Luiz Geraldo Mazza
Quem tem mais bala na agulha para decidir a eleição, se essas indicações do Ibope forem verdadeiras e indiquem que Cassio Taniguchi está com apenas 2 pontos à frente da soma dos oposicionistas? Ainda é o governo que tem maior capacidade de mobilização, mais recursos e capaz de, à última hora, ganhar três pontos na data do pleito. Sua imagem, porém, está degradada: de candidato menos rejeitado, a continuar no ritmo atual, Taniguchi pode levar a medalha de ouro nessa emulação negativa. Essa rejeição, como a dos transplantes, quando não encontra antígenos, provoca efeitos arrasadores.
Debruçam-se os gênios do marketing, ou pelo menos tidos como tal, diante das amostras e gráficos para descobrir o que houve. Alguns, já chegando ao desespero, repetem aquele personagem do Zorra Total que tem o filho meio afrescalhado e se perguntam: Afinal onde eu errei?. Como todos e cada um se julgam mais importantes do que os candidatos, já que como alquimistas dos tempos modernos nunca perdem (quem perde é o partido e o indicado, claro), sempre se esquecem daquele mandamento toda arrogância será castigada.
A decisão de botar Lerner no ar foi precedida da verificação de que a queda do candidato pefelista poderia ser incontrolável e que as críticas em cima do IPTU, da violência, do metrô estavam pegando. Fez-se o cálculo do custo- benefício da operação e chegou-se à conclusão que no balanço das perdas e ganhos haveria um superávit pequeno, posto que, à essa altura, relevante. E Lerner sai-se melhor do que Alvaro Dias na TV: transmite calma e é destituído de tiques teatrais ao contrário dos instantes em que fala de improviso, o que é um absoluto desastre, com reticências facilmente abrandáveis e até, de certa forma, elimináveis pela técnica de edição.
Não se pode subestimar a existência de sedimentos de apoio ao mito Lerner em Curitiba e Região Metropolitana e foi nisso que os estrategistas apostaram. É um salto no escuro. Todavia pela emergência em que foi adotado se percebe que o comitê governista está em pânico e não é mais hora de inventar teses como a do voto flutuante que o Fábio Campana chama de voto passarinho e que o Rafael Greca poderia classificar de voto beija-flor ou voto abelha, aquela que anda de flor em flor e as poliniza. Olha está aí o que falta: um polinizador de votos, que aumente a carga de flores e frutos e que devolva ao QG da Anita Garibaldi o ciclo festivo dos foguetes do Gerson Guelmann.
BIZARRICE





