Luiz Geraldo Mazza
Quem são os nomes fortes da política paranaense se não o governador Lerner e os senadores Roberto Requião e Alvaro Dias? Pois bem. Eles foram os maiores derrotados das eleições municipais. E agora, quando tentam ambos tirar alguma casquinha do segundo turno, percebe-se que nos lugares em que não foram claramente derrotados obtiveram uma vitória de Pirro, daquelas em que a derrota parece menos aflitiva diante de um exército extenuado.
Obviamente a batalha maior será em Curitiba por tratar-se do maior bastião do sistema vigorante e lugar em que Requião tem rejeição equivalente aos créditos e em que Alvaro Dias não entra nem lançando mão de todos os recursos da sedução, como as pesquisas e pleitos anteriores o revelam.
Quem ganhou foi o PT não apenas pela obtenção do segundo turno na Capital, mas ainda pela qualificação em Maringá e Londrina, dois dos colégios eleitorais mais importantes do Paraná, nos quais aparecia como azarão. Claro que esses votos em boa parte não são partidários, já que o PT, a despeito de dobrar a sua representação em Curitiba, se transformou no estuário de todos os descontentamentos e frustrações. Isso, aliás, foi em caráter nacional e pela circunstância de fazer do partido o referencial mais consequente de oposição.
Claro que com a vaidade costumeira atribuirão traço superficial a esse tipo de avaliação. Em Londrina e Maringá, Lerner apanhou junto com Alvaro, pois seus candidatos, que ponteavam as sondagens, ficaram fora do segundo turno. O mesmo ocorreu em Foz do Iguaçu, em que ambos apostavam no Spada. Em Curitiba, o fracasso maior foi o do senador Roberto Requião com o PMDB mantendo ainda a magreza a que se submeteu na campanha furiosa de Max Rosenmann com uma bancada que é hoje a metade da do PT, prova de que este ganhou sua carta de alforria e deixou de ser um refém dos interesses do ex-prefeito e ex-governador.
A vitória de Péricles Holleben de Melo em Ponta Grossa sobre o populismo de Jocelito Canto é um feito do PT que se abre, permeável, aos estratos da elite, das classes média média e média alta. Esse fenômeno se repetiu em escala nacional, marcadamente em São Paulo, o melhor nicho de convívio entre a elite e uma suposta bandeira do proletariado.
Se a aliança que sustenta FHC tiver juízo na análise dos números da eleição, tudo fará para mantê-la, a fim de evitar surpresas mais contundentes ainda. E nesse particular, ACM agiu como um profeta, conquanto a indicação de Tasso Jereissati esteja um tanto quanto abalada com a derrota em Fortaleza.BIZARRICE
A inveja é uma fonte permanente de criatividade. Lançou-se por aí a idéia de que o marqueteiro oficial, Vianey Pinheiro, seria o Luxemburgo do Lerner. Ora, se ficou para o segundo turno disputa pelo menos e, na pior das hipóteses, a medalha de prata
AXIOMA Requião, o original, no último programa eleitoral acusou Vanhoni de ser um Judas por renegar o MST e esconder o Lula. Nesse dia, ele tirou pelo menos uns 3 pontos do irmão e acabou favorecendo a quem atacou.
Otimistas do PT acham que nesse segundo turno Vanhoni muda para Ganhoni.
GLOSA Segundo Alvaro Dias, os candidatos que foram acusados de corrupção acabaram levando a pior. E citou o Gianotto de Maringá, o Scarpelini de Apucarana, o Jocelito em Ponta Grossa, o Daijó em Foz do Iguaçu, o Francisco Carlin de Matinhos, o Rizio Wachowski de Araucária.
A análise, se levada a sério, pode levar a uma devassa contra o Taniguchi no segundo turno. Só que o Vanhoni quer uma campanha com poesia e alma, como se estivesse decalcando o Rafael Greca. Em lugar de debates, Jogos Florais.
EPIGRAMA A doçura do Vanhoni, na CBN Curitiba, propondo que a campanha seja feita com alegria mais se assemelhava a uma proclamação hippie. Se ele não pode manter o ar de bonzinho no segundo turno, também o Cassio não deverá fazê-lo com o tom da primeira etapa. Resta descobrir quem fingiu mais. E quem o fará na sequência com maior habilidade.
SPRAY Ainda é cedo para o balanço sobre o Paraná político que emerge dessas eleições. - Apesar do sistema informatizado, havia dificuldades em fazer as avaliações. - De um modo geral, relativamente aos maiores centros, o PT é o grande vencedor. Perdeu União da Vitória, mas conquistou Ponta Grossa e mais sete municípios e disputa o segundo turno nos três maiores colégios eleitorais. - Linha soft e alegre de Curitiba foi bem captada pelo eleitor que se horrorizava com o ar zangado anterior. Essa linha fez crescer o movimento entre os jovens. - Há um cronograma de tensões a caminho: caso das reivindicações da Polícia Militar com repercussões, diretas e imediatas, em Londrina e Maringá, onde o movimento é mais forte e rebelado; a certeza de que os professores voltam a atacar e de que o 13º salário, na melhor das hipóteses, será pago em módicas prestações, como se deu com o terço das férias; e depois de vendidos a Copel e o Banestado, o Estado mergulha no caos e nem fecha as folhas de pagamento, o que já faz com extrema dificuldade. - Ministério Público não descansa e tenta tirar do cargo o prefeito Rizio Wachowski, de Araucária, derrotado no pleito. - Aliás o Ratinho, o apresentador da SBT, tem parte nessa vitória, na da Lapa, na de Maringá, posto que o seu apoio a Carlos Scarpelini, em Apucarana, não tenha dado o resultado esperado.
FOLCLORE A cúpula do PSDB do Paraná, que ontem decidiu apoiar Vanhoni, estava, na dúvida, se aceitava ou não o apoio do Ratinho ao candidato Forte Netto. Havia o receio de que se descobrisse que o animador transferia mais votos do que os dois senadores do partido, o que também não era fácil absorver. Segundo o homem da TV, uma pesquisa indicou que o mais certo seria a abstenção, para a qual também contribuiu o Heinz Hervig que ajudou a convencer o Ratinho a não entrar nessa ratoeira.
CROMO O beijo é como água benta: não deixa pegar sapinho.
AFORÍSTICO Como o governo e a oposição festejam vitória, por que não fazê-los dançar uma redundante quadrilha?





