Luiz Geraldo Mazza
A oposição, não fosse a pesquisa da Brasmarket-IstoÉ, teria motivos hoje para refletir. Afinal é como uma esteada na tempestade de resultados negativos. Como Cassio já havia atingido 57 no DataFolha e 53 no Ibope, menos de um mês do pleito, a virada, imaginada no começo do processo, apenas viria por intervenção do milagre ou do Sobrenatural de Almeida, do Nelson Rodrigues.
Que tipo de argumento tem a oposição? Um só: o prefeito atingiu o teto, resta saber em que ritmo se dará a sua queda, por ser inevitável, dizem os acacianos observadores, quem sobe demais tende a cair, o que está explícito na Lei de Newton, o princípio da gravitação, e na singela parábola da maçã que cai da árvore rumo ao solo. E contrariado pela música popular: Como vai você?// Vou navegando, vou temperando,// pra baixo todo santo ajuda// pra cima é que a coisa muda!// Como vai você?
A oposição vai muito mal. Nem a sondagem feita por instituto alternativo provou a visão conspiratória que os derrotados prévios guardam de toda e qualquer pesquisa que não lhes seja satisfatória. Além do mais, essa da Brasmarket, que viviam citando e divulgando nos programas eleitorais, é mortal para as suas aspirações: Cassio 56, Maurício 10,8, Vanhoni 9,5, Eduardo 3,8, Forte Netto 2,1. A soma de todos os candidatos não chega à metade do obtido pelo candidato preferencial, o chapa branca.
Como os candidatos, tirando o Taniguchi, disputam para acumular energia a ser aproveitada no pleito de 2002 (Vanhoni vai ser candidato a estadual ou federal, o mesmo podendo ser imaginado em relação a Maurício Requião), urge não dar vexame demais porque aí o projeto de médio prazo fica sob risco. Só há uma possibilidade de aquecer o quadro: a entrada do Requião verdadeiro, sonho do jornalista Cândido Gomes Chagas completado por um Jaime Lerner, não sei por que cargas dágua, vestindo um pijama zebrado. Candinho: por que não de bolinhas na base do optical-arte? Essa, todavia, é remota. Pode até acelerar o fim da carreira do senador se ele, com sua auto-suficiência, considerar o Cassio como um concorrente da segunda divisão e enxergar na eventualidade de uma derrota o supremo desalento, o padecimento sem remissão.
BIZARRICE
FHC e Mário Covas podem andar sem seguranças pelas ruas? Não. A não ser que adorem ovos. Lerner pode sair tranquilamente pelas ruas, em shoppings e supermercados, que não sofre risco algum. A não ser que a oposição mais furiosa esteja por perto. Lavagem cerebral funciona e essa é uma prova.
AXIOMA Outro dia o José Tavares foi explicar como funciona o arrendamento de automóveis no Estado. Não convenceu muito, mas um dos telespectadores, talvez influenciado por via subliminar, declarou: Não entendi nada. Sei apenas que estou doido para tomar uma Kaiser!
A exposição longa do Tavares faz lembrar o baixinho de boné.
GLOSA Bill Clinton não dormiu a noite passada. E não foi sonho erótico, mas uma forte preocupação com o plebiscito da Dívida Externa no Brasil. Aliás há algo mais erótico do que a Dívida Externa?
EPIGRAMA Sobre essa onda, que não é nova, de não pagar a Dívida Externa, ninguém esquece do vexame do Sarney com sua moratória demagógica e que custou ao País o constrangimento de vermos barcos do Lloyd serem apresados por decisão internacional com força igual a essa do Canadá contra a Embraer junto a OMC, Organização Mundial do Comércio.
Isso faz lembrar assembléias do diretório acadêmico quando arrancávamos, emocionados, nos anos cinquenta, resoluções condenando os Estados Unidos na Coréia ou por causa de intervenções em ditaduras latino-americanas. Achávamos que mudávamos a realidade, tal qual o plebiscito que repete o discurso da impotência, por não ter o menor compromisso com a realidade. Isso equivale ao setor católico, que discordou da beatificação do Papa Pio IX pelo Papa João Paulo II, a pedir uma revisão, considerando apenas a sagração de João XXIII. Teria nosso apoio e soaria, quanto no caso da Dívida, inútil. O assembleísmo é capaz de imaginar o povo na praça de São Pedro botando o dedo para baixo diante da decisão do Vaticano e anatematizando o ato da Igreja. Ridículo.
SPRAY Reinhold Stephanes, presidente do Banestado, está isolado no governo em função de sua tese técnica sobre o momento apropriado para o leilão.- Há um discurso curiosamente uníssono como nas ordens monolíticas, o que rescende ao mais puro fascismo, uma vez que os intervenientes, dos deputados ao secretário a que dão solidariedade, entendem menos do riscado do que aquele que preside o banco estadual.- O material existente no Ministério Público sobre as tropelias no Banestado é de estarrecer: uma empresa, essa é de tirar o boné, pagou 6% do que devia na Leasing; um deputado estadual não honrou compromissos assumidos e deram precatórios em troca que o governo vai ter que pagar, tudo na base da ação entre amigos.- A pressa, portanto, é também para jogar todas essas questões calamitosas no aterro sanitário do esquecimento.-
Já há 3.200 assinaturas no manifesto que pretende transferir Itararé, SP, ao Paraná. Objetivo é chegar a 25 mil adesões, o que pelas dimensões da cidade é uma verdadeiro plebiscito. Um professor Almir Santos, diretor do movimento, lembra que em Sengés, do lado paranaense, não há desemprego. Slogan: Ramal da Fome, Não! Plebiscito, Sim!- O prefeito de Itararé, Floriano Côrtes, junto com outros 12 prefeitos do sudoeste paulista, foi ao governador Mário Covas e pediu queda de 18 para 12% no ICMS. Covas aceitou e a matéria está para ser votada no Legislativo paulista.- Das pesquisas publicadas na revista IstoÉ-Brasmarket uma assusta e parece de cabeça para baixo ao sugerir que Vitor Burko tem 44,9 contra 27,9 de Ribas Carli em Guarapuava.-
FOLCLORE Propaganda enganosa é redundância. Vejam essa do fotógrafo que ficou mutilado por causa do cigarro. É tão verdadeira quanto a que associa o fumo ao poder, à sexualidade, juventude: empulhação colorida ou em preto-e-branco, em nome do realismo, é a mesma coisa.
CROMO O delírio do jogador vê na mesa em lugar de dados tradicionais os transparentes de diamante: nada o afasta do delírio agradável.
AFORÍSTICO Há quem ache a comparação do barco da oposição com o Kursk - bem adequada: ela estaria pior do que o submarino por se acreditar viva. Duas coisas para melhorar: Lerner aparecer nos programas eleitorais da situação e o senador entrar no lugar do irmão que não deslancha.





