Luiz Geraldo Mazza
A compulsão leiloeira do governo Lerner, que se seguiu à quebra genérica do Estado e à contaminação dos seus ativos por atos de irresponsabilidade e fraude, vai ser testada na semana próxima, se até lá não houver uma decisão judicial em contrário, com a venda do Banestado. A gestão atual, por viver mendigando adiantamentos, para acertar problemas emergenciais de caixa, junto ao núcleo-chave da área econômica da União, perdeu aquele mínimo de respeito para que pudesse pleitear o adiamento do maldito leilão.
Depois do Banestado, num arranjo que tem tudo de uma doação, teremos a venda da jóia da coroa, a Copel, também atingida pelas ações temerárias do governo e que sofre o risco de ter antecipada a sua liquidação devido ao caucionamento de suas ações, no valor de R$ 400 milhões, para cobrir a barbárie dos títulos estaduais. Quase tisnada pelo lamaçal espirrado da manobra da compra das ações da Sercomtel, causa mais imediata da craca acumulada em Londrina e que atingiu a segunda maior liderança do sistema, o prefeito Antonio Belinati, a instituição vai pagar pela ousadia temerária do governo Lerner.
Há uma espécie de paranóia nas forças situacionistas, que se aguça agora com a possibilidade da derrota em Curitiba, ratificando as dos demais centros como Londrina, Maringá e Ponta Grossa, em acelerar o processo desse desmanche estatal. O açodamento com que se atiram nessa aventura está caracterizado na forma como reagem aos pleitos para adiar o que vão fazer com o Banestado. O empenho claro é transformar toda a sordidez da pilhagem deste e dos governos anteriores numa espécie de anistia geral, enquanto se lança essa documentação num simulacro de aterro sanitário.
Estudo recente (setembro) do Banco Santander sobre o setor elétrico destaca que a Copel foi a empresa de maior crescimento entre as de energia da América Latina (25,5% de crescimento composto entre 1999 e 2002). Num dos tópicos o relatório diz o seguinte: A Copel tem como principal catalisador a definição do modelo de privatização. A nossa opinião é de que a empresa pode continuar como integrada, controlando ativos de geração, transmissão e distribuição. Mantendo esta situação, a Copel é atualmente o melhor ativo de energia a ser vendido no País e, nos preços atuais, a melhor oportunidade de investimento no setor elétrico do Brasil.
Quanto mais intenso é o brilho da jóia da corôa maior a pulsão temerária dos leiloeiros que vendem o passado e o futuro do Paraná.AFORÍSTICO
Uma pesquisa Internet do Hora H revela quem pesa mais negativamente, ao ver do público votante, nas campanhas de Cassio Taniguchi e Ângelo Vanhoni: Jaime Lerner naquela é uma quase unanimidade, nesta o MST
BIZARRICE O PMDB vai fazer ainda este mês um torneio de pesca no Rio Barigui. Objetivo é tirar sarro de uma declaração de Cassio Taniguchi de que há quem pesque naquele curso dágua. Até na saída do ladrão do Parque Barigui são capturadas carpas. Queremos ver é o Requião, que deu a idéia do torneio, e o Cassio, que se referiu à piscosidade do rio, comerem os peixes ali fisgados.
AXIOMA A greve não salva o Banestado do leilão e este acaba decidindo a eleição no segundo turno. Só falta agora o candidato situacionista repetir que está se decidindo o destino da cidade e não do Estado falido e pilhado no maior espetáculo de corsarismo da história paranaense. Não espanta se houver, a partir de agora, um movimento pela beatificação de Lupion.
GLOSA Ornitologistas descobriram o que a cidade já tem avistado há mais de um ano na presença de papagaios em Curitiba. E estes não se confundem com os outros que dominaram o horário eleitoral gratuito.
SPRAY Caso Curitiba não fosse centro de poder e por isso mesmo protegida pela malha de mediadores, não teríamos aqui, com a pressão da sociedade, revelações como a dos casos de Londrina (Belinati) e Maringá (Paolicchi)? - Essa talvez seja a explicação para a facilidade das ocorrências no poder público estadual e muito bem definidas no episódio da quebra do Banestado, área de transações de toda fauna político-empresarial, permanente beneficiária do saque aos bens públicos. - Nenhum governo escapa no histórico do Banestado. O jornalista e publicitário Benedito Pires fez um relato interessantíssimo, ainda não publicado, sobre essa novela de deformidades que é o histórico do banco até o governo Richa. - Depois de Richa, muito criticado por ações no Banco del Paraná e denunciadas por seu sucessor, Alvaro Dias, as deformações continuaram como rotina e culminaram com o festival máximo do governo Lerner. - As coisas se tornaram mais claras com as ações do Ministério Público e de auditorias internas como as que detectaram a roubalheira na Leasing. - Raramente os fatos vinham a público e isso só ocorria quando havia conflito político. Assim se deu com o governo Paulo Pimentel quando Canet Júnior, presidente do banco, e o diretor Celso Sabóia abandonaram seus postos por discordarem de movimentos que visavam privilegiar empresas pela ação do secretário da Fazenda (a história se repete como farsa, segundo Marx), Mayrink Góes, fora das normas bancárias.
FOLCLORE O jornalista Fábio Campanha desenvolvia um raciocínio curioso sobre as eleições: enquanto o cronograma se mostra curto para Cassio Taniguchi, ele se revela longo demais para Ângelo Vanhoni. E fez a analogia com um goleiro de sua terra, Foz do Iguaçu, denominado Marujo, que tinha a mania do Chilavert, do escrete paraguaio, ou do Rogério Ceni, do São Paulo, de bater penalidades. O argumento do goleiro trata um pouco da perplexidade dos candidatos da Capital: Quando eu estava no gol para uma penalidade, as traves me pareciam muito distantes uma da outra e quando eu ia bater como atacante elas aparentavam estar muito próximas uma da outra, deixando um espaço mínimo para acertar o gol!.
Se o Cassio agir como os corredores brasileiros do revezamento 4 x 100 pode até ganhar, ainda mais se o Ângelo Vanhoni demorar para sustentar posição como fez com aquele aturdimento na tv ao ser perguntado sobre o Procel.
CROMO O mistério dos gestos: o dedo indicador, molhado de saliva, na boca da jovem determinada; o presidiário, recambiado, pondo a língua de fora. Nem erotismo no primeiro, nem heroísmo no segundo.





