Luiz Geraldo Mazza
As pesquisas estão aí e, de certa forma, confundindo mais do que clareando: a oposição, em Curitiba, mostrou a sua, gerada em universidade, que dá, na estimulada, a garantia de segundo turno. Nessa Taniguchi faz 41,4 contra 45,9 da soma das oposições. Ela saiu no Jornal do Brasil.
A Folha apresentou a sua, admitindo a hipótese do segundo turno, mas apontando um ganho de 3,9 para Cassio Taniguchi diante da soma oposicionista. O registro é dos dias 22 e 23 e de lá para cá as coisas mudaram: se a curva descendente do candidato oficial persistir, enquanto Vanhoni mais do que dobra a sua intenção de votos (saltou de 8,2 para 19,6), o segundo turno se tornaria inevitável.
Curiosidade da pesquisa, que favorece a oposição, está na vitória em primeiro turno da coligação governista na espontânea, que é o voto consolidado: Cassio faz 40,6 e a soma dos adversários dá 35,4. Decodificadores dessas tabulações acabam se tornando tão indispensáveis quanto a presença de um pediatra quando o nosso neto ou filho se apresenta com febre. E daí ao chute, a distância é extremamente curta.
Amanhã é o último dia para o uso do terror pelo menos até a hora em que forem conhecidos os números das sondagens do Ibope e do Datafolha. Qualquer boato ou especulação já é suficiente para deixar as pessoas com os nervos à flor da pele, próximas da depressão. A atmosfera está carregadíssima.
Felizmente, aqui as batalhas jurídicas são de menor impacto que as do interior paranaense. Basta lembrar, aqui na Região Metropolitana, os casos de Araucária, Fazenda Rio Grande, Campo Largo. Em Araucária, depois da cassação do prefeito Rizio Wachovsky veio o pedido de punibilidade igual para o Albanor das oposições, tudo centrado em fitas gravadas.
O fato é que a essa altura não há como imaginar uma fórmula acabada para mudar o senso do eleitor que em maioria já decidiu o seu voto, posto que ainda exista uma cota elevada de indecisos (a Pesquisa Folha dá 17,3%, número apreciável e capaz de mudar o rumo da história) e de gente disposta a votar em branco ou a anular a sua participação. O esforço final será para convencer os indecisos e para levar o eleitor a trocar o seu voto. No governo mostra, como sempre, de força e nas oposições o entusiasmo.
BIZARRICE
Os apoios que Taniguchi está recebendo me lembram em tudo o PDS e a Arena: até a valente crônica esportiva, que aquela época já estava com o governo, manifestou a sua adesão. Só falta fajutar pesquisa para se igualar aos procedimentos anteriores
AXIOMA Uma Mercedes-Benz atravessa a Avenida Nossa Senhora da Luz com decalque do Ângelo Vanhoni: a classe operária vai ao paraíso e a elite ao purgatório.
GLOSA É cabível na Câmara Municipal de Curitiba um idealista? De cara ele é convencido a aceitar os três carros para o seu gabinete e mais a cota generosa de assessores. Aceitou, não tem como exercer papel independente e isso o impede de ser contra a locação de veículos, notório absurdo, pela prefeitura.
EPIGRAMA Derrotas brasileiras na Austrália levaram os supersticiosos a achar que o Galvão Bueno, com suas narrações patrioteiras, é o máximo pé-frio.
SPRAY Seríamos um país de perdedores por causa das Olimpíadas e da acumulação de frustrações da equipe brasileira? A questão está colocada. O brasileiro não se conforma com o segundo e terceiro lugares e contava como certas as medalhas de ouro para o futebol e o vôlei de praia. - Não tem sentido, porém, eleger um culpado, como se deu no futebol, atribuindo-se a desdita a Luxemburgo. Faltou vibração e concentração: um vexame. E que contribuiu para baixar ainda mais o nível de auto-estima de todo o nosso povo. - Quanto à vocação de perdedor, dá para lembrar que a maior parte dos nossos presumíveis heróis aí se enquadram como Antonio Conselheiro, Tiradentes, Lamarca e Zumbi dos Palmares. O povo ergue um manto de divindade para eles e isso faz lembrar a observação de Brecht em Galileu Galilei que infeliz é o povo que precisa de heróis. A nossa compulsão pela vítima e o vitamalismo o explicam. - Lição de moral foi a do STF nos políticos ao suspender a anistia de deputados, senadores e governadores aprovada no Parlamento. Um dos que mais festejaram a anistia aqui no Paraná foi o senador Roberto Requião. - Pedagógica, a medida judicial é desestimuladora dos abusos muito comuns nos processos eleitorais. - A situação dos ilhéus do Paraná persiste a mais precária. O S.O.S. Paranaguá, que celebra seu 10º aniversário, continua inspecionando aqueles bolsões de miséria, dado assistência possível e procurado soluções junto a autoridades. Na Ilha das Peças raramente aparece um médico e no posto de saúde não tem remédio. Na Ilha Guapicu, 20 crianças sem escola, já que foi desmanchada a que existia. Um horror. - A promotora Maria Aparecida Melo Silva, de Antonina, foi afastada apenas das ações eleitorais pelo Ministério Público e por uma razão simples: ela mantém uma ação penal privada contra a prefeita, que é candidata à reeleição. - Aliás, a cidade deu mostras de incapacidade política ao dividir a oposição em cinco. - A Associação de Defesa do Direito ao Silêncio de Curitiba está pedindo investigação sobre o Bar, Restaurante e Pensão Bagdá (esquina da Sete de Setembro e Conselheiro Laurindo), palco de três mortes em um ano e fonte de muitos assaltos perto da Rodoferroviária. Só no dia 24 deste mês houve três assaltos em frente ao Station Mall. Na pesquisa sobre intenções de votos da Universidade o ponto de maior angústia apontado pelo curitibano foi a violência. Em segundo lugar, distante, o desemprego.
FOLCLORE Grande era a expectativa ontem no comício final da campanha de Cassio Taniguchi no Sítio Cercado quando alguém perguntou: E se a dupla Gian e Giovani não chegar em tempo? A resposta: Aí entram para substituí-los o Giaime Lerner e o Giovani Gionédis, aquele com o canto, este com a gaita.
CROMO A pedra não é inerte: ela está no sermão em defesa de Maria Madalena e no meio do caminho no poema de Drummond e pulsa na radioatividade.
AFORÍSTICO Em Araucária pretende-se transformar o embate eleitoral num empate: as coligações principais pedem, pelo mesmo motivo (cestas básicas), a cassação dos candidatos Rizio Wachowski e Albanor Gomes.





