Luiz Geraldo Mazza
Se tivesse moral, o governo paranaense teria obtido a transferência de data para o leilão-doação do Banestado. Ao perceber que o fato seria impactante para a candidatura de Cassio Taniguchi convenceu-se, apesar da resistência do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que desde o início não queria admitir qualquer adiamento alegando que o preço era muito caro (barato é queimar R$ 500 milhões em propaganda em quatro anos) pela multa do Banco Central, de que precisa levar a privatização para novembro.
Ocorre que as razões do governo federal devem ser muito fortes já que tudo o que faz visa, antes de tudo, atender expectativas dos credores e investidores internacionais. Além de tudo a mendicância permanente de agentes do governo paranaense, chapéu na mão, vendendo ações da Copel, buscando antecipação de royalties de Itaipu, em aberta manifestação de prodigalidade, queima de recursos para atender folha de pagamento, agredia a doutrina vigorante em cima do ajuste fiscal e de um mínimo de austeridade.
O jeito é confiar na Justiça e esperar que emplaque uma das muitas ações em trâmite na área federal, a última delas firmada pelos senadores (só falta agora um dos agentes do situacionismo repetir que eles são inimigos do Paraná, aquela chantagem sentimentalóide e safada de sempre) e pelo primeiro dirigente do Banestado, Luis Antonio Fayet. Aliás o testemunho desse economista é usado seguidamente pelo senador Roberto Requião por afirmar ter recebido o banco, que fora gerido por seu colega de Badep, Heitor Walace Requião, primo daquele, cheio de músculos, vigoroso e sem anabolizantes, o que, convenhamos, é uma verdade extremamente relativa, tanto que a Justiça Federal anda a apurar os crimes do colarinho branco ocorridos na gestão Alvaro Dias.
Segundo as informações, os próprios interessados na licitação não enxergavam qualquer inconveniência no adiamento. Pesou, portanto, diante de tais razões e circunstâncias, a imagem de mau gestor do governo paranaense e sua compulsão pela prodigalidade. Pagamos todos nós - as instituições, principalmente - por esse período negro de nossa história nas artes do desmanche estatal, recheado de fraudes e de corrupção, como se vê no caso da Leasing e da Corretora e quando nem começamos ainda a desembrulhar os nós da área de Câmbio e com maior nitidez do setor imobiliário, no qual se fez a dança das monetizações passando ao governo (o do futuro certamente, que dificilmente será do time atual) a tarefa de cobrar de inadimplentes crônicos, protegidos com essa manobra digna dos mais atilados prestidigitadores.





