Afinal aquilo que parecia impossível aconteceu: Cassio caiu. Datafolha acusou a queda de quatro pontos. A oposição achou o máximo, afinal o teto havia sido o registro de 57. O governo entendeu que era uma oscilação que a margem de erro de quatro pontos justificaria.
Claro que a oscilação mínima deu margem à convocação de sociólogos, analistas da abracadabra, psicólogos, marqueteiros. Como quem avalia a urina amarelo-citrina no laboratório de análises clínicas, o inquietante cocô para ver se há ovas de parasitos e o tecido para detectar anomalias, os atletas posudos fazem um ar de sacerdotes do tempo diante das constatações.
O que teria provocado a queda? Seria a exploração do IPTU, o ‘‘Ferreirinha’’ fiscal da oposição, a amostra dos sujeitos ocultos da oração (Jaime Lerner, Rafael Greca, Belinati, marido e mulher, roubalheira do Banestado, quebra do Estado, crime organizado e a polícia, enfim a barbárie conhecida) ou algum sinal de estresse, fadiga do material nessa pregação otimista? Vararam a noite como na novela de Eugene O’Neil para decifrar o diagrama. Veio a frase célebre do gênio: não se muda time que está ganhando. Ora, apesar do universo reduzido das pesquisas, que responde pela margem de erro elevada, o flagrante desse último Datafolha exige atenção e cautela.
Cassio Taniguchi caiu quatro pontos, subiram Vanhoni e Maurício, um que assopra e outro que morde, ambos com 14, estagnou o doutor da obviedade, Eduardo, aquele que lembra que você é você, como se você nunca tivesse percebido esse dado primário, e quem decolou mesmo, em termos proporcionais, foi o Forte que saiu de 2 para 5.
Está longe de haver sinais de ‘‘virada’’, mas o clima da semana passada nas hostes oficiais mudou radicalmente. Avalia-se, ponto por ponto, o que estaria mexendo na posição cômoda. Aí um sinistro Doutor Silvana da coligação governista fez a sugestão diabólica: ponham nos programas o Lerner, o Greca e o FHC que tudo dispara de novo. Para baixo, certamente. Aí, de forma radical, como numa prova de ‘‘bung-jump’’, o Cassio mergulha no abismo pendurado na corda salvadora de cima de um viaduto, coisa que ele e Lerner detestam pelo menos em relação a soluções de circulação urbana.
BIZARRICE
Apesar do feriado da Independência não se entende por que o Gegê, o fogueteiro, não celebrou ontem mais uma vitória no Datafolha. Teria sido o resultado da pesquisa ou o ‘‘pito’’ de dona Marina Taniguchi?
AXIOMA A baixaria na política paranaense não é apenas a visível nas disputas da Assembléia Legislativa e o Tribunal de Contas. Como não há governo e nem respeito, a babaquice dos deputados é provocar a PM e exigir transferência até de cabo e soldado. Uma canalhice jamais vista na história paranaense. Não iremos esquecer tão cedo o governo Lerner, o mais ‘‘banana’’ de todos.
GLOSA O Luis Forte Netto, candidato a prefeito do PSDB, é mais alquimista do que arquiteto e urbanista. Sugere a criação do ‘‘passe escolar’’ sem que haja aumento na tarifa dos transportes. É a omelete sem quebra de ovos.
EPIGRAMA O assalto do Banestado foi de dentro para fora: não é crime! Esse tipo de operação no Brasil é garantido pela praxe e jurisprudência.
SPRAY Dificilmente o governador se sairá bem no processo eleitoral, apesar da vitória praticamente segura em Curitiba. - Há lugares em que, como se deu em situações anteriores, divide o possível feito com a oposição. - Perde seguramente em Londrina, Ponta Grossa, Paranaguá, Cascavel entre outros. É verdade que depois da eleição há ‘‘realinhamento’’ na direção palaciana, como sempre ocorre até porque o município tem limitado raio de autonomia. - Em Maringá, como já se deu anteriormente, não pode abrir o jogo. - Leva um baile em Campo Mourão: o prefeito Tauillo Tezelli, do PPS, deve ser reeleito; perde em Foz do Iguaçu onde PSDB (Sérgio Spada) e PMDB (Celso Samis da Silva) disputam a primeira posição; deve ganhar em Guarapuava com Ribas Carli; ganha em Cambé com José do Carmo Garcia. - Fala-se que o fator Belinati, apesar de tudo o que há de negativo, pode alavancar Farage Khouri. É o sebastianismo londrinense. - O pessoal do PMDB já não é mesmo: tempos passados promovia invasões como a da Ferrovila. Aliás o original, o senador, foi também acompanhando o xerox, que estava embalado com os dois pontos de ascensão no Datafolha. - Quem lucrou muito com o feriadão foi Morretes com a festa do barreado. Proporcionalmente um ganho em relação às praias, em que o frio desanimou o pessoal e levou muita gente para Morretes, Antonina e Paranaguá. - Nunca uma campanha eleitoral foi tão despojada de emoção como a de agora em nível nacional. Quem tem fator militância pode criar fatos novos na reta final: PFL, por ser governo, tem condições de fazer movimento nas ruas e também o Partido dos Trabalhadores. - O candidato a prefeito no Paraná com maior número de processos é, sem dúvida, o Rizio Wachovski de Araucária. É tanto processo que já o chamam de São Sebastião cujo corpo tem tantas flechas quanto processos do prefeito. - Uma das coisas que tem degradado na atual gestão de Curitiba é a Guarda Municipal. Não será também, como quer o Forte Netto, com aumento do efetivo que se resolverá problemas estruturais e de sucateamento. - HSBC, que pensou em rever a festa natalina, está convencido que se trata de evento excepcional. Do Paraná o único merecedor de figurar em calendário nacional. Os Jogos da Safadeza, apesar da badalação dirigida por interessados, não emplacaram. Foz do Iguaçu merece coisa melhor.
FOLCLORE Se a campanha do Cássio Taniguchi botar agora Jaime Lerner, Rafael Greca e FHC nos programas eleitorais o segundo turno sai. Já em Londrina não há alternativa: o cabo eleitoral situacionista, apesar de cassado e tudo o mais, é o ex-prefeito Antonio Belinati.
CROMO Eu me lembro, nos anos quarenta, o Brasil era tão pobre que os nossos tênis de desfilar no dia 4 (Raça) e 7 (Independência) eram alvejados com alvaiade para as festas getulianas da camisa de força cívica.
AFORÍSTICO Questões pessoais não devem ser invocadas em jornal, mas essa é mais do que personalista, da família: a dona da festa hoje, dia de Nossa Senhora da Luz, é Lucy, minha mulher, pelos 45 anos de casamento. Tudo por ela, a nossa mais fina inspiração, a medianeira de sempre.

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