Dá ou desce?
A anedota se faz metáfora sobre o Banestado: ou dá ou desce? É o papo do caminhoneiro que deu carona para a moça do trotoar. O anúncio do preço mínimo do banco oficial, de R$ 434 milhões, bastante inferior ao seu valor patrimonial que supera os R$ 530 milhões, indicado pelos que modelam o leilão, provocou arrepios na praça e criou um elemento instigante para que a sociedade acompanhe com atenção mais um assalto ao bem público, regra comum no Brasil das privatizações ou ‘‘privatarias’’, como diz Elio Gaspari.
É visível que esse valor não cobre sequer o ‘‘rombo’’ das trampolinagens havidas na Leasing, na Corretora, isso sem falar na pletora dos empréstimos não honrados, muitos deles negociados com descontos homéricos na ‘‘bacia das almas’’ e outros que devem ser ‘‘anistiados’’ no aterro sanitário que o governo quer consolidar com a máxima urgência.
A cada jogada do governo mais cresce a necessidade de resistência (a Câmara Municipal de Curitiba já se posicionou contra o leilão) que deve ser jogada nos tribunais porque no Legislativo é impossível confiar por sua tradição de subserviência.
A pressa, que dizem ser inimiga da perfeição, é o caminho perfeito para que o governo jogue tudo numa ‘‘caixa-preta’’, como é do seu estilo, da forma a mais rápida possível. Tanto que depois de algumas indecisões conseguiu, ontem, aprovar a manutenção, por cinco anos, de todo o bolo financeiro da área pública como um bem cativo do sucessor do Banestado.
Bancários estão suscitando uma série de questionamentos, incluindo aí outros bônus como os de natureza tributária, relativos ao Imposto de Renda, e que alcançam R$ 1,5 bilhão. E tudo isso irá embasar suas ações judiciais e que, por certo, para o bem do Paraná e o mal dos que o afundaram, terá itinerário tenso como o havido com o Banespa. Daí a razão por que os corifeus do sistema querem pressa, a máxima pressa, como se fossem os marinheiros do Kursk, para que tudo seja anistiado, emparedado, e que eles apareçam, na sequência, como os salvadores e não os que tudo destruíram com volúpia incontrolável.
MASSA CINZENTA
O Paraná, quem diria, apesar da guerra fiscal, exporta massa cinzenta pra São Paulo. Um dos assessores de Maluf, aqui da terra, hospeda-se no Hotel Crowne Plaza São Paulo. E dizem que o cara dá uma sorte!
BIZARRICE Os tempos de hoje são mais tétricos do que éticos: uma agência de notícia manda aos veículos a notícia de uma cirurgia num paciente idoso. E como quem faz uma claquete vai enumerando o assunto, o entrevistado, dia e hora, local e endereço, e aí bota lá no fim personagem, referindo-se a um idoso que vai ser operado. Paciente, na sociedade do espetáculo, é personagem. O fim do mundo está próximo. Cubramo-nos de cinzas, antes que as cortinas ocultem o palco.
AXIOMA Agora só falta o TRE conceder o direito de tréplica ao Heinz Herwig que apareceu ontem no horário do PMDB e foi contestado, a seguir, por Requião. Se a coisa seguir nesse ritmo, uma especulação fora de propósito, como a de cobrar pedágio urbano, vira uma novela. Do pedágio chegamos ao adágio. Que saco!
GLOSA Taxistas estão com Cassio Taniguchi. Se isso for verdade, está com o cabo eleitoral de poderes mais multiplicadores. Como na visão oficial, também os passageiros estão com Cassio não vai haver sequer discussão na viagem.
ESPÓLIO A Folha levantou o problema no domingo: quem fica, afinal, com o espólio de Aníbal Khury? Há alguns que trabalham com cautela nessa direção, como o deputado Hermas Brandão, que coordenou a eleição de Nelson Justus tudo dentro das técnicas de Khury, ficando logicamente com a secretaria, como era do estilo do Buda. Justus estaria ‘‘gostando’’ do posto e tentaria, como já houve anteriormente com a mudança providencial do Regimento Interno, a sua reeleição. Tanto que já há movimentação, nada sutil, nesse sentido.
Há ainda a insistência do Valdir Rossoni que, pelos serviços prestados, se acredita em condições de pleitear o apoio do Palácio Iguaçu e que acabou sendo o ‘‘boi de piranha’’ do último pleito. De qualquer forma, nenhum deles reúne o tempo de serviço de Aníbal, cuja experiência se inicia com a de vereador em União da Vitória e que paulatinamente vai galgando espaços. Num Executivo fraco, caso da gestão Jaime Lerner, tudo é facilitado.
Outro detalhe: com o senso de participação cívica da sociedade (exemplo maior é o de Londrina) o estilo de Aníbal Khury já não se imporia. Antes de morrer, ele andava pegando ‘‘paradas’’ inúteis como a prisão de guardas da Diretran (e que cumpriam sua obrigação) nas imediações do Legislativo.
SPRAY Gravações ilegais de um detetive, no total de 40 horas, constituem um ‘‘arraso’’ numa das dependências de órgão estadual. Um esquema de tráfico de influência parecido com o de Eduardo Jorge. - Tentativa de atingir Beto Richa e desmontar a chapa oficial em Curitiba é baseada em episódios que teriam supostamente ocorrido na ‘‘Imprensa Oficial’’, gestão Enio Malheiros, e no fato de a esposa do candidato ter aparecido na relação dos paranaenses que operaram CC-5. - Raro na lista do Brasmarket aparecer na liderança de prefeitos os das capitais. Assim mesmo aparecem o de Manaus, Fortaleza, Cuiabá, Boa Vista, Palmas. Por exemplo: em São Paulo o mais credenciado é Samuel Moreira da Silva, de Registro. - A turma radical está pressionando para que Vanhoni apimente o programa do TRE. Dizem que parece quase tão ‘‘soft’’ quanto Cassio Taniguchi. - Como o jornalista Cândido Gomes Chagas está apostando que o Requião original entra pra valer na disputa da prefeitura, acredita-se que a fonte da informação só possa vir da área familiar. Só resta saber se não estão colocando os desejos acima da realidade. - Ibope confirma maioria absoluta para Taniguchi. Só que a margem de erro é de 4,9%, o que abagunça o coreto.
FOLCLORE Fora o Toni Reis, que é militante da diversidade, qual dos nossos senadores e candidatos a prefeito tomaria uma posição enérgica diante da intolerância dos cartazes que incentivam o assassinato de homossexuais?
CROMO A garça em sua aparente imobilidade olha para o pescador que parece igualmente uma estátua.
AFORÍSTICO No Datafolha 54, no Ibope 51. É a marca de Cassio Taniguchi. Como a margem de erro é de 4,9% pode estar com 55,9% ou com apenas 46,1%. Tudo indica que a oposição não ganha nem com repescagem.

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