Luiz Geraldo Mazza
O sociólogo Domenico di Masi, na formulação do ócio criativo (um dos primeiros a cuidar da doutrina foi o cubano-francês Paul Lafarge, genro de Marx) mostrou que uma pessoa não precisa estar atada a uma cadeira para ser eficiente. Ajudou a desmistificar muita coisa como a perda de tempo de executivos em ritual de pura bajulação ou fofoca como se o cara estivesse trabalhando, cenário comum não apenas ao setor público. E o jornalismo, esse que fazemos, teria perdido aquele encanto dos anos 50, quando entrei na jogada, e que havia uma espécie de regramento no ato de ser espirituoso, irreverente, inclusive com os patrões?
Estou lembrando isso porque fiz um texto, esta semana, para um livro que tentará recompor o que foi o Diário do Paraná. Ora, esse veículo é marco na passagem do jornalismo boêmio para o profissional. Pois havia lá um argentino, Benjamin Steiner, o primeiro diagramador da imprensa paranaense, isso na perspectiva do layout artístico-funcional, que era como um pelotiqueiro, esses artistas de rua, no meio da Redação. Sua mesinha tinha roldana e a figura era tão fascinante que os jornalistas ficavam, deslumbrados, a observar o nascimento do jornal em sua forma de projeto. Era uma prancha de arquiteto, só que nela ele surfava. Pois um dia parecia apoplético, do rubro para o roxo, e sufocava, e fomos atendê-lo, como se faz com o jogador principal em campo, e ele como se buscasse safar-se da asfixia meteu a mão na garganta e de lá tirou uma calcinha feminina, uma peça minimalista.
Esse clima artístico era comum a todos os jornais: em O Estado do Paraná uma noite o Percival Charquetti, Prêmio Esso de Reportagem, tomou umas e outras e dormiu na Redação. O pessoal apagou a luz e continuou batendo à máquina. Ele acordou aos gritos desesperado: Estou cego!
Nos jornais era comum colocar o verbo aniversariar na voz passiva. Saia assim: aniversariou-se ontem. Num dia, o Dr. Abdo Kudri mandou uma notinha do seu natalício ao jornal A Tarde, do Protásio de Carvalho, e no post-scriptum fez gozação: Ponha assim com os elogios e tudo mais. Saíram o principal e o acessório, o PS com a recomendação final.





