Fomos duramente testados no leilão do Banestado. Diz-se que se for levado em conta o crédito fiscal, o Itaú teria trocado seis por meia dúzia no seu lance vencedor. Como há muito esoterismo nessas questões, como se observa no episódio Banespa, convém ir criando já reservas de resistência à compulsão dos vendilhões diante da Copel.
É preciso armar, desde já, um esquema preventivo de defesa do patrimônio público, que afinal é de todos, e não do governante eventualmente no poder e de legisladores despojados de brio e que se conformam com o canto de sereia desse desmonte do aparato público. Se há empresa que melhor traduz neste meio século o timbre do esforço civilizatório do Paraná é a Copel, a energética mais competente do País, a mais enxuta e mais eficiente ao ponto de haver gerado inúmeros itens da Associação Brasileira de Normas Técnicas, isso sem falar na circunstância de que há muito tempo exporta sua tecnologia.
Há uma iniciativa do senador Alvaro Dias no sentido de submeter decisões desse porte a um plebiscito. É que este permitiria um debate intenso em cima do tema, o que obrigaria o governo ao constrangimento político de ver tudo tratado em pratos limpos com a máxima transparência.
Decisão recente da Copel de pagar uma demanda à C.R. Almeida, alegando que o acordo era favorável à estatal, dá bem uma idéia das obscuridades da área, inclusive aquela trama da figura de Ney Braga que tentaram instrumentalizar para os propósitos leiloeiros.
O fato surpreendente de o presidente da estatal ocupar a Secretaria da Fazenda é interpretado logicamente como mais um elo da cadeia que resultará na venda da maior empresa paranaense e até mesmo como fator de indução. Está aí uma bela e urgente missão: mobilizar o que for possível de profissionais liberais, técnicos, mestres universitários para essa cruzada. Se não for possível impedir a venda, que pelo menos se respeite o valor do patrimônio, o que não está ocorrendo em nenhum dos atos tanto da União como de Estados.
A Copel está para o Paraná como a Petrobras para o Brasil. O senador Alvaro Dias está desempenhando um papel eficiente na defesa da estatal do petróleo e seria interessantíssimo que fizesse o mesmo em defesa da jóia da coroa do Paraná. Até porque teve papel saliente nas tensões relativas à Usina de Segredo, na qual, desde o início, teve a coragem de denunciar a tentativa de formação de cartel que afinal ajudou a repelir.
BIZARRICE
A Globo foi obrigada, por imposição judicial, a retirar nada menos que seis atores, infantis e adolescentes, da novela ‘‘Laços de Família’’. Pirandello escreveu ‘‘Seis Personagens em Busca de um Autor’’. Neste caso há ‘‘seis personagens fugindo do censor’’
AXIOMA Quando se disser que uma determinada novela da Globo é ‘‘pau puro’’ na certa a referência não será a briga, pauleira ou rixa.
GLOSA A capela utilizada para o casamento de Edu e Camila na novela global está interditada, a partir da exibição do capítulo, para atos religiosos. O caráter radical da medida prova que pela primeira vez estão pegando pra valer no pé da ‘‘Vênus Platinada’’ e, apesar dos riscos de volta da censura, o fato deve gerar resultados positivos. O Brasil precisa habituar-se à crítica e não é bem isso que se dá com as telenovelas que acabam impondo linha discutível de valores sociais e morais como se o receptor devesse assimilá-los sem chiar.
EPIGRAMA A mexida no relógio na Assembléia Legislativa para evitar que outra vez o governo ficasse constrangido pela base aliada tem precedentes. Consta que um vivíssimo empresário curitibano fez uma dessas com os relógios do Jockey Club e conseguiu apostar e ganhar depois de realizada a corrida.
SPRAY Politicamente o período Lerner sempre foi desastrado na área política: as trombadas com a base parlamentar e os secretários mediadores (Gabinete, Casa Civil, Governo) se dão desde o primeiro mandato. - Demonstrações como as feitas pelos deputados, para expressar inconformismo, são constantes, mas não perduram depois de alguns agrados e atendimentos. A oposição, no entanto, busca transformar o que é transitório em permanente para conseguir um máximo de desgastes no menor espaço de tempo. - Tivéssemos uma política madura e a prática da democracia não haveria espaço para temores: o governo tomaria, ele próprio, a iniciativa de clarear as coisas, mesmo em questões melindrosas como a dos Jogos Mundiais da Safadeza, cujos gastos e retorno jamais foram levados seriamente à discussão. - O personagem-chave, que também protagonizou as cenas da Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos, já morreu, e uma filha do governador aparece com destaque na coordenação da iniciativa, o que dá bem a idéia da delicadeza da situação, razão pela qual alguns aliados, furiosos, querem jogar gasolina na fogueira. - Pouco se sabe dos Jogos, o que desde logo é um estímulo à investigação. Fala-se num dispêndio de R$ 80 milhões, mas o Tribunal de Contas, através do conselheiro Nestor Baptista, até agora só mostrou interesse pelo caso específico do Parque da Barragem em que pretendia que o secretário Hitoshi Nakamura, do Meio Ambiente, fosse condenado a devolver o que foi gasto na discutida obra. - Pretende-se acionar outro tema explosivo na segunda-feira: um expediente exigindo das concessionárias das estradas pedagiadas a exibição do que fizeram e do que ainda vão fazer em confronto com a arrecadação feita e a que se buscou projetar. - Em 1997, dia 7 de maio, o governador baixou o decreto nº 3107 que tratava da remuneração dos diretores da Sanepar. O diretor presidente ou equivalente percebia R$ 4.102 e demais diretores ou equivalentes ganhavam R$ 3.897. Se hoje a coisa chegou em R$ 12 mil dá para perceber que o ajuste foi de quase três vezes, enquanto os cidadãos de segunda classe do funcionalismo permanecem sob asfixiante arrocho.
FOLCLORE O mundo virtual parece sensibilizar mais do que o mundo real: nos biarticulados de Curitiba, na hora de pico (falei pico), há cenas pesadíssimas de amassos, beijo roto-rooter, de menores e maiores. Como as autoridades, que são encarregadas de fazer valer as leis e o Estatuto do Menor e do Adolescente, não andam de ônibus não há qualquer restrição. O pior é que ao menos na tevê há um pouquinho de ‘‘glamour’’.
CROMO O raio entrou pelo corredor da casa antiga e foi atingir, lá no fundo do quintal, o mamoeiro. Essa, uma das recordações de Paranaguá em que padres e bispos do outro mundo vagavam pela casa.
AFORÍSTICO O governo tem hoje e amanhã para refrear a insatisfação da chamada base aliada. O drama é que tem muito pouco a oferecer.

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