil’’, pode-se adotar uma reação gestual: na hora da cobrança o usuário erguer os braços como quem está sendo assaltado. É uma alegoria, já que não cabe alegria.
EPIGRAMA Com a decisão da Caixa Econômica de descredenciar os lotéricos que aceitam apostas do jogo do bicho vai ser muito engraçado ver a aplicação da medida no Rio de Janeiro, em São Paulo e Belo Horizonte.
Curioso é que os ‘‘produtos’’ da Caixa, mesmo com a vastíssima propaganda, têm menos apelo popular do que a contravenção.
SPRAY
Já se percebeu que o governo estadual não resolve um só problema. Vale-se da moratória, de ganhar tempo, empurrar com a barriga como faz sempre com os professores e fez ontem com a Polícia Militar. - Foi pedindo tempo, anunciou decisão para dentro de cinco dias e acabou mostrando, ontem, que há bloqueios legais na Lei de Responsabilidade Fiscal que o impedem de atender as justas reivindicações. - A frustração, embora remediada com a notícia de que haverá novas rodadas de negociações em fevereiro, não desmobilizou os milicianos que pretendem retomar o movimento de pressões. - Na verdade, há o seguinte: os PMs, que ganham na Justiça o direito às gratificações, ficam diferenciados dos demais não contemplados, o que gera um problema adicional de hierarquia. - O pretendido mandado coletivo de busca e apreensão, desejado por nossa Polícia Civil e Militar, deu com os burros na água em São Paulo: autorizado por um juiz de Direito, deu margem a abusos de autoridade (que previ com antecedência nesta coluna na hipótese de qualquer instrumento judicial discricionário ser permitido) e a violência contra cidadãos. - O ‘‘Jornal Nacional’’ mostrou, com detalhes, anteontem as dimensões ciclópicas da medida temerária: molestaram centenas de pessoas, com casas invadidas, para obter um resultado pífio e, ainda por cima, com erros quanto aos apontados como indiciados. - A liberdade com que o crime age em Curitiba e em todo o Paraná é de tal ordem que precisa ser examinada sem pânico, mas tendo em mente aquilo que já foi apontado, sob a forma indiciária, na passagem da CPI do Narcotráfico que vai pedir a prisão de autoridades da terra, conforme o relatório que está nos arremates. - Estrada entre Pitanga e Campo Mourão dá bem a idéia do pepino que Nelson Justus vai pegar se aceitar a pasta dos Transportes: está um caos, especialmente na direção de Muquilão. Não se sabe se a responsabilidade é do DNER ou do DER, com todos, como convém à homenagem a Max Webber, tirando o corpo da seringa.
FOLCLORE Na CPI da Nike na Câmara Federal, procura-se autorização do Ministério Público para usar detector de mentiras e até a hipnose regressiva. Assim que vier o parecer liberando o procedimento, aplicarão as cautelas excepcionais. Será que ouvirão, desse modo, o colega Eurico Miranda? Outro detalhe: entre notas fiscais recolhidas pela CPI há uma do Motel 5 Coelhinhos justamente da nossa mui brava e heróica Londrina, segundo o Valdir Córdova Bicudo.
CROMO
Durvalino, estatístico, tem jabuticabeira no fundo do quintal e contempla a carga e o vôo ébrio dos passarinhos em busca das frutas. Sua reflexão foge ao rigor da econometria e desanda em poesia. Que importa quantos são os frutos, os vôos e os gozos ou se a jabuticaba acaba?
AFORÍSTICO
Neste fim de semana um parnanguara ilustre, coronel Geraldo Cavagnari, maior especialista em geopolítica deste País, fará palestra sobre ‘‘O Projeto Colômbia e a Estratégia de Defesa da Amazônia’’. Vai ser sábado, dia 2 de dezembro, às 14 horas, na Faculdade Internacional de Curitiba (Rua do Rosário, 169, Largo da Ordem).

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