Luiz Geraldo Mazza
Demagógico e inútil, o plebiscito sobre as dívidas externa e interna é, além de tudo, fascista: nos boletins da convocação não se abria a perspectiva para o contraste, já que a indicação é imperial para que se vote não. Bem ao jeito maniqueísta da Igreja e, de certa forma, lembrando a forma de votar da República Velha dos tempos do bico de pena.
Para assegurar algum alarido ao evento, que deve ter tirado o sono do FMI e feito a alegria dos nossos empresários, especialmente os multinacionais (70% do grosso da dívida é deles), teremos novas e repetitivas marchas do MST. De certa forma há legitimidade no teste porque ficou em aberto um dos artigos das Disposições Transitórias da Constituição-panacéia que, com o tempo, mostrou apenas haver inviabilizado a governabilidade no País e, além disso, há aquele parágrafo único do Artigo 1º que admite, posto que não clareie, a democracia direta. Está lá: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Como não se regulou o ritual dessa democracia direta vale tudo.
Se é permitido invadir propriedades e repartições públicas pode-se, é claro, fazer plebiscito para tudo. É claro que a invasão dá, além dos resultados políticos, também os de natureza econômica. Para alguns, porque até agora não se provou a utilidade econômica dos assentamentos, a despeito do investimento elevado por família em base superior a R$ 25 mil. Já o plebiscito não chega a ter a força de um comício, não motiva a não ser os delirantes que o inspiraram. E que esbarrará por certo na cordilheira parlamentar do governo que no máximo admitirá um debate acadêmico sobre o tema.
Já tivemos vozes discordantes da questão da dívida mais expressivas como a do liberal John Galbraith que, com todo o peso de sua autoridade de economista e mestre em ciência política, a considerou impagável. Só que isso valeria numa quadra geopolítica de guerra fria e não numa sociedade militarmente hegemônica como a de hoje. Ademais, nossas instituições se mostram incapazes de detectar em tempo certo afanos como o da sede do TRE de São Paulo ou a da nossa pirataria do Banestado. Vamos cobrar dos credores também essas faltas e que permitiram rombos como o do Banespa ou assumir que governamos mal e que a oposição é incompetente para aparecer ao conjunto da população como a saída da esperança para uma profilaxia geral em que tudo o que aí está.
BIZARRICE
Na frente da casa do senador Roberto Requião tem uma foto do irmão Maurício, candidato, e uma placa cuidado com o cachorro
AXIOMA O Forte Netto, candidato tucano à Prefeitura de Curitiba, deveria aparecer em cena de cartola e capa: promete um metrô de verdade sem endividar o município e o passe escolar para estudantes sem aumentar a tarifa. Está mais forte do que o David Coperfield e pode provocar a entrada de Mister M na campanha.
GLOSA Ratinho deve anunciar seu apoio ao arquiteto Fortte. É que Alvaro Dias aparece mais, mas em compensação tem menos apelo que o animador de TV. Já na Lapa ele está com o Paulo Furiatti e sua influência pode decidir a eleição na Legendária.
SPRAY E no depoimento do coronel Lara, por causa da compra das jaquetas da Coréia, fogo cerrado no poder incontestável que o falecido Aníbal Khury exercia na área de segurança, como se fosse do seu exclusivo domínio. - Além de mexer no tabuleiro de xadrez (o jogo, é claro) tanto da área civil como da militar, derrubava comandos, como fez com o coronel Honório Bortolini, o que levou de roldão um oficial de elite do comando geral, coronel Mainguê e promovia delegados como bem entendia. - Apenas não conseguiu impor veto ao delegado Noronha, desde o início cogitado pelo secretário Cândido Martins de Oliveira. À essa época, o deputado estava com problemas de saúde muito graves e não pode fazer abortar a operação que afastaria da chefia da Polícia Civil o delegado Arthur Braga. - Lara alegou, em seu depoimento na Auditoria, que um grupo de oficiais e mais a resistência de Khury é que criaram um problema em torno de assunto normal e assinado anteriormente pelos coronéis que, depois, rejeitaram-no. - É mais uma chance (a outra foi a CPI verdadeira, a federal, pois não é crível que deputados radialistas nada soubessem dos esquemas ligados aos desmanches de automóveis como se dá no caso regional) para fazer a anatomia da Segurança e de suas vinculações com o crime organizado e até a cultura vigente nas duas corporações que permite tolerância e permeabilidade a tanto abuso. - Qual seria a dimensão de uma suposta banda podre? Essa é uma das questões que pode ser explicitada. - Por falar em PM, os sete animais particulares que estavam conservados no regimento foram finalmente devolvidos aos respectivos donos, o que já era um baita constrangimento. Nomes dos animais: Destro Luso, Learg nt, Esmeralda, Falcão Negro, Flecha, Laçaço e até, vejam a sofisticação musical, Amadeus. - A PM quer porque quer o conhecimento na quinta, dia 14, da resposta da Comissão de Alto Nível às reivindicações. O governo quer entregá-lo só na sexta, um dia depois da assembléia das várias entidades. Banho-maria, puro e simples, como faz com todos.
FOLCLORE Vizinhos do comitê principal de Curitiba já começam a torcer pela oposição, irritados que andam com os foguetórios a cada pesquisa. Como a última deu 4 pontos de queda para Cassio, a vizinhança ficou livre do oba-oba. E advertem que o ocorrido na Austrália, em Sydney, com o incêndio que acabou atingindo áreas próximas, deveria ser levado em conta.
CROMO E aquele tom carismático que fim levou da religiosidade popular? Se caía um cisco no olho declamávamos: Santa Luzia// passai por aqui// com seu cavalinho// comendo capim// sangue de Cristo// pinga aqui// E fazíamos a aspersão com água mineral ou boricada, essa hoje contra-indicada.
AFORÍSTICO A Assembléia Legislativa, que leva cutucões pedagógicos do Tribunal de Contas, se vale da fragilidade de Lerner para pressionar e quer mexer até em remoção de soldado e cabo. Um dia o Lerner assume, podem crer.





