Curitiba voltou ontem ao século 18 com a quebra de uma porta de vidro pelos bancários no local em que os concorrentes à privatização do Banestado iriam receber informações complementares. Na história do socialismo é referência ao ‘‘luddismo’’, referência ao Nedd Ludd, o primeiro operário têxtil que quebrou teares para frear o ciclo de mecanização que implicaria em perda de espaços para mão-de-obra.
Como já existe no maior movimento social do Brasil, o MST, o culto à utopia regressiva do agrarismo (Marx tinha horror disso como o declarou no Manifesto como de resto abomimava o lúmpen, alvo dos xiitas do basismo) não espanta que ocorra isso numa explosão radical, assentada em justos temores dos sindicatos que temem mais os efeitos, de médio e longo prazos, do que a própria, e agora inevitável, privatização. Mesmo na mais vanguardeira das indústrias do ABCD paulista, a automotiva, houve a operação ‘‘cambalacho’’, no andamento de uma greve, na qual metalúrgicos entregavam veículos com defeitos da linha de montagem.
Nedd Ludd pintou no fim do século 18, mas teve antecessores nos que alagavam minas, queimavam colheitas e quebravam máquinas. O verdadeiro ludismo eclodiu nos condados ingleses de Nottingham, Lancaster e York. Não dá para comparar as relações sociais desse tempo com as de hoje, mas de repente dá a impressão que estamos diante de ‘‘supervivências’’ históricas.
O front real de luta dos bancários deve ser no Judiciário a despeito de a onda no momento não os favorecer com as decisões do STF que derrubarão todas as liminares, mesmo quando concedidas por tribunal de segundo grau. Devem usar a energia também para obrigar esse governo sinistro, habituado à caixa-preta, a deixar transparente a questão do Banestado, inclusive da ladroeira lá havida especialmente no atual ciclo administrativo. É preciso quebrar a espinha dessa resistência e não o vidro da sala.
BIZARRICE
Tanto Vanhoni quanto Maurício Requião estão para Taniguchi como o SBT diante da Globo: o máximo que podem almejar é o segundo lugar
AXIOMA Anteontem e ontem bancários, hoje pensionistas do IPE, amanhã PMs: as tensões acompanham o cronograma eleitoral. O pior para a oposição é que isso não muda a tendência do jogo.
GLOSA Se a Assembléia Legislativa (que já tinha instalado uma CPI para o caso Sercomtel-Copel) recuou, não espanta a atitude da Câmara Municipal fugindo à sua responsabilidade na mesma questão. A preocupação dominante em atingir Belinati era burra e ilegal, mas a devassa deve ser feita de qualquer jeito. É um afano, gigante demais, para ser desprezado.
EPIGRAMA Será que afastando os ‘‘padrinhos’’ os candidatos como Maurício, Fortte e Vanhoni não decolariam? Vanhoni e Forte Netto têm 18 de rejeição, 2 a mais do que o conferido a Cassio Taniguchi (16). Maurício está com 32, campeão absoluto, seguido do Jamil Nakad com 30 e Eduardo com 27. Nos números do Ibope, os que batem continuam caindo e os ‘‘softs’’ sobem.
SPRAY Governo tem argumento forte para não atender a principal reivindicação dos militares: reajustes não podem ser concedidos no andamento de campanhas eleitorais. - O primeiro encontro entre as entidades da PM e governo foi muito bom e fixou três prioridades: redução salarial com supressão de adicionais e indenização de representação; ganhos de PMs (escalonamento vertical e percentuais de gratificação) na Justiça sejam extensivos aos demais e por último a criação de plano de saúde ante a falência do IPE. - Isso tudo vai para o ‘‘banho-maria’’ habitual, pois o governo mal consegue pagar a folha e assim mesmo arrebanhando ‘‘verbas industriais’’ de órgãos estaduais como a Imprensa Oficial, Junta Comercial, Porto de Paranaguá etc. - O conselheiro aposentado João Féder tem sido visto no Tribunal de Contas. Ele que nunca foi fantasma, passou a ser olhado como tal. Havia uma justificativa: aquele artigo em que ele entregou a existência de um escritório de funcionários da hierarquia para atender prefeitos ‘‘enrolados’’ provocou a curiosidade de saber os nomes e a cúpula tenta obtê-lo por via diplomática. - Cavalos particulares podem ser cuidados nas instalações da Polícia Militar? Essa era uma questão colocada à boca pequena ontem em alguns circuitos. - Outra, estranhíssima, referia-se a um processo na Polícia Federal (porte irregular de arma) para uma pertencente a político paranaense com mira a raio laser, cuja importação é proibida. - A FAE do pessoal do Bom Jesus entrou na macaquice colonizada e se chama agora nada mais nada menos do que ‘‘Business School’’. Isso não é nada: tem uma loja no Centro Cívico pernosticamente chamada em mau francês ‘‘Centre Civicque’’. - Se Maurício Requião continuar aquecido bate todos os recordes de rejeição: em uma semana pulou de 27% para 32%. Com a ausência do senador será que baixa? No Ibope enquanto ele subia 5, Cassio diminuia 3. Baixou de 19 para 16. - Itararé quer se tornar paranaense por causa do abandono de São Paulo. Seu prefeito, Floriano Cortês, briga pela reeleição, mas as forças do mal invadiram o seu depósito de campanha e destruíram o material de campanha e emporcalharam o local. Uma representação foi feita na 57ª zona eleitoral.
MEMÓRIA Colé, artista popular que teve seu brilho no teatro rebolado com Nélia Paula, foi sepultado ontem. É o criador genuíno da fama de Pelotas como terra de ‘‘gays’’. Criou um personagem na Rádio Nacional que era afrescalhado e daquela cidade, aliás famosa na verdade por seu conservadorismo. Jota Carlos, que faz quadrinhas, e que é gaúcho, explicou: ‘‘Colé nos anos 40// fez a bicha glamourosa// que se dizendo gaúcha// deixou Pelotas famosa//’’
FOLCLORE Com essa mania de estrangeirismos, conta Freitas Neto, jornalista, que quando passou o filme ‘‘Gilda’’ com Rita Hayrworth e Glenn Ford uma pessoa ligou para o Cine Luz que horas ia passar ‘‘Guilda’’. O atendente não teve dúvida e repicou: ‘‘Deixe eu falar com o Gueraldo que é o guerente.’’
CROMO Do meio da barba imensa do andarilho saiu uma borboleta branca.
AFORÍSTICO Se Lerner aparecer no programa do Taniguchi a oposição festeja.

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