Recebi do deputado federal Rafael Greca, secretário de Comunicação Social, anteontem, o seguinte fax: ‘‘Ao ler com atenção costumeira sua crônica, estranhei a informação do chamado Vôo Insensato, que não houve. A Casa Militar comprova isto pelo plano de vôo anexo, que confirma a ida do governador Jaime Lerner e do secretário Alceni Guerra a Salvador no dia 24 de agosto, na aeronave de prefixo PT-X-CF, pertencente a Equipe Táxi Aéreo, devidamente habilitada por licitação pública para servir ao governo do Paraná. Não há, portanto, nenhuma relação com os personagens citados em sua coluna.’’
Acompanha o texto um relatório de vôo número 250 da empresa de táxi aéreo com registros tão claros para um leigo como eu como os da planilha do pedágio.
Houve, de fato, um erro de informação, um lapso. O vôo insensato, além daquele no helicóptero do Hissan Hussein, relativo ao avião do Paolicchi, deu-se com outros personagens também rumo à Bahia, mas em 1998, quando da inauguração do mausoléu eregido em memória a Luis Eduardo Magalhães.
No vôo recente justificou-se o fato com o suposto agrado que ACM teria feito em Lerner como vice na chapa do Tasso Jereissatti, o que não se confirmou e até houve contestação no ninho tucano. No outro, o Paraná ganhou Ministério.
BIZARRICE
Greca entrou no ar ontem na CBN-Curitiba, para contestar um cidadão que atacava o pedágio. Entrou dizendo que o entrevistado cometera erro de português. Aí três ouvintes se dedicaram ao que consideravam ‘‘solecismos’’ cometidos pelo deputado federal, tudo bem no estilo bate-pronto
AXIOMA Militares, durante muitos anos, comemoraram a intentona comunista de 1935. Agora, pelo jeito, os sem-terra, cada vez com menos apoio na população, querem fazer o mesmo com a retirada do acampamento do Centro Cívico. Só que naquela, a de 35, os milicos, em maioria, levaram a melhor e na de 99 o acampamento só ficou por seis meses pela cumplicidade do governador e não por uma suposta bravura dos resistentes.
GLOSA Comparar a praça de pedágio a um mata-burro de fazenda é impróprio, pois lembra muito mais um assalto consentido, isso é com muito sentido.
EPIGRAMA ‘‘Topo a parada’’ é o ‘‘teaser’’ da campanha de Requião ao governo, lançada ontem em Foz do Iguaçu. E poderia acrescentar: ‘‘Não importa a topada’’, como se deu em 98 e agora nas eleições municipais, especialmente a da capital.
SPRAY O senador Osmar Dias, PSDB, quer, o quanto antes, a formação da aliança com o PMDB e outros partidos de oposição para a sucessão de Lerner. Levou essa preocupação a Foz do Iguaçu no encontro peemedebista. - E foi muito bem recebido, tanto no local como fora dele. - Há quem admita a hipótese até de Osmar ingressar no PT, no qual ficaria ao abrigo dos riscos de uma aliança nacional entre PMDB-PFL e PSDB que poria a nocaute a articulação, dele, do irmão Alvaro Dias e de Roberto Requião, sujeitos aos efeitos de uma intervenção dos respectivos diretórios nacionais. - Realistas do PT, aqueles que deram o tom ‘‘soft’’ da campanha de Ângelo Vanhoni se alinham nessa. - Ardisson Akel, presidente da Faciap, queria que o Banestado continuasse público e, obviamente, não conseguiu. Agora ele saca uma sensacional: o contrato das concessionárias do Anel de Integração na origem não previa os ganhos decorrentes da exploração da faixa de domínio por dutos (óleo, gás, água, telecomunicação em fibra ótica) e placas de propaganda. - O fato é o seguinte: urge decodificar as planilhas, retirá-las dos seus códigos esotéricos para que não se repita o que tem havido com as do transporte urbano em Curitiba e que permitiram a sua força como financiadora dos políticos. - Aí nesse caso, como se deu em Curitiba, seriam um elemento-chave no financiamento de campanhas e na sustentação política, tal qual se dava na Câmara Municipal. - E tinha tal força que ganhou um pleito com Íris Simões encarando a resistência do próprio poder, estadual e municipal, mobilizado para a disputa. - Um setor do governo acha que com a campanha publicitária anestesia a mídia no caso do pedágio. Ora, esse raciocínio remonta ao tempo em que as exibidoras de cinemas, que mandavam anúncios da programação em espaços generosos e a preços vis, achavam-se até no direito de pressionar o crítico de cinema porque falava ‘‘mal’’ das películas em cartaz, como se o grande público fosse ligado nessas especificidades tão sutis. - Desta vez a campanha de ambientalistas em defesa da araucária encontra meios de mobilização, antes inexistentes. É preciso ‘‘dobrar’’ também os sem-terra que andaram fazendo estragos em áreas de preservação da Fazenda Pinhal Ralo (Araupel) para que se engajem na luta comum. - Onaireves Moura pode ser submetido até ao detector de mentiras no seu depoimento na CPI se for vitorioso o ponto de vista de gente da terra que já encaminhou um dossiê aterrador sobre o Pinheirão, ações executivas, não pagamento da Previdência e outras aventuras, inclusive bingões de ontem e de hoje. - No caso Onaireves, o presidente da CPI, Alvaro Dias, deveria ficar de fora. Afinal, ele tem questões pessoais pesadas, até na Justiça, contra o dirigente da FPF. O afastamento por suspeição seria ético. Às vezes a ausência tem mais força do que a presença física.
FOLCLORE A Lapa, agora com a eleição do Paulo Furiatti, volta à cena, ainda mais se o animador Ratinho continuar a dar respaldo à cidade, através do Fábio Furiatti, seu produtor principal. Depois do ‘‘café no bule’’ é possível que esqueçam das frases ‘‘lá se ouve nascer a grama’’ ou ainda aquela terrível do interventor Manuel Ribas que não encontrara um só funcionário no seu posto, do delegado de polícia aos encarregados da educação, saúde e receita estadual: ‘‘Lapa, berço de heróis, terra de vagabundos.’’
CROMO Aqui na Folha, aquela charge do Ivo Akio do Jaime Lerner de Papai Noel presenteando as concessionárias na praça de pedágio deveria ilustrar o espetáculo do HSBC.
AFORÍSTICO Rafael Greca é o primeiro secretário de Comunicação Social que mais lembra o arauto clássico pelo porte, estilo e ritual.

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