Luiz Geraldo Mazza
Contaram a história do Vanhoni e do seu apartamento classe média luxo, valor presumido de R$ 265 mil, para discutir a sua condição financeira. Já fizeram, em eleição governamental, o mesmo com Alvaro Dias: o hoje vereador Jorge Miguel Samek, concorrente do PT, exibiu na televisão a planta do apartamento do adversário, o que causou desgaste sério.
Não há reparo ético no uso desse expediente porque é uma forma legítima de mostrar o que é e quem é o candidato. Ocorre que a maioria deles adota a linha de sugerir uma identificação com o povo, os humildes, quando desfrutam de uma situação que não gostam de ver revelada.
Mostrar a casa do prefeito Cassio Taniguchi é válido e, mais ainda, revelar que ele, quando dirigente do IPPUC e da URBS, adjudicou em licitação serviços para a sua firma, a Executive. Isso não é baixaria, mas necessidade fundamental de uma campanha para devassar o histórico dos concorrentes.
O PMDB se valeu da aposentadoria legal de José Richa para afastá-lo do segundo turno. Embora legal, a sinecura, que se concede a quem exerce mandato de governador, é cercada de aspectos morais discutíveis e José Richa se viu prejudicado pelas certidões que registravam o fato. Curiosamente Richa havia conseguido eleger-se com o mesmo expediente: acusou o oponente, Saul Raiz, de ter se aposentado precocemente no Tribunal de Contas. Caso de justiça poética. Ou melhor de bumerangue, o que se adapta às artes australianas.
Discute-se se isso é ou não invasão de privacidade. Conversa mole: ginásticas de Clinton com Monica vieram a público na maior normalidade, o que evidencia ser difícil balizar tais limites até porque fazer sexo ou libidinagens em lugar público está longe de poder ser tratado como um assunto privado.
Lula sofreu muito, e com efeitos eleitorais claros, na exploração do caso Lurian. A sordidez ficou por conta da idéia safada de que teria sugerido à parceira que abortasse, o que nos meios religiosos exige o reparo do anátema.
A eleição em Curitiba só agora tende para um tom abrasivo, urticante como queimadura de medusa, água viva dos mares. E isso quando o cronograma se encurta e já não dá mais tempo a incursões sinistras e bem elaboradas.
EPIGRAMA
Tem gente que amanhã já vai sentir falta do horário gratuito na TV. É como aquele sujeito que bate seguidamente com um martelo na própria cabeça e depois se justifica: quando eu paro me faz um bem! Há quem ache que ouvir tais programas dá uma sensação de bem-estar
BIZARRICE Um dos primeiros a solicitar certidão da aposentadoria de Saul Raiz foi o ex-governador Paulo Pimentel, justamente o autor do pedido para que ele deixasse o Tribunal de Contas para assumir uma secretaria em sua gestão. Os que em 85 estavam com o governador Richa e a favor de Roberto Requião contra Lerner ainda continuam com o governo. E os da oposição estão divididos em nada menos de três candidaturas. Unidos, voltariam?
AXIOMA Cassio Taniguchi encerra sua campanha hoje em comício no Sítio Cercado. Como já temos o Centro Cívico cercado, pretende-se cercar toda a cidade para que não haja risco de segundo turno.
GLOSA Dona Fani Lerner declarou que é preciso liquidar a fatura no primeiro turno para não atrasar a novela das 8. É que se houver segundo turno boa parte do cast da Globo vem pra cá para fazer a campanha do Vanhoni. Aí é que atrasa mesmo a novela.
SPRAY Não apenas prefeitos caem em cima do processo eleitoral como se deu com o de Araucária, Rizio Wachowski. Ontem quem caiu foi a promotora de Antonina, Maria Aparecida Melo Silva, a pedido do procurador eleitoral regional. Ela alega que isso foi feito sem qualquer processo com o exercício amplo de defesa. - Havia uma relação conflitual entre a representante do Ministério Público e a juíza da comarca. Em Antonina, não faz muito, um juiz eleitoral declarou lei seca antes do tempo, fechando os estabelecimentos, o que deu margem a recurso seguido da suspensão imediata da medida. - Na capital, houve um acordo informal de cavalheiros entre o magistrado que cuida da propaganda eleitoral, Joatan de Carvalho, e representantes partidários para impor a vedação legal da boca-de-urna. - Há compromisso no sentido de fiel observância da regra, mas quase certeza de que existirá sempre da parte da maioria o intento de burlá-la. - A mobilização no dia do pleito será saturante e uma das preocupações do TRE é a de evitar violação legal e conflito entre partidários. - A oposição não subestima a maior capacidade de mobilização do situacionismo, razão pela qual vai dobrar a fiscalização e com a máxima aplicação. Vamos ter mais de 100 mil pessoas trabalhando no domingo a pretexto de dar assistência ao eleitor. - PFL pretende botar hoje no Sítio Cercado mais de 40 mil pessoas: linhas de ônibus e agentes da Diretran vão organizar o trânsito. A superprodução artística no Parque do Semeador contará com a dupla Gian e Giovani, músicos e bailarinos. - Mesmo com o aumento do interesse do público hoje uma promoção dessas no centro da cidade é alguma coisa condenada ao fracasso. - Acórdãos referentes à quebra do sigilo bancário da Power Brands e do empresário Pantazis estão em fase final de elaboração. Os processos estão com o desembargador Clotário Portugal para feitura do voto divergente, já que a liminar, que concedera em favor dos impetrantes, caiu no exame do mérito. - Mesmas pessoas que atuavam no IPE intermediando procurações de pensionistas continuam atuando. Urge fazer outra revisão como Max Rosenmann adotou quando na direção do IPE.
FOLCLORE No debate dos candidatos a prefeito no auditório da Reitoria, Diego de Sturdze, do PSTU, contava como veio de Florianópolis a Curitiba. Aí o Jamil Nakad, do PRTB, não perdeu a deixa: Olha, está aí uma prova de que você já cumpriu a sua promessa de mudanças ao mudar-se de Floripa a Curitiba. O auditório quase veio abaixo por causa do coração de pedra.
CROMO Um amuleto mais forte que pé de coelho e galho de arruda: a minha inesquecível bolinha de gude jogadeira.
AFORÍSTICO Amanhã é dia de respirar fundo: acaba o circo do horário eleitoral que pouco esclareceu e até despolitizou, emburrecendo-nos.





