Luiz Geraldo Mazza
Se queremos ser considerados inocentes, devemos responder não apenas por nós mesmos, mas também por nossos assessores. Antes de tudo, é preciso prestar atenção para que nos façamos acompanhar por pessoas que se preocupam com nossa reputação e nossa vida; em seguida, se entre alguns homens selecionados a expectativa inspirada pela amizade nos traiu, devemos puní-los, e viver continuamente na crença de que seremos obrigados a prestar contas de nossos atos. Essa é de Marco Túlio Cícero, Segunda Ação contra Caio Verres II.
Os clássicos parece que detinham a força de permanência, de uma quase eternidade no que diziam. Num tempo de valores descartáveis, como se dá em nossos dias, essas frases e reflexões castigam o deboche do nosso dia a dia especialmente quanto aos costumes políticos e administrativos. Servem para Lerner como para Fernando Henrique e valem mais do que uma ameação de punição.
Vejamos outra, eloquente, ainda das Verrinas, de Cícero sobre a corrupção, tema dominante em todos os campos. Imaginemos o que ele disse, com a mesma força e veemência com que se dirigiu a Catilina, aplicado aos nossos gestores: Os membros de sua equipe, escolhidos por você, eram suas mãos: os prefeitos, secretários, oficiais de Justiça, médicos, advinhos, arautos eram suas mãos; quanto mais um deles estava ligado a você por parentesco, afinidade ou compromisso, tanto mais era considerado sua mão; aquela comitiva inteira, que fez mais mal à Sicília do que se fossem cem agrupamentos de escravos rebelados, era inquestionavelmente sua mão. Qualquer propina tomada por eles, não importa o destino, é preciso julgar que não somente foi dada a você, mas dada em dinheiro, nas suas mãos. Pois se esta defesa passar a ser válida Ele não recebeu nada pessoalmente convém suspender todos os processos de extorsão e peculato. Afinal, não haverá nenhum réu, por mais culpado que seja, que não possa usar essa defesa.
Presidente, governadores, prefeitos, gestores públicos de um modo geral, a quem os romanos chamavam de magistrados a todo e qualquer ocupante de cargo público, não esqueçam que a extensão dos atos praticados e das omissões, tudo, enfim, sempre será, em qualquer circunstância, a sua mão.
Comites illi tui delecti manus eram tuae. Os membros de sua equipe, escolhidos por você, eram suas mãos. Os que trataram das teles, os que cuidaram do Sivam, os que acertaram a base parlamentar para a emenda da reeleição eram as suas mãos. Como também os que facilitavam o desmanche de automóveis ou o do próprio Estado, no caso local, eram as suas mãos. Como aquelas outras mãos que surrupiaram o Banestado eram também as suas.
AFORÍSTICO
Se o leilão do Banestado sair dia 17, Taniguchi acaba arrematado
BIZARRICE Quando Taniguchi perguntou a Vanhoni o que era Procel o espanto foi tão grande que quase o petista canta em forma de trocadilho o hino religioso Procel, Procel// com minha mãe estarei// na santa glória de um dia// Na verdade o verso é No céu, no céu// com minha mãe estarei...
AXIOMA O governo tenta defender o pedágio que, segundo a voz oficial, salva vidas. Muitos dos que sofrem acidentes o devem à irritação que se segue ao pagamento absurdo de um serviço que não é prestado. Pura toalete, nada mais.
GLOSA Se o Vanhoni é um chupador de propostas, o Lerner o é em escala mundial. Tanto que alguns turistas brasileiros, ao viajarem para o Velho Mundo, se surpreendem com o fato de a Europa, mesmo a renascentista, ter plagiado o nosso governador e arquiteto.
EPIGRAMA Tudo o que o funcionalismo estadual conseguiu de relevante nos últimos 15 anos se deve a José Richa. Com ele surgiu o 13º, que o governo atual não vai pagar, e a equiparação entre o pessoal da ativa e inativos bem como foi o tempo de reajustes frequentes.
METÁFORA A pombinha, símbolo da paz do PSB, estava ficando cada vez mais parecida com a lâmpada-coração do Taniguchi e em virtude de protestos e denúncias da praça, a Comissão Nacional do partido decidiu, anteontem, cortar o apoio ao candidato pefelista. Isso tem mera significação formal, já que o PSB, só agora, conseguiu eleger vereadores. O legislador Jota Pê, por exemplo, é versado em Harold Laski e em Hobbsbawn.
Para compensar a inocuidade dessa decisão, que nada altera, o comitê da situação divulgou um depoimento de Célio de Castro, prefeito do PSB de Belô e candidato à reeleição em segundo turno, elogiando Curitiba e seu prefeito.
Que o PSB nada tem de socialismo não espanta, pois o PT, pelo menos o que está se habilitando em todo o Brasil, inclusive aqui, também é rosa-choque e foge, como um punk de um desodorante, de temas como luta de classes, MST e renega com maior frequência do que São Pedro a Cristo (foi apenas três vezes) o seu líder barbudo, Luis Ignácio Lula da Silva.
AQUECIMENTO Pelo jeito, agora a campanha esquenta. Ninguém mais aguenta poemas pastosos e o bom mocismo dos dois candidatos. Já há dossiê alentado negativo sobre os dois. Os de Vanhoni se referem a agitos de invasão de terras e nas quais ele aparece na infantaria e no Estado Maior. Os de Taniguchi a ações de improbidade que correm na Justiça por haver adjudicado em favor de sua empresa, a Executive, licitações na Urbs e Ippuc. Outros estão na fila como o de uma gravação em que o prefeito diz às seguradoras que não se mete contra desmanches e as contestações contra a Consilux, inadimplente no Acre, e que explora o sistema de fiscalização eletrônica (pardais) de Curitiba.
FOLCLORE Um debate à altura do momento político na capital, segundo o Orlando Carlini, mau humor tempo integral, seria o Ângelo Vanhoni desfolhando margaridas na base do bem-me-quer e mal-me-quer, o você decide floral, e o Cassio Taniguchi buscando e encontrando um trevo de quatro folhas num dos parques municipais. E se fosse no Barigui, faria esquecer o odor das águas.
CROMO A pomba da paz no Oriente morta em Jerusalém é comida de formigas.





