Nunca, na história paranaense, o Ministério Público, tanto o estadual quanto o federal, recebeu tantas denúncias sobre um governo como o de Jaime Lerner. Não significa que seja estatisticamente muito mais vulnerável do que os outros até porque todos, de uma forma ou de outra, o são. Traduz um novo tempo, embora não um ‘‘novo caminho’’, marca eleitoral da eleição e reeleição desse tumultuado período administrativo, em função da nova postura da cidadania e do seu ‘‘ombudsman’’, o Ministério Público.
Há um risco: o acúmulo de processos – só da Leasing houve 25 notícias-crime, às quais se acrescentam outras de várias áreas do combalido banco estadual – pode dificultar procedimentos por deficiências estruturais e até falta de servidores. É uma luta contra o relógio porque o governo se empenha em obter a privatização o mais rapidamente possível para o acerto de todos os ‘‘rolos’’, ainda que sabendo que tanto Lerner como alguns dos seus auxiliares de primeiro escalão precisarão de mandatos para garantir-lhes a imunidade ante o alude de processos que deverão forçosamente enfrentar.
O banco está hoje ‘‘minado’’ por ‘‘arapongas’’. Se é verdade que a passeata contra a privatização foi um fracasso numérico, com menos de uma centena de participantes, a disposição de algumas pessoas decididas está permitindo o surgimento de denúncias. Até a possível ‘‘instrumentação’’ do banco pelo filho do presidente, candidato a vereador, o Stephanes Júnior, está sendo denunciada como aconteceu com a carreata marcada para ontem e que circulou pelos terminais de computadores, curiosamente em áreas dominantes da Leasing. Essa Leasing não tem jeito mesmo. E o governo quer reabrir as suas operações para êste mês. Em princípio isso estava marcado, como a repórter Carmem Murara o demonstrou, para amanhã.

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