O senador Roberto Requião, no último momento do jogo político, resolveu bater com força em Ângelo Vanhoni, acusando-o de fazer uma campanha frouxa, anódina e sem denúncias. E no ataque ao Cassio Taniguchi voltou a dizer que o Noronha, aquele delegado de polícia, mais o Caboclinho e o Mandelli e ainda o Cândido Martins de Oliveira é que deveriam ‘‘posar’’ como aliados de Lerner.
Como o Roberto apareceu mais do que o mano Maurício, que é candidato, não vai dar para saber se a rejeição ao principal tisnou o acessório. Provavelmente, porém, se é que ainda tem força na suposta esquerda, pode ter atingido Ângelo Vanhoni numa questão crucial – a da identidade verdadeira, oculta para sugerir que é palatável. Acusou Vanhoni de ser desleal, a um só tempo, com Lula e com o Movimento Sem Terra ao dar explicações frouxas em torno de sua presença no acampamento montado no Centro Cívico.
O senador costumava, por uma complacência inexplicável da direção regional, colocar o PT a reboque dos seus interesses. Já, na última eleição, o PT passou dos 10% de votos na cidade e se sentiu encorajado a queimar etapas e sair da linha auxiliar para a disputa direta do poder. Cortado o ferrão da abelha africana, radicalismo posto de lado porque o curitibano o repudia, o Vanhoni fez uma campanha que parecia decalcada do lernerismo e aí aparece, lampeiro, com aguda esperança de levar a eleição para o segundo turno.
Há um lado procedente na ‘‘bronca’’ do senador: o PMDB deve fazer bem menos votos, tanto no pleito majoritário quanto no proporcional. Cálculos indicam que o PT fará um vereador a mais do que o PMDB. Se o Requião verdadeiro fosse o candidato haveria a possibilidade de superar o deputado Ângelo Vanhoni e levar, com certeza, a eleição para o segundo turno. Isso também vai ser cobrado, afronta que o senador não tolera com seu estilo imperial.
GLOSA
O cidadão teve que ir ao psicanalista: não suportava olhar para a tevê sem ver os programas da Justiça Eleitoral
BIZARRICE Até agora as privatizações deram com os burros n’água: o telefone pifa, o trem descarrila e na energia há os ‘‘apagões’’. Em compensação o governo estatiza as privadas: as da Rodoferroviária cobram por sentada na patente, isso para os pobres, já que os ricos podem defecar à vontade e de graça nas do aeroporto de Afonso Pena, como diz o Jamil Nakad.
AXIOMA Na novela da Globo, ‘‘Laços de Família’’, a confidente da Helena (Vera Fisher), lembra um exercício machista, aquele que foi usado pelas Malas Ika: ‘‘Amor de Ika vai e fica’’. Qualquer dia chegamos ao ideal: em cada casa um ‘‘voyeur’’, um frestador, na sala de visitas.
EPIGRAMA O governo leileiro quer vender a Prisão Provisória do Ahú. Segundo pessoas do PMDB, ao diminuir drasticamente as vagas em presídios, o governo está legislando em causa própria e com forte visão do futuro.
SPRAY O magnetismo de torres de celulares ameaça a clínica pediátrica do Hospital Nossa Senhora das Graças, segundo o neurocirurgião Afonso Antoniuk.- Picaretas tentam contestar, sem base científica alguma, os riscos da irradiação e sofrem contestações seguidas de engenheiros da área e de médicos. - O racha por causa de cartórios pode toldar as articulações visando a nova direção do Poder Judiciário. Até agora são três candidatos. Alguns cartórios vão perder titulares na sequência de correições. - Justiça eleitoral está de olho em pesquisas publicadas no interior por institutos desconhecidos. Depois do pleito é indispensável que se denuncie as aberrações. Tese antiga do Rogério Bonilha é a de que entidades de controle do exercício profissional nas áreas de sociologia e estatística deveriam exigir o enquadramento das entidades e a existência de especialistas no assessoramento. - Tranquilidade na área do governo sobre a eleição de Curitiba decorria de estudos analógicos entre as situações vividas nos dois últimos pleitos anteriores. Rafael Greca se elegeu no primeiro turno com 42 pontos e Cassio com 43. Como se vê, embora a vitória, números são muito próximos. - Carreata em Guaratuba do José Ananias, candidato de oposição, reuniu anteontem quase um quarto da frota da cidade balneária com carros, ônibus, tratores e bicicletas. - Em Campo Largo, duas pesquisas com resultados contraditórios: uma aponta a ‘‘virada’’ de Newton Puppi, outra dá de ‘‘barbada’’ para Affonso Guimarães. Como é a campanha com maior número de incidentes na Região Metropolitana, dá para imaginar o que ainda pode ocorrer até amanhã. - Ruy Carneiro Teixeira Filho, candidato a vereador, faz campanha com projetos de lei: um deles autoriza ‘‘vans’’ a operarem como alternativos no sistema de transporte de Curitiba, o que seria uma espécie de ‘‘perueiro’’ com crachá; outro obriga a que a construção de qualquer ‘‘shopping’’ passe pelo crivo da Câmara Municipal e consulta popular. - Pesquisas Datafolha e Ibope sobre a eleição de Curitiba só serão conhecidas hoje no fim da tarde na TV Paranaense e na ‘‘Gazeta do Povo’’. Ontem boatos eram variados: davam vitória no primeiro turno e também a vantagem para as oposições. - Há um projeto no Congresso que transforma a Empresa Brasileira de Correios para economia mista. Mantém o monopólio da entrega de correspondência e privatiza entrega de malotes e de encomendas. - Absurdo é o serviço de entrega de contas do serviço público (água, luz, telefone). Preço da EBCT é um escândalo: R$ 0,35 por conta quando as contratadas pelas concessionárias cobram entre R$ 0,06 e R$ 0,08.
FOLCLORE Em Guarapuava, uma situação inusitada: um vereador da base do candidato oposicionista, Ribas Carli, reclamava que o cabeça de chapa não teria ido a um determinado bairro, seu nicho eleitoral mais forte. Não deixava por menos: queria que o prefeito ‘‘transferisse as eleições’’ para um período mais folgado e que lhe permitisse a visita às suas bases.
CROMO Você me enganou mais do que candidato em campanha eleitoral: cada dia uma lente de contato dava uma nova coloração a seus olhos.
AFORÍSTICO Pelo amor de Deus não digam ao candidato derrotado que é na adversidade que o caráter enrijece que você pode ser esmurrado.

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