A história se dá como tragédia e se repete como farsa na correção de Marx a Hegel. Está lá em ‘‘O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte’’, logo no início. Já disse, mais de uma vez, que no Brasil ela é tão repetitiva que temos mais farsa do que história. Ou melhor: na maioria dos casos, só farsa.
Quando a história – ou seria melhor chamá-la, no caso, de estória? – se repete demais, como se dá nessas lamentáveis campanhas municipais, dá, pelo baixo nível, para atribuir-se à falta de imaginação. Não a história, mas a atuação dos seus pobres e precários agentes. Vejam só: já tivemos mobilização da bobeira do passe escolar diante da Prefeitura de Curitiba. Eles poderiam criar um clube de serviço como ‘‘Pula Catraca-Tiradentes’’, ‘‘Pula-Catraca-Bom Retiro’’, uma caricatura dos Rotarys e Lyons da perversidade, uma espécie de escoteiros do mal.
Em várias eleições tivemos o repeteco. Em alguns casos, com ameaças de invasão da prefeitura, quando o governo era do PMDB e elas, animadas por gente do gabinete do governador – os mesmos, aliás, que fizeram a sua grande obra de urbanismo alternativo, a Ferrovila. Neste ano, fizeram a concentração para colher imagens para os programas de TV, com a entronização do passe escolar, que seria bem mais pedagógico se substituído por um passe espírita. Com claquete e tudo, o protesto era para figurar no horário eleitoral. É por isso que eles perdem, por absoluta incapacidade de qualquer ideação nova.
Tivemos ontem o cerco sindical ao complexo do Banestado em Santa Cândida: se a Polícia interviesse, dava imagem pra TV e, se não o fizesse, o governo está cada vez mais escolado nisso, também o clima se prestaria para colocar o leilão do banco estadual na pauta. Aliás, é uma redundância dizer que irão privatizá-lo. Ele foi quebrado não por agentes públicos, mas pelos privados.
Amanhã está marcada – vejam a originalidade – a manifestação das pensionistas do IPE, que não recebem os seus haveres há mais de três anos. Também em pleito anterior o assunto foi explorado num clima de muita provocação e os que queriam tirar partido eleitoral da situação ‘‘quebraram a cara’’. O povo não tolera isso, todavia os fascistas, que se acreditam de esquerda, entendem que é por aí. Exatamente por aí que a vaca vai pro brejo. Como sempre.
E depois de tanta farsa e pouca história, ainda se perguntam em que ponto teriam errado. Em tudo, como sempre. A perda é programada.

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