Luiz Geraldo Mazza
Foi atribuída ao deputado estadual Caíto Quintana a afirmação de que o PMDB terá o mesmo destino do Kursk. Como fazer parábola é um exercício lúdico bem ao gosto dos políticos, poder-se-ia fazer a mesma imagem com o governo FHC ou o governo Lerner. Ocorre que FHC está em recuperação como as pesquisas mostram e o grupo lernerista, mesmo que perca em alguns municípios, só com a vitória em Curitiba já compensa.
Todavia, se é arriscado imaginar o situacionismo na situação trágica dos marinheiros do Kursk, percebe-se que cada vez parece mais escassa a hipótese de o PMDB fugir ao naufrágio. Há quem acredite que o ingresso do Requião verdadeiro, mesmo que um dos genéricos permanecesse, na disputa, aqueceria o partido em nível estadual. Melhoraria o ânimo dos peemedebistas no interior e o primeiro a beneficiar-se, já que até aqui não deslanchou, seria Cheida em Londrina. E representaria um esforço estratégico para recuperar justamente as áreas que decidiram o pleito governamental, no primeiro turno, em favor de Jaime Lerner na reeleição.
O que está com um jeitinho de Kursk é o Paraná. Entalado num nó financeiro sem saída, vendendo, de forma paranóica e doentia, seus principais ativos como a Copel, o Banestado e a Sanepar, enquanto se abre, de forma irresponsável, ao capital externo, é a expressão da anomia, da ausência de governo com um alude de corrupção que surpreende por se dar num momento de escassez de recursos. Ao lado, porém, de toda a desolação há o mundo virtual, bem menos opressivo que a profundidade do oceano, que é empregado para anestesiar os paranaenses e com isso dar a idéia de que a tragédia é distante.





