Luiz Geraldo Mazza
Para que esta fase da campanha eleitoral, que se prenuncia excitante, não transforme o corpo a corpo num porco a porco é indispensável que haja o cuidado em preservar a animação sem permitir que a paixão se sobreponha à emoção. Esse embate está muito parecido com o de 1985 entre Lerner e Roberto Requião no concernente à correlação de forças, embora a aparência de maior força da arregimentação governista.
Há empenho no PT em atrair brigadas de outros Estados (Santa Catarina em especial, já que em São Paulo e Porto Alegre há batalha difícil) para dar apoio logístico nas ações de rua. Uma carreata, anteontem, mostrou que até aí Vanhoni pode surpreender. Por isso mesmo o situacionismo não subestima esse poder de fogo e o esforço em aquecer tais manifestações.
As cúpulas dessas campanhas deveriam articular um entendimento para que não haja transbordamentos como os havidos no sudoeste. Em Dois Vizinhos, agentes do PSDB, ligados ao deputado Luiz Fernandes Litro da Silva, quase mataram o ex-deputado Nereu Massignan que teve o maxilar fraturado porque investigava compra de votos. O delegado de polícia estava comprometido com o candidato Zezinho Raminski e foi substituído. Um irmão do deputado Litro, que participou da agressão, e outros algozes estão com prisão preventiva decretada.
O vencedor foi o Padre Lessir que já havia sofrido atentado. Não vamos fazer da campanha em Curitiba uma espécie de Arena da Baixada. Facada só a figurada, aquela graninha que o cabo eleitoral pede ao candidato.
Objetivo do alertamento é para que se criem nas falanges da campanha um sistema de autocontrole, a fim de evitar tensões indesejáveis. A invasão de Curitiba, desde que ordeira, é apenas um elemento a mais de motivação. Lembro, por exemplo, de uma caravana de petistas da terra que se deslocaram para Londrina quando o Cheida venceu as eleições. Era alegoricamente uma espécie daquelas brigadas românticas que foram ajudar os republicanos na Guerra Civil espanhola. Tudo isso em termos alegóricos e mágicos, o que é muito bom. Samek e Vanhoni estavam nessa viagem. Eu os vi, cumprimentei e apoiei na sua passagem numa curva do Centro Cívico, do qual estão mais perto hoje do que naqueles alegres dias.
GLOSA
Se o Itaú ou o Bradesco arrematarem o Banestado levam de nhapa, imaginem só, a Copel. Êta governo de coração mole com os poderosos e duro com a maioria
BIZARRICE Finalmente Curitiba vai ter metrô: a casa noturna de strip-tease reabre no dia 10. Como o outro metrô, o de transporte, é debatido agora (uns o desejando enterrado, outros aéreo e ainda um minhocão contínuo), este se presta a todas as posições. Deitado, em pé, voando, semi-enterrado, enterrado e até deslizando no minhocão. Portanto, o único e verdadeiro metrô é o da Alameda Cabral.
AXIOMA O PT está fazendo tantas exigências burocráticas para o debate na tevê que deixa transparecer medo-pânico do desempenho do seu candidato ou ainda, coisa pior, a paranóia de que os meios de comunicação são contra o partido quando estes é que criaram o clima para a degradação do governo, simplesmente cumprindo a sua função de informar.
EPIGRAMA Gionédis anuncia que se o leilão do Banestado for protelado o 13º do funcionalismo estadual não sai. Um governo que transforma numa olimpíada cada fechamento mensal da folha de pagamento não teria como, de qualquer jeito, pagar o abono natalino. Então o transformou em moeda de troca para justificar o açodamento em liquidar o banco.
Essa aí pega na orelha do Cassio Taniguchi que acaba entrando em nocaute antes de iniciar a luta.
SPRAY O aperto de mão do deputado Cleiton Crisóstomo no seu colega Neivo Beraldin é parte da briga entre a Casa e o pomposo Tribunal de Contas regido pelo pai do agressor. - Como Reinhold Stephanes Júnior defendeu o pai na troca de tapas com o líder Valdir Rossoni, Cleiton fez o mesmo com Beraldin que vive a denunciar abusos daquela Corte. - Nas amarras do ajuste fiscal cresce a idéia de reduzir poderes e até extinguir do mapa o TC, isso em escala nacional, dada a insistência com que esse organismo não se ajusta aos percentuais de gastos. - Quando Aníbal Khury era vivo ele controlava parte dessas pulsões com habilidade política ou ameaçando criar o TC dos Municípios com o que protegeria aliados de deputados, prefeitos acossados com a desaprovação de seus relatórios contábeis. - A direção atual da Assembléia não tem peito e muito menos imaginação para encarar a turma do TC. - Não foi fácil arrancar um acordo entre as equipes de Vanhoni e Taniguchi para o debate da Band amanhã. - No primeiro momento o PT não queria jornalistas, depois pretendia limitar as perguntas e impor que a mesma indagação fosse feita aos dois. Que tal em lugar de saber se um deles fumou maconha perguntar se fez troca-troca? - Caso Paulik, o fujão de Maringá, pode atingir o governo estadual pelo uso de um avião. Bem, já houve, também, aquele de Araucária, do cara das drogas. - Fala-se que o PT não teria quadros para a gestão da cidade. Pode, sim, desde que imite Ney Braga que os arrebanhou na universidade, não dando prioridade a gritalhões de assembléia. Aliás dá para lembrar de uma referência petista, Lamartine Correa Lira. Que perfil pra governador, hein? Haveria outro com as credenciais do saudoso professor? É a pista para um candidato à sucessão e para quadros. Sequelas eleitorais: em Guaratuba, o prefeito, que perdeu, despediu 150.
FOLCLORE Curitiba, segundo entendidos na área psicossocial, estaria apta a aceitar Lula que sempre rejeitou. Há quem entenda que a sua presença tira votos do Vanhoni. Brizola o chamou de sapo barbudo. Se teria mudado para príncipe, na ótica dos curitibanos, quem o teria beijado?
CROMO Na mata escura, os pirilampos se confundem com estrelas cadentes.
AFORÍSTICO Para clarear de uma vez a dúvida de políticos: não existe academia de caráter. Há, sim, a de caratê.





