Luiz Geraldo Mazza
Uma situação no mínimo curiosa foi criada ontem na Assembléia Legislativa: a oposição defendia, relativamente ao Banestado, a linha do presidente Reinhold Stephanes quanto ao momento mais adequado para a privatização, que seria depois do leilão do Banespa para efeito de valorização, enquanto a bancada oficial se ajustava na postura do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que a deseja o quanto antes.
Como o governador, sabidamente um perplexo, sem capacidade nenhuma de determinação, é quem irá decidir o alinhamento mais adequado, dá para imaginar o que está por vir. O titular da Fazenda é jejuno em matéria complexa como o campo da alta administração. Não dá para confrontar currículos, já que Stephanes é um dos melhores quadros gerenciais da administração pública do Paraná.
Ademais, a forma como o Paraná destruiu um modelo de gestão financeira não é indicador de coisa alguma: volta e meia alguns secretários, chapéu na mão, percorrem os bastidores de Brasília tentando saídas como a venda de mais ações da Copel, como essas fossem inesgotáveis. Aliás, nessa história do Banestado há também o caso dos R$ 400 milhões de ações da Copel colocadas sob custódia para honrar a vergonheira dos pródigos na questão dos títulos estaduais.
De um governo, que dá uma nota oficial, apócrifa, em nome do banco, contrária a tudo o que auditores verificaram na Leasing, tentando diminuir o grau de responsabilidade do gestor que a estourou e oposta ao que já foi apurado em inquéritos e no processo judicial, pode-se esperar de tudo. O valor de venda do Banestado, até pelo fato de haver absorvido mais de R$ 5 bilhões em títulos públicos nas operações de saneamento, é colocado na bacia das almas, inferior até ao seu valor patrimonial. Dá para imaginar o problema que ocorreria se os trabalhadores não exigissem a continuidade do seu fundo de pensão, gerando uma questão social da maior envergadura. Como também seria desastroso se o banco não acertasse a questão dos títulos estaduais em tempo de evitar que o seu sucessor se transformasse em sócio relevante da Copel que também deve ir logo, aspiração dos compulsivos, a leilão.
Pelo jeito, a herança deste governo, que mata o futuro por método, é o caos.





