Luiz Geraldo Mazza
Quem está ciente de que vai perder as eleições sempre costuma dizer que as pesquisas de nada valem e sim aquela do dia do pleito. Sejamos claros, ainda mais quando a campanha, como acontece agora, se afunila na reta final: só as pesquisas que favorecem os nossos candidatos é que são boas. Esse raciocínio leva a outra verdade: o único pecado mortal numa eleição é perdê-la.
Institutos de pesquisas, de um modo geral, nesse pleito municipal, foram mais derrotados que os candidatos. Fenômenos marcantes, e de massa, não foram bem detectados pelos sensores e a rapidez com que se processaram impediram que esses fatores de última hora, alguns fortíssimos como o de Londrina, que fez o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) desabar em menos de 48 horas, se mostrassem claramente definidos.
Em toda a eleição surge a onda de que as pesquisas foram induzidas e que se deveria implantar CPIs a respeito no Senado, na Câmara Federal, nas câmaras estaduais e municipais. Depois que a poeira assenta, percebe-se que tudo ficou na ameaça em função do momento da divulgação e só se vai levantar mais dúvidas na próxima parada eleitoral. Enquanto isso os institutos continuam fazendo as sondagens sobre comportamento, mercado, audiência de rádio e tevê e leitura de jornais e revistas e ninguém reclama, certificando, por ação ou omissão, a sua qualidade.
Um dos partidos que mais chiou contra as pesquisas foi o PT na palavra exaltada do deputado federal Aloísio Mercadante. Surpresa ou não, justamente o PT foi o partido que mais cresceu nos centros de mais densa politização. Há indicações desses institutos que mostram uma habilitação tanto de Lula quanto de Ciro Gomes, aliados à esquerda em tantos lugares, para liderarem a batalha presidencial. Aos poucos, porém, os institutos, rastreando o Brasil, apuram que o presidente FHC, que estava rigorosamente na fossa, começa a recuperar terreno em simetria com a melhora da economia, nível de atividade e de emprego tanto formal quanto informal. Se de um lado os ventos favorecem o PT, de outro o PFL, o mais realista dos governistas, também se habilita a manter espaço.
Um petista ao ver a recuperação dos índices presidenciais alega que se trata de manipulação e um pefelista, ao observar a manutenção de Lula em primeiro, despreza o fato e o aponta como passageiro. Sempre assim: pesquisa boa é a que confirma o que desejamos e nada mais.
SER OU NÃO SER Nada mais obscuro e dissimulado do que o PT nesta eleição. A face angelical assumida é falsa, o dístico é fajuto e de vermelho se fez amarelado na estrela clássica, ocultaram o Lula, enfim simulacro geral.
No meio de tudo aparece o Jorge Samek acusando a Pesquisa Folha, a nossa, de ser vendida e de ter ganho o prêmio Pinocchio. Isso é impossível. Samek é o ganhador fora de concurso, ninguém o supera: criticou agora a falta de participação nas decisões urbanas, posição bem diferente da quase bajulação que fez a Cassio Taniguchi num desses encontros havidos anteriormente, tudo devidamente gravado. Ele, o vereador Borges dos Reis e o arquiteto Marcos Alzamora foram flagrados.
Samek poderia declamar o ser ou não ser de Sheakespeare fazendo o papel tanto de Hamlet, desde que com um nariz pontudo, ou do Cyrano de Bergerac, cuja nasca o obrigava a esconder-se.
SUGISMUNDO Campanhas oficiais como a do Bráulio, um escorregão da Master, às vezes atrapalham a vida dos homônimos. Em certas ocasiões, no entanto, acabam ajudando. O Sugismundo, por exemplo, também de uma campanha oficial no regime militar que jogava lixo na rua, dentro de casa ou nos rios. Pois na cidade de Paranaguá um candidato de nome Segismundo valeu-se do ícone da craca e do empestamento do meio ambiente e quase foi eleito prefeito. Ficou em segundo.
VIRTUAL A Igreja Católica no Rio de Janeiro deu uma ordem para que nenhuma das paróquias permitisse que a Rede Globo utilizasse seus templos para a montagem do casamento de Edu e Camila. É que Camila está grávida do ex-amante da mãe, também mãe solteira e a suruba da novela irrita meio mundo na pregação de um alegre hetairismo que não se imagina nem para os primeiros dias do mundo.
Esse hábito de tentar obter vitórias no plano virtual é mania da moda, sem falar, é claro, no mestre e PHD Jaime Lerner. Uma das mais comuns é a de mostrar negros em posições de destaque como profissionais liberais, gerente e executivos, o que ajuda a manter a autoestima em alta, mas não elimina os bloqueios da realidade. Outra incrível estimulação às alcoviteiras está na maneira cafajeste com que as mulheres revelam suas intimidades publicamente e não respeitam nem as hemorróidas dos maridos. Se se pretende mostrar que o nosso tempo é aético e sem pudor está aí uma dose exagerada.
PATRULHA Se no tempo de Richa o patrulheirismo foi comum ao lado de outras deformações como o assembleísmo dá para imaginar o que vai se dar na Capital, Londrina e Maringá com a vitória, nestas duas últimas já garantida. É normal e isso não deve assustar, pois tem um lado bom no empenho da devassa que com o tempo se torna mais suave até ajustar-se. Ocorre que a maioria legislativa é contra o PT, o que acabaria criando um clima de pressões pelo exercício da cidadania.
Ney Braga se elegeu governador em 1960 com minoria parlamentar, mandou brasa até com exagero contra o antecessor (Lupion) via Rubens Requião e com o tempo as coisas se acomodaram. Nada é impossível, mas um pouco de cautela contra exageros não faz mal a ninguém.
BANESTADO Dentre as heranças terríveis do Banestado, que vão ocupar a atenção do Ministério Público por muitos anos, há um megaprocesso (nº 1.019626) no Banco Central em cima de mais de 500 operações, envolvendo mais de 78 pessoas, fato já referido pela diretora Teresa Grossi, que abrange um período que vem de 1985 até os dias atuais, mas a patologia maior desses R$ 700 milhões é do governo atual.
MORBIDEZ O petista, revoltado, lia na banca de jornais a Pesquisa Folha mostrando a ultrapassagem de Ângelo Vanhoni pelo Cassio Taniguchi e, ao fundo, a musiquinha Vai ver// vai ver// mudança de estação// É a passagem da primavera, até aqui meio esquisita, para o verão.





