Luiz Geraldo Mazza
O pedágio vai lembrar em nossa rotina a passividade dos vulcões extintos e que só entram em erupção na hora da revisão das tarifas, como se dará agora no início de dezembro. Politicamente já marcou o desastrado governo Lerner com aquela manobra, que lembra o gesto de malandro de parque, ao cortar ao meio o valor da cobrança para não atrapalhar a sua reeleição e depois, como se passasse a responsabilidade à Justiça, reajustando-a em mais de 100%.
Trata-se de uma situação emblemática e de uma tatuagem que jamais abandonará a imagem do governador, em que pese o lado positivo da iniciativa pela impossibilidade de o Estado assumir tais encargos, ainda quando a prodigalidade é doentia na propaganda (R$ 500 milhões só no primeiro tempo), na corrupção (centenas de milhões que se esvaíram pelos ralos da Leasing e da Corretora) e acrobacias como a dos Jogos Mundiais da Safadeza (R$ 80 milhões).
Novamente a sociedade vai organizar-se e clamar na Justiça pelo fim do pedágio: entidades representativas do usuário, Associação dos Usuários de Rodovias, Faep, Ocepar, Faciap, Setcepar, Avipar, Sociedade Rural, associações comerciais e industriais vão pressionar politicamente. Os mais indignados, como sempre, irão ocupar praças de pedágio, praticando um dos mais saudáveis rituais do liberalismo, que é a resistência civil.
O uso do vale-pedágio, para cooptar os caminhoneiros, ainda que possa dissuadir o grupo mais organizado, não convencerá os mais radicais porque não há garantias de eficácia no repasse. De qualquer forma, o aumento dos fretes, já sinalizado no reajuste dos combustíveis, afetará os custos na economia e de um modo geral fará gerar taxas nada desprezíveis de inflação e com o corolário dos efeitos em cascata. Se o objetivo do vale era cooptação não vai operar porque os governos, de um modo geral, perderam credibilidade. E a do estadual é bem mais degradada, obviamente, do que a do federal.
GLOSA
Giovani Gionédis, apesar de defenestrado, se acredita um nome forte para a sucessão estadual. Curioso seria se saísse pela oposição
BIZARRICE Jô Soares sugeriu algo mais singelo do que o extensor inventado para fazer crescer o tamanho do pênis: o sujeito se enrola num jornal, porque este, segundo o humorista, sempre aumenta as coisas. Há um outro fator: da mesma forma que num certa linha aumenta em outra justamente esconde, oculta.
AXIOMA Há quem desconfie que há método por trás dessa indecisão de Lerner na nomeação do secretário de Educação: o professorado chia que os acordos não foram cumpridos, faz agito, deita e rola e assim se chega até o fim do ano letivo por falta de interlocutor. Aí no começo do ano, quando Lerner recuperar as energias em Nova York, seu segundo domicílio, tudo volta à estaca zero. Os professores ficam sem apoio dos pais e da sociedade de um modo geral para nova greve e o governo ganha mais tempo para enganar.
EPIGRAMA Cassio Taniguchi, prefeito, irritado com a denúncia do Ministério Público, sugeriu que o organismo no Paraná institucionalizou o dedurismo. Só falta haver a resposta anatômica de que o dedo-duro é o remédio ideal para
mão-boba e mão-leve.
SPRAY Eleições deixam marcas, algumas indeléveis: se o caixa da campanha não traduz a realidade, como todos sabem, como poderíamos saber da procedência dos alegados desvios de milhões, tão regougados e sussurrados? - Enquanto se diz que houve desvios na campanha oficial há contas a acertar que ainda não o foram e que podem acabar no cartório de protestos. - De outro lado, na oposição o drama é inverso: fazer rifas para pagar saldos de R$ 700 mil. Não bastasse isso, pode enfrentar um drama adicional no uso de uma paródia de música do Gonzaguinha e não licenciada e que pode ser alvo de reparação por parte não só de gravadoras como também do espólio da família do cantor. - Paródia não é plágio e até serve de propaganda para a peça original. Há paródia até do Hino Nacional no estribilho de uma do Vicente Celestino que reproduz a música na parte inicial: No alto Corcovado// engastado// reina o Cristo Redentor// - Se a descoberta do caixa 2 da campanha de FHC dá margem a tanto sofisma, imagine-se como apurar o que foi desviado, quando não contabilizado. - Esses fatos, supostos ou reais, fomentam o princípio do financiamento público das campanhas eleitorais. Só que nada impedirá que os lobbies se movimentem e façam as suas doações como investimento, como se viu na Constituinte. - Quem está crescendo como fator de aglutinação nas oposições é o senador Osmar Dias, afinal bem menos desgastado que o irmão Alvaro. Nessa fórmula com Requião como candidato senatorial, e possível apoio do PT com uma das vagas da Câmara Alta ou a vice, seria algo que ajustaria interesses de centro-esquerda. - A única hipótese de isso ir por água abaixo seria a continuidade da recuperação da economia brasileira, como de fato ocorre, e a sustentação da base aliada atual de FHC assentada no tripê PSDB-PMDB-PFL. Como Alvaro e Requião fazem o jogo do personalismo, poderiam ser isolados por seus respectivos partidos em cima de decisões nacionais e de intervenção. - Antecipação da eleição no Legislativo se ajusta ao cronograma de viagens do governador ao exterior, hábito do qual não abre mão. Afinal nesses seis anos não completou um ano de ausência. - Padre Zezinho ao apresentador Toni Casagrande, da CBN-Curitiba: Você é incrível. O primeiro entrevistador, no Brasil, que me deixou falar!
FOLCLORE A composição É do Gonzaguinha usada como paródia na campanha do Ângelo Vanhoni acabou dando rolo. No original ela diz assim: A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela. Sugere-se que o espólio do autor e gravadoras estariam pedindo reparação. O fato de suporem que o falecido era companheiro deve ter pesado na decisão sem consulta. Não é preciso estar na janela para que passem a mão na gente. Vide o pedágio.
CROMO Tempo real: a borboleta e sua vida transitória. Tempo artístico: em cada 24 quadros por segundo no filme do vôo da borboleta a eternidade.
RETÍFICA Recebi, no fim do expediente, comunicado do secretário Rafael Greca, da Comunicação, dizendo que não houve o vôo no avião do Paolicchi a Salvador. Que ele foi feito pela Equipe Táxi Aéreo. Amanhã detalho e com a inicial observação: se o governo tem avião por que não os usa? Terceirizar é preciso.





