Luiz Geraldo Mazza
Quantas vezes o Paraná foi embromado nessa história de aparecer na chapa presidencial com um candidato a vice? Dos anos 50 para cá, abstraído o vexame presidencial de Affonso Camargo (algo impossível rememorar sem um forte e impiedoso constrangimento), tivemos os casos de Munhoz da Rocha e de Ney Braga, criador e criatura. Munhoz deixou o governo estadual, primeiramente para o Ministério da Agricultura, com a perspectiva mediata de figurar na chapa governista como vice-presidente. Era um momento delicado da vida brasileira e que com o suicídio de Getúlio Vargas havia todas as condições para reagrupar a frente populista (seria demais, no Brasil, tão atrasado, falarmos em frente popular como a entendiam os europeus), que afinal se consolidaria com Juscelino e Jango.
Já naquele tempo levávamos um banho de Santa Catarina com a atuação de um líder do PSD como Nereu Ramos, o que aliás se dá com menos brilho e muito mais objetividade, concretude, com Bornhausen. Munhoz da Rocha brilhava pela oratória, um dos maiores do seu tempo, e expressão intelectual, sem a pavonice dos sociólogos do seu tempo e os de hoje, porém estava longe de ser um hábil articulador político. Tanto que permitiu que na sua sucessão houvesse três candidatos da sua base aliada, o que acabaria facilitando a volta de Lupion.
Acabou aparecendo na cena do alegado contragolpe desferido pelos generais Lott e Denis para impedir a posse de Carlos Luz e que abortaria conspiração para impedir a posse de Juscelino, bem ao estilo, aliás, das tropelias dos falsos liberais da UDN, estimuladores de golpes militares como o fariam em 64.
Munhoz da Rocha e o seu cunhado, ministro da Saúde, Aramis Athaide, estavam a bordo, juntamente com outros ministros, entre eles o integralista Almirante Penna Boto, de um navio da Marinha de Guerra que singrava a Baía de Guanabara, como um protesto diante do pronunciamento militar e chamado, vejam a loucura, de Movimento de Retorno aos Poderes Constitucionais Vigentes. Só no Brasil!
Mais tarde chegou a vez de Ney Braga, a maior liderança que tivemos. Ele teve o peito de enfrentar, em convenção regional da Arena, o general Costa e Silva, já ungido, para a Presidência. Não dá para comparar a expressão nacional de Ney Braga com a dos que o sucederam. Alvaro e Requião, mordidos pela mosca azul, assanharam-se, todavia sem qualquer articulação e consistência.
E agora aparece essa do ACM tentando atrair Lerner num momento em que o PFL se irrita com o seu mandonismo e buscando manter a aliança com o PSDB, Tasso Jereissati na cabeça, claramente voltada para neutralizar a ascensão visível
de Mário Covas que pode ganhar o pleito na capital paulista. Vão, outra vez, nos engrupir na fogueira de vaidades. Pelos políticos que temos, merecemos.





