Luiz Geraldo Mazza
Até agora o governo estadual vem se esmerando num projeto: o de perder o pleito de Curitiba de forma programada, levada ao refinamento. O cronograma da venda (na verdade, uma doação, tão violenta quanto a do Bamerindus, o que prova, uma vez mais, a nossa baixa representatividade) do Banestado é um desses indicadores. Obra de trapalhão fazê-la no furor da campanha eleitoral.
O pior, porém, é o festival de mentiras do governo, apostando na falta de memória do respeitável público. Uma ata do Conselho Diretor da Leasing (208ª reunião, de 25 de novembro de 98) mostra que Neco Garcia, o presidente do banco estadual, inconformado com a promoção de Osvaldo Magalhões dos Santos, ex-dirigente da empresa, para secretário de Estado, revela que havia informado pessoalmente ao governador Jaime Lerner da roubalheira toda. Não é, portanto, procedente a informação de Lerner e Gionédis de que o governo tomou a iniciativa de apurar os desvios. Quem o fez foi a auditoria do banco, apoiada em investigação policial e acoplada ao setor jurídico.
Aquela nota, atribuída ao Banestado e sem identificação do autor, colocada recentemente na primeira página dos jornais, tentando driblar a opinião pública nas questões da Leasing e inocentar seu dirigente, dá bem a idéia da incapacidade desse pessoal nas artes de mentir. E depois ficam a exigir que o Vanhoni exiba sua verdadeira face. A deles, qual é?
BIZARRICE
Depois das cenas de anteontem a Arena da Baixada vai mudar de nome para Caneco de Sangue. Essa é do Elísio Marques, anarco-espirituoso
AXIOMA Não apenas acreditamos que o governo Lerner nada sabia da Leasing como também que neste ano, graças ao 13º que o Gionédis vai pagar, teremos um Natal feliz porque Papai Noel não falha. Acreditamos que na Páscoa, quando chegar a hora do Coelhinho nos trazer ovos de chocolate, o Cassio Taniguchi estará sorrindo na prefeitura e o Vanhoni ainda chorando na Assembléia. E o Cassio estará duplamente feliz porque o Coritiba terá sido bicampeão brasileiro.
GLOSA Por falar em futebol: do jeito que as coisas andam com as torcidas organizadas é de constatar-se que há mais craque na arquibancada do que em nossos gramados.
EPIGRAMA O deputado Ribas Carli denuncia que o conselheiro Mattos Leão, do Tribunal de Contas, fazia campanha para o Victor Burko em Guarapuava. Se no Conselho Político de Lerner há também um deles, e que não é o cunhado, por que os outros não estariam liberados?
Espantaria uma notícia, por exemplo, sobre o TC não aprovando as contas do governo estadual como também algo que esclarecesse inteiramente os Jogos Mundiais da Safadeza, nos quais Nestor Baptista deu uma cutucadinha na questão do Canal da Barragem em Itaipu.
UTOPIA Com a globalização e a suposta entronização da filosofia única, chegou-se à conclusão de que não há mais como visualizar uma utopia. Pois o DIEESE insiste numa quando projeta o salário mínimo com base no decreto de composição da cesta básica de Getúlio Vargas. Nesse tempo, companheiros, 80% da população estava no campo que não tinha garantia alguma e o mínimo era a referência do trabalhador da cidade. Não há, sem distorção, como fazer o ajuste numérico e matemágico. Salário mínimo de R$ 1 mil quebraria todas as prefeituras, mesmo as grandes, e a esmagadora maioria das empresas. Se um trabalhador de montadora ganha 60% disso dá para imaginá-lo.
O DIEESE é organização séria, acatada no meio científico, e não pega bem fazer analogia tão absurda. A esse tempo (anos 30) no campo era comum a orelha de jegue que afanava no armazém da fazenda o trabalhador em suas compras. Havia o cambão, trabalho de graça, e fala-se até, caricaturalmente, no direito de pernada, uma variação do jus primae nocte (o direito da primeira noite), uma herança do feudalismo, que obrigava a filha de um agregado, que casasse, passar a primeira noite com o dono do latifúndio. O noivo, certamente, ficaria impedido até de frestar a cena, se é que um chifrudo involuntário se sentiria compensado com isso.
SPRAY Anteontem e ontem, no Curtume, um verdadeiro psicodrama com a cobrança de deputados estaduais da base aliada, que foram esnobados no primeiro turno, pela ausência dos irmãos Simões (Carlos e Íris) que teriam sido compensados. - Depois da troca de tapas entre o vereador eleito Reinhold Júnior e o Valdir Rossoni que se diz hoje com a fórmula para vencer petista, como o teria demonstrado em União da Vitória, a lavagem de roupa suja foi até as 2 da matina de hoje. - Por que os tapas? Porque Reinhold filho estava bronqueado com Rossoni por ter pedido a cabeça do Reinhold pai, do Banestado, em apoio ao Gionédis. - Não vai ser fácil a tarefa de Heinz Herwig para controlar hormônios. - Alvaro e Osmar Dias vão ficar, pelo jeito, na mesma posição de Requião, relativamente ao PMDB, com a direção nacional do PSDB que discorda do regional e apóia Taniguchi. - Aliás, os dois não se alinham automaticamente, o que não significa que isso não venha criar problemas na sucessão em 2002, correndo o risco de intervenção, como se deu com Requião nas brigas com Quércia. Está divertido. Às vezes o formalismo é a única maneira de punir o oportunismo. Se houver isso, Alvaro tira de letra: cria um partido como fez com o PST ou se engaja noutro como quando transitou pelo PP. - Outra coisa: ponham na cabeça que o arquiteto Forte Netto, em Curitiba, é mais relevante como apoio porque atinge núcleos que sempre foram do lernerismo. - Cena bíblica num dos maiores grupos empresariais do Paraná: Caim entrou na Justiça contra Abel e se os contendores estão livres da morte; o mesmo pode não se dar com a empresa que continua até hoje com saúde de vaca premiada, mas pode acabar na UTI.
FOLCLORE Ficou provado que o segundo turno não vai ser decidido por etapas, mas sim a tapas. O tapa, como ensinava Nelson Rodrigues, é mais humilhante do que o soco por uma razão onomatopaica, o áudio, o som. Ruído inesquecível. Ele fica e a dor e o hematoma passam. Aquele estalo suspenso no ar. Pior do que isso é o pontapé na sambiquira como o que o Garrincha deu no chileno na Copa de 1962. Aí nem matando o agressor, a alma se sente recompensada.
CROMO Entre a estrela de Davi e a do PT, pelo jeito ganha a da Texaco.
AFORÍSTICO Lula queria que nacionalizassem, para facilitar o seu projeto, a campanha municipal, que é, por natureza, eminentemente local. Agora quem está examinando apoios, no segundo turno, na perspectiva de 2002, é justamente a base aliada de Fernando Henrique. Daí atucanarem os tucanos caturras.





