Não poucas vezes se discutiu a necessidade de uma nova capital para o Paraná e que se localizasse no interior mais ou menos na logística que decidiu fazer de Brasília o Distrito Federal. Se o critério fosse o de um centro geopolítico ou Pitanga ou Manoel Ribas levavam a glória. Há cerca de três décadas, Paulo Poli, deputado estadual, suscitou Campo Mourão como o ponto ideal, embora numa diretriz a oeste, justificada, no entanto, pela existência de malha viária e capaz de influir na revitalização do próprio Noroeste, tão limitado pelo solo do Arenito Caiuá, quase uma antevisão do deserto.
Pois agora o centro do Paraná, área tensa em matéria de litígios fundiários, ganha destaque com a maior esperança daquela gente: as reservas de gás e até a possibilidade de exploração de petróleo, caso as jazidas se revelem econômicas para efeito comercial. A simples chegada da Petrobras para estudos sísmicos na região redundaram em mudanças infra-estruturais como o ajuste de estradas para suportar o tráfego de caminhões pesados, melhoras na telefonia e, sobretudo, até em atendimento social. Tanto que uma das esperanças de Mato Rico era a de que se repetisse ali o ocorrido em Pitanga com implantação até de hospital.
Hoje há mais condições de empenho tanto na prospecção de gás e óleo porque o trabalho já não fica a cargo apenas da Petrobras, mas de multinacionais como a Coastal Petróleo que detém 75% do bloco explorado. Houve registro de óleo no poço do Rio Vorá e isso criou expectativas que só serão definidas em menos de um mês.
O Paraná tem sido esnobado sistematicamente nessa questão. Tanto que a despeito de termos massa cinzenta qualificada há muitos anos fomos vítimas de uma decisão política que deu preferência para a instalação da usina protótipo do xisto em Tremenbé (SP) quando deveria, desde o início, ser feita em São Mateus do Sul (PR), o que levou muitos anos para ocorrer, primeiro com a experimental e depois com a unidade operando em escala semi-industrial. Hoje o domínio do método Petrosix, tecnologia já vendida ao exterior, permite grande perspectiva no aproveitamento do folhelho pirobetuminoso.
Já demos um banho nacional com as ações da Copel no campo da hidroenergia e neste momento abre-se um ciclo novo com a chegada do gás da Bolívia e a maior exploração da Refinaria de Araucária com a termelétrica a gás. Os anúncios relativos à exploração na região central do Paraná completam um quadro que tem muito de promissor e que faz reviver sonhos antigos como aquele que levava o deputado federal Pedro Lauro, figura folclórica, a exibir na rua, como se fosse um camelô, o óleo que havia aflorado em Marechal Mallet.
BIZARRICE
O senador Alvaro Dias diz estar recebendo denúncias cabeludas sobre a CBF. Em compensação, Eurico Miranda diz também contar com um enorme dossiê do Paraná sobre o ex-governador e hoje presidente da CPI do Senado. Não surpreende que a autofagia paranaense funcione uma vez mais
AXIOMA De uma coisa todos estão convictos: o governador Jaime Lerner demorará bem menos para reformar o secretariado do que para fazer o despejo dos sem-terra no Centro Cívico.
GLOSA Irritação na mídia com a suposta indicação de Rafael Greca para a área de Comunicação Social era tão grande que alguns radicais sugeriam que ela havia sido escolhida num bingo de paróquia.
EPIGRAMA Prefeitos querem adiar a Lei Fiscal, mas continuam abusando. Exemplos de Londrina e Maringá, isso para citar cidades de grande porte, mostram que a choradeira nem sempre é razoável.
O PT, com todo o seu discurso austero, queria derrubar na Justiça a eficácia dessa lei para proteger os seus eleitos. Quem de estilingue se transforma em vidraça tem que aceitar as contingências do jogo político e democrático.
SPRAY O mau exemplo vem de cima: se o governador quer montar um trem da alegria para conselheiros adjuntos no Tribunal de Contas, a troco de que a Sanepar, que vai ser privatizada, haveria de adotar política de contenção quanto aos vencimentos dos seus diretores, muito acima dos do presidente FHC? - Vivemos um bom momento e o Ministério Público vai fundo na impugnação da irregularidade praticada na Sanepar: além do ganho de R$ 12,9 mil o presidente da empresa percebe uma gratificação anual de R$ 113 mil. Tudo foi feito ao arrepio da lei (três meses antes da eleição não pode haver reajuste do pessoal da área pública) e um dos que assinam a resolução é justamente o zelador do cofre, Giovani Gionédis. - Chiadeira dos prefeitos, como se viu ontem em Brasília, veio fora de hora: as obrigações que podem levá-los a sanções não é a das dívidas antigas, mas sim a das atuais. - No Brasil, quando se fala em ‘‘rolar’’ dívidas podem ficar certos que o objetivo é, de fato, ‘‘enrolar’’. Fazer ‘‘rolo’’, como se diz em linguagem plebéia e malandra. - Há quem diga por aí, à boca pequena, que os dados relativos a crédito e também à insolvência no mercado curitibano, divulgados pela Associação Comercial, visam evitar que o pessoal da área fique em mais baixo-astral ainda. - Na última sessão do Conselho Deliberativo do Coritiba, o conselheiro e jornalista Cândido Gomes Chagas disse uma grande verdade: o clube de hoje é o Atlético de dez anos passados, com dirigentes donos de passe dos jogadores, aspones em alta escala e remunerados. - Sem estardalhaço, no passado, Arion Cornelsen, com sorteios, construiu o então ‘‘Belfort Duarte’’. A decadência coxa é tão grande que o Pavoc (o parque do Rio Iguaçu) e a Clínica João XXIII pertenciam aquele dirigente e passaram para o Atlético que recebeu uma fortuna pela indenização do canal de desafogo e com a qual montou seu centro de treinamentos.
FOLCLORE Nada mais parecido com aquele ‘‘misturador de vozes’’, aplicado nos aparelhos telefônicos, do que a massa de informações desconexas sobre a tal reforma do secretariado estadual. Decepcionar não pode até porque, em relação a esse governo, seria mais um caso de absoluta redundância.
CROMO A melancolia do fim de tarde tem seu contraponto no solo cantado do sabiá laranjeira, sua arma de sedução.
AFORÍSTICO Nessa tal reforma secretarial se tem uma idéia da não notícia, daquilo que rescende a contra-informação.

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